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Watchmen S01EP07: “An Almolst Religious Awe”

Contém spoiler, se for alérgico, evite o texto antes de assistir o episódio.

“Will Reeves era o Justiça Encapuzada. O primeiro vigilante mascarado. E ele era negro. Quer dizer, esse cara inspirou duas gerações de heróis, incluindo eu e meus pais, mas ele teve que esconder quem era. Porque homens brancos mascarados são heróis, mas negros mascarados? Eles dão medo”

Laurie Blake

A proposta de Alan Moore para Watchmen era imaginar como seria um mundo onde os vigilantes mascarados de fato existissem. Na maioria das histórias em quadrinhos, o mundo é basicamente o mesmo que o nosso, só que com super-heróis. A presença de um Super-homem em território norte-americano não modificou a cultura, a religião ou a política, o que parece tão improvável quanto um sujeito voador com colante azul e uma cueca por cima da calça.

Já na HQ de Moore, quadrinhos de super-heróis perderam espaço para os de piratas, e a presença do Dr. Manhattan manteve os soviéticos comportados, garantindo uma vitória no Vietnã:

“Pensa bem. Se a gente tivesse perdido a guerra, sei não. Nosso país inteiro ia tá meio pirado, entendeu? Mas, graças a você, a gente ganhou. Goela abaixo”. Comediante

Ângela Abar (Sister Night) nasceu no Vietnã, anexado aos Estados Unidos da América, e vemos parte de sua infância naquele país, que, como informa o título deste episódio, venera o Dr. Manhattan, quase como se fosse uma divindade, o que parece natural, já que o sujeito passeou pelas florestas com trinta metros de altura, explodindo vietcongues com o dedo em riste.

Infelizmente para Ângela, nem todos os vietnamitas pensam da mesma forma, e assim como em outros territórios ocupados pelos Estados Unidos, adotam como forma de resistência o terrorismo e o ataque suicida. É um homem bomba que explode matando o pai e a mãe de Ângela, deixando-a órfã.

Vemos esta memória misturada à muitas outras, inclusive às de seu avô, já que Ângela está sendo desintoxicada da droga Nostalgia, que ingeriu em doses cavalares. Ela está nas instalações do Relógio do Milênio e a responsável pelo tratamento é a própria Lady Trieu, uma vez que foi sua indústria a responsável pela criação da droga, que posteriormente foi proibida pelo seu uso indevido.

A nostalgia é uma droga poderosa, apenas mais uma metáfora entre tantas outras nesta série.

Carl, marido de Ângela tenta visita-la, mas é impedido, já que faltam poucas horas para o Relógio do Milênio seja acionado, fazendo sabe-se lá o que, mas que segundo Trieu irá salvar a humanidade.

Não damos muita atenção para Carl, já que ele é só o marido gente boa de Sister Night, mas, amigo, isso vai se mostrar um erro, desses que explodem o seu cérebro e espalham pedaços pelo teto.

Enquanto isso, a agente Laurie Blake visita a esposa do falecido Chefe de Polícia de Tulsa e a confronta com a possibilidade de ele ter sido um supremacista branco ligado à Sétima Kavalaria. Ao juntar as peças, Blake imagina que a Noite Branca, onde policiais foram mortos, tivesse como objetivo colocar máscaras nos policiais, para que não houvesse mais distinção entre mocinhos e bandidos, culminando com a eleição do senador Keane, outro supremacista, para a presidência dos Estados Unidos.

Pois é, ela estava certa, a viúva confirma tudo, mas diz que a Sétima Kavalaria já não está mais interessada na presidência, quer algo maior.

Agora, o que pode ser maior do que a presidência dos Estados Unidos da América? Bem, se você leu Watchmen, deve saber que, para o Dr. Manhattan, o mais poderoso e influente dos seres-humanos não representa mais do que o mais poderoso e influente dos cupins.

Ah, sim, uma breve passada na prisão espacial de Ozymandias, onde ele está no último dia de seu surreal julgamento por tentar escapar. Para se defender, diante dos servos clones e de seu carcereiro, ele solta uma flatulência. Sim, todo o seu desprezo resumido em uma longa, sonora e eloquente flatulência. A defesa encerra!

Voltando agora para o plano da Sétima Kavalaria, o que eles pretendem é matar o Dr. Manhattan e criar outro em seu lugar, mais fiel aos seus ideais. Um Deus racista e homofóbico, digamos que bem mais compatível com os sentimentos de alguns religiosos. Por que amar ao próximo se eu posso incinerar os pecadores, não é mesmo?

É possível? O senador Keane e Lady Trieu acreditam que sim.

Há uma esperança?

Sim, o próprio Dr. Manhattan, que não está em Marte, mas caminha entre nós.

E quem é ele? Quem? Carl, o marido de Ângela! Toma essa, e lá se foi o cérebro.

Manhattan se transformou em ser-humano, apagou a própria memória e juntou os trapos com Ângela, porque ao que tudo indica ele tem tesão por vigilantes mascaradas.

Ele pode fazer isso? Amigo, o cara consegue ficar com trinta metros de altura, cria clones de si mesmo (o que pode ser muito útil no sexo, como Laurie já pode comprovar) e se transporta para Marte em um estalar de dedos, ele pode tudo.

Como trazer sua memória de volta? Fácil, matando ele.

Vejamos, um Deus que se transforma em humano e que para nos salvar precisa morrer.

Onde eu vi isso antes?

Já não tenho palavras para elogiar essa série, só estou esperando o que os dois últimos episódios reservam para nós.

Tic Toc, falta pouco agora.

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