Vídeo Locadora

Vídeo Locadora: A Coisa (1985)

E finalmente chegou o momento de falarmos sobre um legítimo representante dos filmes trash nesta coluna. Sim, por incrível que pareça há toda uma cultura e uma grande quantidade de fãs destes longas que tem como suas principais características o baixo orçamento e a péssima qualidade de suas produções.

Não por acaso, “A Coisa” (The Stuff no original) tem direção e roteiro assinados por Larry Cohen (1941 – 2019), cineasta cuja filmografia conta com pérolas como “Maniac Cop” (1988), filme que ainda rendeu duas continuações em 1990 e 1993.

O filme começa com um trabalhador caminhando na neve quando se depara com uma espécie de gosma branca borbulhante que parece brotar da terra; agora, de todas as atitudes possíveis diante deste cenário, possivelmente a mais insensata seria experimentar a gosma desconhecida, certo? Certo, pois é exatamente o que o sujeito faz, descobrindo que ela é na realidade muito gostosa.

Em pouco tempo, há “Stuff” em todas as prateleiras de supermercado, caindo no gosto do povo norte-americano, que não faz a menor ideia de sua origem. As vendas de outras sobremesas despencam, fazendo com que os empresários do ramo do sorvete contratem David Rutherford (Michael Moriarty) para investigar e descobrir qual a fórmula secreta do misterioso produto.

A coisa toda fica mais interessante quando Rutherford, com a ajuda de Nicole (Andrea Marcovicci), responsável pela campanha de publicidade da “Coisa”, que acredita e engata um romance com ele de uma hora para outra sem qualquer explicação decente, descobre que a sobremesa não é apenas viciante, mas está viva (viva mesmo, não com lactobacilos vivos como no Yakult), devora quem a consome por dentro e os transforma em zumbis.

O leitor poderá se perguntar como é que um produto desses foi aprovado para venda em território norte-americano; o filme não se aprofunda, mas todos os que aprovaram a comercialização da “Coisa” ou estão mortos ou fora do país, ou seja, encheram os bolsos ou pagaram com a vida.

É claro que há uma crítica nada sutil aqui, o público não sabe do que é feita a “Coisa”, só sabe que é gostosa e que alguém aprovou sua venda, portanto, é segura. Um cientista questiona se não há nenhuma lei que exija a identificação do conteúdo. Como resposta, ele houve de um engravatado que o produto está protegido pela lei dos componentes de fórmulas, a mesma lei que protege a fórmula do xarope de um refrigerante conhecido, e para não deixar dúvidas sobre qual é, ele segura uma lata de Coca-Cola.

Produtos que fazem mal à saúde e que se consumidos em grande quantidade viciam, lotam as prateleiras das lojas, com açúcares e conservantes de sobra e nutrientes de menos, a diferença é que eles não são uma substância alienígena que devora cérebros, ou, pelo menos, não que a gente saiba. Em 1985 as leis que regiam o comércio de alimentos eram bem menos rígidas do que hoje em dia.

Sobra para os pais também, Jason (Scott Bloom) é um menino que vê “A Coisa” se movendo na geladeira, e a partir daí se recusa a comê-la, o que temos de admitir, é uma atitude sábia. Seus pais, completamente viciados no produto e com as mentes já dominadas por ele, tentam fazer com que o filho também coma. É normalmente o que acontece, não é? Crianças crescem se adaptando à alimentação de suas casas, e se os pais consomem refrigerante, doces e fast food em grande quantidade, os filhos também o fazem.

No filme, é Jason que tenta desesperadamente convencer a família que brócolis é melhor do que a sobremesa maligna. Detalhe importante a ser ressaltado, a mãe do menino afirma por mais de uma vez que “Stuff” tem baixas calorias, ela até comemora o fato de ter perdido dois quilos depois de começar a consumi-la. Doce, gostosa e não engorda, uma armadilha perfeita.

Temos também os empresários, que sabem de onde vem “A Coisa”, mas, ainda assim continuam vendendo, embora jamais a consumam; quando Rutherford consegue desmantelar a venda de seu produto, eles simplesmente criam uma nova versão que contém “apenas” uma pequena quantidade de “Stuff”, o suficiente para viciar, mas não para fazer mal ao consumidor.

Pois é amigo, eu já ouvi falar que quem trabalha em fábrica de salsicha e sabe o que vai nela, não come. Por isso eu faço questão de não saber!

E em sua última cena, com a venda de Stuff proibida, e todos sabendo o quão nociva ela é, vemos pessoas recebendo um carregamento ilegal do produto; é o diretor nos dando aquela cutucada marota, se há quem queira comprar, sempre haverá quem queira vender.

A Coisa” é um filme trash, com baixo orçamento, atuações e efeitos ruins, mas que, ainda assim, consegue trazer algo de relevante em seu roteiro, algo que não dá para se dizer de muitos filmes que custaram uma fortuna.

E aí, você é a favor ou contra a legalização da venda de “Stuff”?

Canal Metalinguagem

Somos um facilitador de conversas. Quer puxar assunto com seus amigos nerds? Nos visite diariamente e nunca ficará sem assunto. Gostou? Quer falar conosco ?Estamos em todas as redes sociais. Nos mande um sinal de fumaça que responderemos com prazer. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo