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Tartarugas Ninja: A balada de KEVIN EASTMAN e PETER LAIRD

As Tartarugas Ninjas são o maior sucesso comercial de um quadrinho independente em todos os tempos, maior mesmo do que a Image. Kevin Eastman e Peter Laird são cinderelas que encontraram seu príncipe encantado na forma de quatro tartarugas adolescentes. Ninjas. Mutantes.

Depois da fama, muitas narrativas de como a gênese de deuapareceram, desde como seria Bruce Lee, se fosse um animal até vamos desenhar a coisa mais idiota que vier na cabeça. Olhando com a cabeça mais fresca, o mais provável é que as tartarugas tenham resultado de um coquetel de senso comercial raso e alguma imaginação. Senso comercial para juntar, numa criação só, todos os elementos dos gibis de mais sucesso do começo dos anos 80: super-heróis adolescentes (Novos Mutantes, Novos Titãs), mutantes (X-Men, Novos Mutantes), ninjas (Demolidor, Ronin, ambos de Frank Miller); e imaginação, para pincelar com algumas pitadas for do eixo: o conceito do animalzinho no meio de humanos (Cerebus, de Dave Sim) e os nomes… de pintores renascentistas!!!

Primeiras versões das Tartarugas Ninja.

Foi um estrondo. Ou, ao menos, foi a partir do momento em que alguns executivos suavizaram o lado mais violento dos quadrinhos, adicionaram cores às máscaras faciais para rápida identificação e aumentaram a presença do humor para uma série de desenhos animados. Enquanto assinavam contratos de licenciamento para terceiros, Eastman e Laird continuavam com sua abordagem mais crua e agressiva nos quadrinhos, onde não raro alguém era retalhado e morria.

O mais interessante é que nem Eastman, nem Laird, eram lá grandes talentos. O que se vê é muita chupação dos ângulos agudos e quadros largos horizontais ou verticais que Frank Miller utilizava no Demolidor, sem o mesmo impacto narrativo; faltava aos dois o olho certeiro para capturar o momento de maior impacto e a habilidade para desenhar cenas de ação. Não era raro deixarem de fora do quadro mais do que necessário para despertar a imaginação do leitor. Isso tudo pode ser conferido nas edições da IDW (em português, da Pipoca e Naquim).

Laird vendeu a propriedade intelectual para a Viacomm, depois de ter comprado a parte de Eastman. A dinheirama serviu para que Peter Laird criasse a fundação Xeric, que premia com bolsas artistas aspirantes (entre seus bolsistas, estiveram os jovens Adrian Tomine, Megan Kelso, Gene Lee Yuan, Jason Lutes, Jeff Lemire). Já Kevin Eastman gastou alguns milhões comprando a revista Heavy Metal, fundando a editora Tundra (que publicou parcialmente From Hell, Cages e Big Numbers) e adquirindo uma vasta coleção de originais, que foi exibida do Words & Pictures Museum of Fine Sequential Art.

Rafael Lima

Rafael Lima escreveu nas revistas eletrônicas Sobrecarga, Falaê, Burburinho e Digestivo Cultural; hoje, prefere desenhar. Ainda hoje, tem uma ligação afetiva com os quadrinhos independentes das décadas de 80 e 90, os quais mantiveram seu interesse em continuar lendo. Morou vários anos fora e, hoje, acha engraçado quando se usa o termo "importado" para referir ao quadrinho não nacional. Não tem gatos nem cachorros.

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