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Um professor na Butantã GibiCon

Olá, ilustres fãs de quadrinhos. Bem-vindos de volta. Hoje vou falar de um grande evento que ocorreu no dia 1º de dezembro, em São Paulo, e que tem tudo para se repetir nos próximos anos.

A 1ª Butantã GibiCon é um evento que incentiva a produção e o comércio de quadrinhos nacionais e ocorreu no bairro paulistano do Butantã. Foi um evento organizado por San Merg e financiado através de crowdfunding (a famosa vaquinha virtual). Esse recurso geralmente é usado por artistas independentes para lançar seus trabalhos e o fato desse evento ter conseguido se pagar e gerar um pequeno lucro foi um indício do seu sucesso.

A grande sacada desse evento foi a entrada franca. Isso atraiu um público de diversas classes sociais que economizaram no ingresso e puderam comprar revistas, broches, ilustrações e outras lembranças do evento.

 Mesmo sendo um evento gratuito, foi muito bem organizado. Além da grande diversidade de quadrinhos expostos para todos os gostos e bolsos, foram realizadas muitas palestras e oficinas. O empenho dos voluntários colaborou muito para o sucesso do evento.

O número de expositores me impressionou. Eu não tinha noção de que a produção de quadrinhos independentes nacionais era tão grande. Muitos dos artistas bancam a publicação de suas próprias obras e um evento como este é fundamental para que tenham contato com o seu público. O evento foi tão democrático que até mesmo os artistas que não conseguiram se inscrever no evento puderam expor na parte externa da Casa de Cultura do Butantã, local do evento. Conversei com alguns desses artistas e eles disseram que estavam tendo, por parte da organização, o mesmo tratamento que os demais participantes.

Lígia, representante da editora Avec, destacou que algumas das grandes livrarias estão em crise. Muitas deles adquiriram livros e revistas em quadrinhos e ainda não pagaram por eles. Por isso, eventos como este são fundamentais para que as editoras não quebrem. Ressaltou também que o público que consome quadrinhos independentes é muito fiel e está sempre ávido por novidades. Por isso, eventos como a Butantã GibiCon são importantes, pois servem de ponte entre os artistas e seu público.

Oficinas e Palestras:

Assim como as publicações, as palestras e oficinas atenderam a grande diversidade do público.  A partir de agora, vou fazer um breve relato das atividades que tive a oportunidade de participar.

As atrizes e contadoras de histórias Giovanna Rubbo e Malu Paixão formam o projeto Contos de Pandora. No evento, contaram duas histórias de terror. Revelaram que são contratadas para contar histórias nos mais diversos lugares, inclusive em escolas. Possuem um repertório autoral, mas também utilizam histórias de outros escritores. Ressaltaram que o nível de terror das histórias varia conforme a faixa etária do público.

Os voluntários da Gibiteca Balão deram uma oficina de card games e jogos de tabuleiro e conseguiram entreter todos os participantes.

A palestra Jornalismo em Quadrinhos falou sobre reportagens feitas em HQ. As jornalistas e quadrinistas Helo D’Angelo, Carol Ito e Cecília Marins deram detalhes sobre essa mídia jornalísticas que não é muito conhecida no Brasil. Dentre os fatos abordados, destacaram reportagens em quadrinhos que produziram sobre temas polêmicos como a prostituição no Parque da Luz, localizado no centro da cidade de São Paulo, e o depoimento de mulheres que realizaram aborto e como isso afetou as suas vidas

O quadrinista Marcatti, criador do Frauzio, participou de um painel para divulgar seu novo trabalho, feito em parceria com a historiadora Libânia Molina Souza, Inês & Pedro. Utilizando-se de fontes históricas, os dois fizeram uma obra autoral contando a história de amor proibido envolvendo o príncipe herdeiro D. Pedro e Inês de Castro. Talvez você não saiba, mas a expressão “agora Inês é morta” é oriunda dessa história, já que Inês foi coroada rainha de Portugal em 1361, pelo então rei D. Pedro I, seis anos após a sua morte.

Raquel Vitorelo, Kauê Xavier e Love Love, na palestra Sexualidade e Diversidade nos Quadrinhos revelaram como é produzir quadrinhos para e público LGBT em nosso conturbado contexto histórico atual. Ressaltaram que tem esperança de que a nova geração seja formada por jovens menos preconceituosos e que respeitem a sexualidade das outras pessoas.

Os Expositores:

Como ressaltei no início do artigo, o público compareceu em massa ao evento. Isso fez com que muitos expositores superassem sua expectativa de vendas.

No stand do quadrinista Regis Rocha, fiquei fascinado com a ilustração de uma Supergirl negra. O artista destacou a importância do público negro ser representado na mídia em geral. Ele é favorável que personagens brancos sejam retratados como negros em filmes desde que isso não interfira no status quo do personagem. Segundo ele, o fato de o Perry White ter sido retratado como negro no filme Homem de Aço não interfere na história, já que continuou sendo o dono do Planeta Diário. Quanto ao filme do Pantera Negra, destacou que o intérprete do herói teria de ser negro. Caso contrário, a essência do personagem seria desvirtuada. O sucesso do filme do personagem, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, mostra que ele está certo.

Tive a oportunidade de conversar com dois artistas, Rafael Mascarenhas e Daniel Souza, que estavam expondo seus trabalhos do lado de fora do evento. Os dois ressaltaram que, apesar disso, estavam tendo o mesmo tratamento que os outros quadrinistas. O fato dos dois estarem em momentos diferentes de sua carreira me chamou a atenção. Rafael começou a divulgar sua obra esse ano, já o Daniel, que é mais experiente, vai expor seus trabalhos na CCXP. Os dois ressaltaram o importante papel das redes sociais para que divulguem seu trabalho e atinjam seu público. Declararam que o fato de ser impossível sobreviver apenas com a sua produção artística não os desanima. Aliás, em nosso país, poucos são aqueles que conseguem viver apenas de arte.

Para finalizar, gostaria de dizer que o evento foi um sucesso. Agradou aos organizadores, expositores e ao público. Ele mostra que o quadrinho nacional possui inúmeros admiradores e eventos como esse servem de incentivo para que nossos artistas continuem produzindo.

E você, ilustre fã de quadrinhos, já participou de eventos como este? Respondam nos comentários.

Até breve!

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