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Taxi Driver (1976)

A solidão de um Homem que não consegue viver em sociedade

O motorista são sempre espera o inesperado.

 

O diretor Todd Phillips não esconde que o filme Coringa tem como inspirações, dois filmes de Martin Scorsese, ambos com Robert De Niro no papel principal; sendo um deles “O Rei da Comédia” (1982), e o outro, “Taxi Driver”, filme sobre o qual falaremos hoje.

Se você assistiu Coringa, certamente se lembra que o protagonista, Arthur Fleck, em uma magnífica interpretação que rendeu o Oscar à Joaquin Phoenix, tinha grande dificuldade em se conectar com outras pessoas, em grande parte devido ao problema neurológico que o faz gargalhar sem controle nas situações mais inapropriadas.

Travis Bickle, o personagem de Robert De Niro em Taxi Driver, não gargalha sem motivo, mas possui seus problemas, e é igualmente solitário.

Logo na primeira cena, Travis está pedindo para trabalhar em uma companhia de táxi, ele sofre de insônia, não consegue dormir, e está disposto a trabalhar a qualquer hora, inclusive aos feriados.

Não é difícil calcular, apenas por este primeiro diálogo, que o personagem não está se relacionando com alguém, pois não se preocupa em, e na realidade até deseja, trabalhar o máximo possível. Mora sozinho em um cubículo, sem família ou namorada, mal conseguindo conversar com seus colegas de trabalho.

Descobrimos também que ele esteve no exército, sendo dispensado em 1973, o que possivelmente explicaria sua insônia e sua falta de capacidade de se relacionar, já que muitos soldados retornam do conflito no Vietnã apresentando traumas e distúrbios psicológicos.

Para aliviá-los o personagem recorre à bebida alcóolica e remédios.

Com a música tema de Bernard Herrmann conferindo um clima noir, vemos o mundo pela perspectiva de Travis e através de sua narração, sabemos o que ele pensa sobre a realidade que o cerca, uma cidade repleta de animais, que durante a noite, abandonam seus esconderijos, prostitutas, traficantes e homossexuais ocupam o mesmo grupo em sua opinião, um que deveria ser varrido da cidade, levado embora junto com a água que lava o asfalto imundo.

Embora sutilmente, Scorsese também nos revela que o personagem, além de homofóbico, é racista, o que podemos notar pelos diversos olhares direcionados constantemente à personagens negros. Não é preciso que algo seja dito, a expressão de De Niro já diz tudo.

O personagem reconhece sua própria solidão, e quer encerrá-la, mas sua inabilidade em se relacionar é tamanha, que ao sair para um encontro com Betsy (Cybill Shepherd), funcionária de um comitê eleitoral, ele a leva para um cinema que exibe filmes pornô, cinema esse que ele frequentava quase todos os dias sozinho.

Travis simplesmente não consegue compreender que o local é inapropriado para o encontro, e as razões pelas quais aquele filme causou repulsa em Betsy.

Afastado da mulher pela qual era fascinado, incapaz de se encaixar, ele volta sua ira contra o símbolo do sistema que despreza, o senador Charles Palantine (Leonard Harris), político para o qual Betsy trabalha.

O discurso de Palantine é uma mistura de clichês e promessas vazias, “nós somos o povo”, “o povo irá governar”, e Travis, aparentemente, acredita enxergar através de suas mentiras, decidindo por assassiná-lo, cumprindo assim uma missão, realizando algo grandioso, ao invés de permanecer em uma vida sem propósito, mergulhado na rotina e na depressão.

As muitas armas que o personagem compra para assassinar o senador, lhe conferem uma sensação de poder, ele se apega a elas, em diversas cenas ele está atirando, simulando um confronto ou simplesmente segurando uma delas enquanto assiste TV.

O destino, no entanto, intervém e apresenta para Travis, Iris (Jodie Foster), uma jovem prostituta explorada por um cafetão (Harvey Keitel), e a chance de fazer algo relevante, salvando-a.

Ele tenta ajuda-la, mas persiste no caminho sem volta de assassinar o senador e candidato à presidência. No terceiro ato, o clímax e o confronto final não são resultado de um planejamento cuidadoso, mas de um homem que já não tem mais nada a perder e está disposto a fazer qualquer coisa para dar um sentido à sua existência.

Ao salvar Iris, Travis também salva a si mesmo.

Taxi Driver é a história de um homem solitário, doente, incapaz de se encaixar e sem conseguir enxergar um propósito para sua vida, e quando Scorsese filma os rostos na multidão e as luzes da cidade, nos perguntamos: quantos outros Travis existem por aí?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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