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THE JEW OF NEW YORK de BEN KATCHOR

A partir de uma história real, Katchor questiona forma como (não só) os Judeus se comportam.

Que tal ver uma crônica dos erros e acertos dos judeus de Nova Iorque?

Eddie Campbell disse certa vez que falar sobre os quadrinhos de Ben Katchor era como explicar cores para um cego.

The Jew of New York é um folhetim sequenciado no jornal The Forward, criado à medida que era desenhado e encerrado abruptamente. O mote é uma história real: a tentativa de Mordecai Manuel Noah, um judeu nova iorquino de origem sefardita portuguesa em estabelecer uma colônia judaica na cidade de Grand Island, na década de 1830.

Sem tardar, a trama descola desse mote e improvisa lindamente em torno de habitantes da New York do fim do século XIX. Katchor faz o inventário do que é aparentemente inverossímil, absurdo, e que, ao mesmo tempo, soa estranhamente familiar ao leitor (um expediente similar ao de Neil Gaiman em Sandman). Um empresário que quer injetar gás carbônico num lago, para produzir água tônica; a ideia que as tribos nativas dos EUA são, na verdade, as tribos perdidas de Israel, e assim por diante.

O talento de Ben Katchor é o talento essencial do narrador, o de encantar e seduzir seu espectador, envolvendo-o na história até o ponto em que a diferença entre realidade e ficção evapora. O talento de te fazer querer sempre virar a página.

Há maestria na maneira como ele manipula a gramática dos quadrinhos nesse sentido. Suas caixas de texto, nunca objetivas (tipo: “Brooklyn, inverno de 1832”), sempre estão repletas de texto que dialoga com as ilustrações. O desenho é cubista, expressionista, detalhado; a técnica é a aguada, que evoca sentimentos de nostalgia, de filme noir, de um período histórico e um lugar que só existem na memória. Há mais do que parece em cada quadrinho.

No mesmo estilo narrativo, Ben Katchor fez depois Julius Knipel, Real estate photographer; The Cardboard Valise; The Beauty Supply District entre outros.

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