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Video Locadora: A Felicidade não se Compra (1946)

O clássico estrelado por James Stewart e Donna Reed segue como um dos melhores filmes a retratar o significado do Natal

Todos os anos, com a proximidade do Natal, pipocam filmes com a temática, buscando mostrar o real significado dessa data, que tem ficado cada vez mais soterrado por uma enorme pilha de comida e presentes.

Agora mesmo, enquanto escrevo, um dos filmes mais vistos na Netflix ao redor do mundo é o nacional “Tudo Bem no Natal que Vem”, claramente inspirado em “Feitiço do Tempo” (1993), estrelado por Bill Murray e Andie MacDowell, onde o protagonista, interpretado por Leandro Hassum, detesta a data e as reuniões familiares.

Hoje, no entanto, não vamos falar sobre o pequeno Kevin McCallister, esquecido em casa enquanto a família viaja, nem sobre John McClane, que teve que salvar reféns na véspera do Natal isolado em um prédio. Não, senhoras e senhores, nós vamos falar sobre um clássico dirigido por Frank Capra e estrelado por James Stewart e Donna Reed, “A Felicidade não se Compra” (It´s a Wonderful Life no original), exibido nos cinemas em 1946.

Na trama somos apresentados a George Bailey (James Stewart), um homem que sempre procurou fazer o bem para seus semelhantes, tornando-se figura muito amada pela sua família, amigos e moradores em sua cidade, Bedford Falls.

Curiosamente, quem narra a história é José, que ao lado de Deus, explica para Clarence, um anjo de segunda classe que ainda não obteve suas asas, as razões pelas quais George precisa de ajuda. Interessante é a solução encontrada pela produção ao mostrar os três como constelações no céu, brilhando de forma mais intensa quando falam. Dar um rosto para Deus é sempre complicado, não é toda vez que surge um Morgan Freeman que nos faz acreditar que estamos diante do Criador.

Os três primeiros quartos do filme mostram desde a infância de George até sua fase adulta, casado e com filhos, e como em muitas ocasiões ele fez a diferença na vida dos moradores de Bedford.

Em seu caminho surgem dois grandes conflitos, o primeiro, interno, está ligado ao fato dele desejar ardentemente sair da cidade, viajar pelo mundo conhecendo novos lugares, e fazer uma universidade, sonhos que abandona por uma série de fatores, entre eles, a necessidade de assumir a empresa após o falecimento do pai, e ter conhecido Mary Hatch, mulher por quem se apaixona e com quem se casa.

Dilema que percebemos claramente através da atuação de Stewart na cena em que ele está na casa de Hatch, dividido entre o homem que não queria se prender a lugar ou pessoa alguma e o que está apaixonado e não deseja partir, deixando a pessoa amada.

O segundo conflito surge na figura do Sr. Potter, banqueiro inescrupuloso e principal antagonista de George; se o protagonista é tão generoso que chega a ser irreal, ele é seu oposto, lembrando Ebenezer Scrooge, personagem de “Um Conto de Natal” (1843) de Charles Dickens, Potter tem como único propósito em sua vida obter lucro e aumentar seu patrimônio, sem se importar ou se comover com o sofrimento causado por suas ações.

A única coisa entre Potter e o domínio total de Bedford Falls e seus cidadãos é o pequeno banco de George, que empresta dinheiro a juros baixos permitindo assim que pessoas com menor rendimento adquiram suas casas próprias.

É a possibilidade da falência, de ser incapaz de sustentar a própria família e até mesmo de ser preso que leva George ao seu limite; enfurecido com a injustiça de sempre ter feito o bem e estar próximo de tamanha humilhação, contando unicamente com um seguro de vida, ele pensa em suicídio, pensamento que é reforçado pela frase de Potter: “Você vale mais morto do que vivo”.

Quem já não se sentiu assim? Quem não se revoltou ao ver pessoas capazes de crueldades inimagináveis vivendo no luxo, enquanto outros passam aperto para pagar as contas no final do mês?

É neste ponto, na última meia hora do filme, que o anjo Clarence ganha uma aparência humana e desce para a Terra, disposto a ganhar suas asas, ajudando George em seu momento de maior desespero.

O terceiro ato e o clímax vem da frase de George: “eu queria não ter nascido”, permitindo que Clarence lhe mostre uma realidade alternativa onde ele de fato jamais nasceu. O que se segue é a essência do efeito borboleta, e se o bater de asas de uma delas pode provocar um tornado, fácil prever que a ausência de alguém como George muda radicalmente a vida de inúmeras pessoas, em sua esmagadora maioria para pior.

Pessoas não tem mais suas casas para morar, perdem empregos, a cidade se transforma por completo, seja fisicamente ou espiritualmente, e cidadãos outrora gentis e amistosos, tornam-se amargos e violentos.

A revelação, obvia, mas nem por isso menos mágica, é que George faria muita falta na cidade e na vida das pessoas que ama, e que se ele não obteve riqueza material, conseguiu, como diz seu irmão, Harry, tornar-se o homem mais rico de Bedford Falls, embora não seja possível medir sua fortuna em cifras.

Independente do elemento religioso presente, o final é emocionante, um resumo do que o Natal representa ou deveria representar, com amor e união salvando não apenas George, mas o futuro da cidade.

Em preto e branco, exibido há mais de 70 anos, “A Felicidade não se Compra” é um dos filmes mais queridos e mais assistidos pelos norte-americanos no Natal, e há uma boa razão para isso, é um filme que renova esperanças, nos lembra do que realmente importa e deixa uma espécie de “quentinho” no nosso coração, muito bem-vindo nessa época.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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