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Venom: Tempo de Carnificina

O veneno de Venom.

Venom: Tempo de Carnificina, o segundo filme com Tom Hardy no papel do simbionte conseguiu um grande feito: manter o expectador interessado.

Diga o que quiser do primeiro Venom, mas o fato desse filme ter garantido uma continuação só prova que o público diminuiu (e muito) seu nível de exigência. Venom é um filme mal realizado, com um roteiro sem sentido que pode ter vencido pelo Fan service e pelo fato de ser muito adulto.

Tão adulto quanto qualquer subproduto dos anos 90 ou o desenho preferido da Peppa Pig.

Não se engane, Venom: Tempo de Carnificina é tão filho dos anos 90 quanto o primeiro Venom, o que muda são as referências e os easter eggs.

Easter Eggs?

Vamos lá… Cletus Cassidy foi criado pra ser o Coringa do Aranha e se você olhar os primeiros desenhos do personagem, vai perceber que ele é uma mistura de Coringa com Danny Elfman, o trilheiro preferido do Tim Burton. Como Woody Harrelson explodiu como o sociopata Mickey Knox  de Assassinos por Natureza, alguns desenhistas acabaram adaptando os traços do personagem para que ele se assemelhasse com o ator.

Vendo por esse ângulo, a ideia de colocar Harrelson vestindo a camisa havaiana do Carnificina acabou sendo… natural.

A cena em que o ator,  ao lado de Naomi Harris estão num carro com tela verde ao fundo é um convite à nostalgia. A única diferença é que Mick e sua nova Mallory tem superpoderes.

Ainda sobre nostalgia… O Venom quer ser conhecido como o Protetor Letal, nome da primeira minissérie do personagem e tem a cena da ilha, que supostamente é referência a uma fase do personagem nos quadrinhos, quando supostamente, o criador decidiu aposentá-lo.

Venom: Tempo de Carnificina é um filme sobre romances?

A história de amor do Carnificina com a Shriek é tão fofa quanto a estrutura desse tipo de pessoa permite. Acaba sendo uma caricatura, mas parece mais intenso e real do que o relacionamento de Eddie com Anne.

Se por um lado, afirmar que Woody Harrelson está no automático é um elogio, o mesmo não pode ser dito de Michelle Williams. Ela parece que está no filme só pra bater ponto. Pagaram bem e ela voltou pra sequência de um filme que ela já afirmou que nem sabia o que estava acontecendo.

Já o Bromance de Eddie com Venom tem bastante destaque, o que gera cenas divertidas. Em alguns momentos, Venom chega a ter ciúmes de seu hospedeiro. Como eles chegaram a um entendimento de que o simbionte trocaria os cérebros por frango e chocolate, os dois revelam seu segredo para a Sra. Chen (Peggy Lu), dona da lojinha que fornece os aperitivos pra dupla.

O filme fez o desfavor de não esquecer Dan Lewis (Reid Scott), o noivo de Anne, que até teve uma sequência de cenas para chamar de suas, foi o pivô de, pelo menos, uma risada, mas podia ter ficado no caminho.

Comédia:

Trocar Ruben Fleischer pelo quase estreante Andy Serkis acabou beneficiando o filme, uma vez que apesar de ter sido seu segundo filme como direto, ele tem como ator bastante experiência tanto em ação como em comédia.

Uma coisa sobre Tom Hardy é que ele faz um perdedor como ninguém. Seu Eddie Brock tem cara de perdedor, de idiota… uma pessoa, que como diriam os americanos, nasceu sob um signo ruim.

Ele é o perdedor que está topando tudo pra tocar a vida e ainda tem dor de cotovelo pela ex.

Fora isso, a relação entre Brock e Venom ficou bem mais leve, dando espaço para piadas sobre eles serem um estranho casal, tanto que em muitos momentos, o simbionte parece um namorado ciumento e em outros, um swinguer que quer porque quer incluir a Anne pra dar uma apimentada na relação deles.

Na verdade, nem Dan escapou dessa piada. O Venom é um Alien, né? Vai saber seu gosto (ou seus gostos).

O filme explorou os limites do PG-13. Teve muita comédia e umas cenas que poderiam ser mais tétricas, mas Andy Serkis soube como podar para diminuir e dar alguns tons de comédia, o que manteve a classificação num nível seguro.

A animação:

Andy Serkis tem experiência com CGI e Motion Capture, algo que não só ajudou bastante no terceiro ato do filme, que é praticamente só CGI, como em parte dos outros.

Por mais que em alguns momentos os personagens pareçam aqueles bonecos de massinha daquele Slow Motion de filme B, a animação é fluida e nem é tão escura assim.

E tem aquela animação que mostra a infância do Cletus, que é bem interessante.

A história…

Eu já disse que a história é bem anos 90? Não tem nada mais anos 90 que Venom e Carnificina, personagens criados numa época em que tudo tinha de ser extremo e adulto.

No filme, vemos o surgimento e a transformação de Cletus Cassidy no Carnificina, ameaça que leva a história bem pro lado pessoal, uma vez que é um filhote do Simbionte Venom.

Mais uma vez, vemos Eddie Brock (Tom Hardy) num momento ruim de sua vida, porém um pouco acima do que o encontramos no primeiro filme.

 Ele está reorganizando sua vida após todas as perdas e ganhos do filme anterior e tenta adquirir informações de um famoso psicopata para voltar ao topo. O ponto é que o protagonista que nasceu “cagado de urubu”, leva uma mordida do vilão, que acaba bebendo seu sangue e ganhando um simbionte pra chamar de seu.

Venom e Carnificina entram em rota de colisão e o resto é história.

Apesar de ser melhor do que o primeiro, Venom: Tempo de Carnificina tem umas derrapadas brabas, mas é tão dinâmico e visual que você se distrai e nem tem tempo de reclamar.

Resumindo…

Se você não for exigente, é só ir sem culpa que você vai acabar correndo pro abraço.

Ainda é melhor do que o primeiro filme e a caracterização está mais afinada, até porque o pior já passou. Tudo está estabelecido e é só manter a história correndo, até porque existe um público ávido por esse tipo de filme.

Venom: Tempo de Carnificina

SinopseTom Hardy retorna às telonas como o protetor letal Venom, um dos maiores e mais complexos personagens do universo MARVEL. Dirigido por Andy Serkis, com roteiro de Kelly Marcel e história escrita por Tom Hardy e Marcel, o filme também traz no elenco Michelle Williams, Naomie Harris e Woody Harrelson no papel do vilão Cletus Kasady / Carnificina. 

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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