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Video Locadora: Superman (1978)

Este filme está na locadora há bastante tempo, então tem spoilers.

Com a evolução dos recursos técnicos e dos efeitos especiais, o que limita o roteiro de um filme nos dias de hoje?

A resposta parece ser a imaginação dos cineastas, pois basicamente tudo o que eles puderem imaginar será levado para as telas dos cinemas, sejam Dragões ou naves espaciais.

Em 1978, no entanto, as coisas eram bem diferentes, o diretor Richard Donner e a Warner tinham a missão de fazer com que os expectadores acreditassem que um homem podia voar.

Estamos falando de Superman, primeiro filme de super-heróis arrasa quarteirão e, um dos maiores, senão o maior clássico do gênero.

Embora este filme conte com nomes de peso como Gene Hackman e Marlon Brando, um dos principais motivos para seu grande sucesso de público e crítica, reside em seu protagonista, Christopher Reeve.

Se Michael Keaton foi uma escolha ruim para viver o Batman no filme de Tim Burton, Reeve vai na direção oposta, é perfeito para o papel, e passadas quatro décadas, ainda é referência quando falamos ou pensamos em Superman.

Aceitamos que dentro do universo do filme, é normal que pessoas não consigam perceber que Clark Kent e Superman são a mesma pessoa, unicamente por conta de um par de óculos e de um penteado diferente, mas o ator vai muito além, contribuindo para nossa suspensão de descrença, ao interpretar dois personagens completamente distintos.

Com o uniforme e a capa é a encarnação do herói, alto, forte, confiante, mas quando volta a ser Clark Kent, seus ombros parecem encolher, postura e voz são alteradas, e ele nos convence de que é apenas um repórter desastrado de bom coração.

Por ser um filme de origem, a história passa necessariamente pela destruição de Krypton e pela adolescência de Clark no Kansas.

Vemos Jor-El (Marlon Brando) o colocando em sua nave e o enviando para a Terra, onde após uma longa jornada pelas estrelas, é encontrado por Jonathan e Martha Kent, seus pais adotivos.

O roteiro dedica pouco tempo à sua juventude em Smallville, mas é o suficiente para compreendermos sua essência.

Ele poderia derrotar qualquer atleta de seu colégio e fazer sucesso com as garotas, mas obedece seu pai, que pede para que ele mantenha segredo sobre sua identidade. Jonathan Kent acredita que seu filho foi enviado à Terra por uma razão importante, e ela não é ser um esportista famoso.

Superman tem os poderes de um Deus, mas o coração de um fazendeiro do Kansas. Jor-El pode ter lhe ensinado através de um holograma sobre ciências e história, mas foi seu pai adotivo que lhe ensinou sobre caráter e o valor de fazer o bem e proteger os mais fracos.

Jonathan Kent não estava errado, e seu pensamento se une ao de Jor-El neste discurso que o Kryptoniano faz para seu filho na Fortaleza da Solidão: “Os habitantes da Terra podem ser um grande povo, e eles querem ser. Falta apenas a luz para lhes mostrar o caminho. Por este motivo, acima de tudo, por sua capacidade de serem bons, eu mandei para eles você, meu único filho”.

Luz para lhes mostrar o caminho? Enviar o único filho para salvar a humanidade? Sim, você já ouviu essa história antes, e não há qualquer esforço aqui para esconder a comparação.

Em Metrópolis, Clark Kent se encontra com outros personagens que fazem parte de sua mitologia, Perry White, Jimmy Olsen, e, é claro, seu eterno par romântico, interpretado por Margot Kidder.

Além de repórter e par romântico do Superman, Lois Lane parece destinada a se colocar em perigo constantemente e ser salva pelo herói.

Apesar dos efeitos datados, é na cena do acidente com o helicóptero, onde ela e a aeronave despencam de um prédio, que Richard Donner e sua equipe mostram pela primeira vez que, se você estiver disposto a se deixar levar, eles podem sim, te convencer que Superman está voando.

Na cena em que Superman leva Lois Lane para voar por Metrópolis, os efeitos especiais ficam ainda mais evidentes, mas, ao mesmo tempo, faz jus à palavra clássico, sendo constantemente recordada.

O herói é um escoteiro vestido de vermelho e azul, perfeito em todos os sentidos, algo que o roteiro faz questão de destacar em frases como “não, obrigado, eu não bebo quando tenho que voar”.

Outras frases revelam que não só os efeitos especiais se mostram datados; quando indagado por Lois Lane sobre o motivo dele estar na Terra, Superman responde: “para lutar pela verdade, justiça e modo de vida americano”.

Digamos que hoje em dia, o herói seria um pouco menos regional.

Nem o Capitão América é tão patriótico, afinal, existem outros mercados onde um filme precisa lucrar.

Voltando, todo grande herói precisa de um grande vilão, e o escolhido aqui é Lex Luthor (Gene Hackman), um cientista louco, ou, como ele mesmo diz: “a mente criminosa mais brilhante de nosso tempo”. Hackman o interpreta de forma cômica e é difícil não rir da sua interação com seus ajudantes, a linda senhorita Teschmacher, e o atrapalhado Otis.

Quem acompanha a história do Superman no cinema, sabe que os roteiros têm pecado pela falta de originalidade, já que Lex Luthor continua a ser convocado para infernizar a vida do herói, como o interpretado por Kevin Spacey em “Superman – O Retorno” ou por Jesse Eisenberg em “Superman vs Batman”, mas na época, era novidade.

O seu plano envolve fraude imobiliária e a morte de milhões de pessoas, algo que, obviamente, o Superman impedirá

Ainda hoje, Superman é obrigatório para os fãs de quadrinhos e cinema, um ótimo filme com uma atuação impecável de Christopher Reeve.

As pessoas costumam apontar X-Men de Bryan Singer (2000) ou o Homem-Aranha de Sam Raimi (2002), como marco inicial do que viria a se tornar a Era dos Super-heróis em Hollywood, mas se você cavar mais fundo, certamente chegará até Superman de Richard Donner, que rendeu milhões para a Warner e provou que filmes de super-heróis poderiam ser um sucesso, se estivessem nas mãos certas.

Infelizmente, por divergências com o estúdio, os filmes do Superman saíram das talentosas mãos de Richard Donner. Superman II ainda foi dirigido em sua maior parte pelo diretor, mas os filmes III e IV foram entregues para outros diretores, que não souberam trabalhar com o material, resultando em um grande fracasso e no sepultamento temporário da franquia.

Algo muito semelhante ao que aconteceria no futuro com o Batman, mudando das mãos de Burton para Joel Schumacher.

Os estúdios, produtores e diretores ainda levariam um tempo para compreender o que os fãs realmente queriam, e até hoje, alguns ainda não compreendem.

Em outra oportunidade falaremos sobre Superman II e de outro vilão icônico da galeria do Kryptoniano, o general Zod, que na época tinha um gosto bastante peculiar para roupas.

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