ColunasQuando éramos reis

Tudo que você queria saber sobre o nascimento dos quadrinhos Indie, mas tinha medo de perguntar.

Por que uma coluna só sobre quadrinhos independentes norte-americanos das décadas de 80 e 90?

Porque não se dá o destaque devido à esse recorte, especialmente se comparado com rótulos arbitrários e grudentos, como Era de Ouro ou Era de Bronze. Destacar essa produção tem sentido de reparação histórica. A qualidade, variedade e ousadia do período é singular, e suficiente para alimentar uma vida inteira de interesse.

Em meados da década de 1970, o professor Phil Seuling iniciou uma mudança estrutural na distribuição de revistas ao inventar o que seria conhecido como “mercado direto”: venda com desconto para lojas dedicadas a quadrinhos, ao invés de empréstimo consignado – para bancas ou qualquer tipo de loja de conveniência que tivesse um “spinner rack”, uma arara rotativa onde os gibis ficavam expostos. A certeza da venda permitia planejar a tiragem, controlar custos e atingir nichos de mercado. Foi o tíquete de entrada para editoras que acolheram artistas sem entrada na Marvel ou DC e projetos não compatíveis com a relativa rigidez editorial das duas.

Na década de 80, editoras como Eclipse, First, Dark Horse, Fantagraphics, Kitchen Sink, Tundra e Aardvark-Vanaheim abriram o leque do que um leitor poderia encontrar nas vinte páginas de um gibi. O absurdo sucesso comercial das Tartarugas Ninja na década de 80, o sucesso editorial de Cerebus no começo da década de 90 e o aparecimento da editora Image parecia fazer crer que não haveria limites para o quadrinho independente. Depois, a bolha dos colecionadores estourou, derrubando o mercado e empurrando alguns artistas do nicho independente para o grande mercado. O impacto dos anos de experimentação e abundância se faz sentir até hoje, entretanto.

É sobre os segredos dessa geração, seu impacto e idiossincrasias que essa coluna vai falar.

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Rafael Lima

Rafael Lima escreveu nas revistas eletrônicas Sobrecarga, Falaê, Burburinho e Digestivo Cultural; hoje, prefere desenhar. Ainda hoje, tem uma ligação afetiva com os quadrinhos independentes das décadas de 80 e 90, os quais mantiveram seu interesse em continuar lendo. Morou vários anos fora e, hoje, acha engraçado quando se usa o termo "importado" para referir ao quadrinho não nacional. Não tem gatos nem cachorros.

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