Quinta série

Sombra e Ossos (2021)

Publicado originalmente no site Ultraverso.

Sombra e Ossos é uma série da Netflix baseada nos livros da Trilogia Grisha criada por Leigh Bardugo. Antes de mais nada, é necessário dizer que estamos vendo a primeira parte de uma trilogia e que os oito episódios adaptam (a sua maneira) o livro homônimo lançando em 2012?

Na verdade, os fãs de livros teen da década de 2010 já devem ter lido essa, que foi uma das muitas tentativas de recriar o fenômeno Harry Potter e acabou se tornando uma das armas da gigante do streaming contra a perda de conteúdo causado pelo êxodo de grandes estúdios, bem como das grandes franquias; que tem migrado cada vez mais para suas próprias plataformas, onde podem lucrar ainda mais com os direitos de suas marcas registradas.

Sinopse:

Baseada no livro homônimo de Leigh Bardugo, Sombra e Ossos conta a história do Reino de Ravka, que, há milênios, se encontra dividido em dois por uma tenebrosa barreira. Nesse mundo não muito diferente da Rússia imperial, vive Alina Starkov (Jessie Mei Li), uma órfã que foi recrutada pelo Primeiro Exército do czar para acompanhar os Grishas. A saber, figuras mágicas responsáveis por combater as forças malignas. Para vencer a guerra contra o mal e unir seu país, a jovem vai aprender a controlar seus poderes e a confiar em si mesma.

Dobrador de Sol:

Ao longo da história, descobrimos que ela é um ser mitológico conhecido como Dobrador de Sol, a princípio o único ser capaz de desfazer a barreira, o que acaba tendo diversas consequências para o que ela acreditava ser sua vida. Ela acaba atraindo diferentes tipos de interesses: Alguns querem venerá-la, outros querem abusar dela e ainda há os que querem escravizá-la para usar seus poderem em benefício próprio, o que sempre nos diz muito sobre santos, mártires, bem como sobre quem conta as suas histórias.

Malyen Oretsev:

Ao lado de Alina está Malyen Oretsev (Archie Renaux), que quando criança, era visto como fracote e medroso. Isso o fez cair nas graças da menina, quando cresceu, o rapaz entrou para o exército e passou a protegê-la, pois pertencia a uma companhia próxima da que ela servia como cartógrafa. Na verdade, a cumplicidade ímpar da dupla pode também transformá-los num casal em algum momento. Mas nessa primeira temporada tudo fica muito em aberto. Em suma, a única certeza que temos é que Malyen é praticamente um imortal. Afinal, ele, que supostamente não tem poderes, sobrevive ao improvável e ao quase impossível.

General Kirigan:

Séculos atrás, um Grisha maligno que ficou conhecido como Darkling, criou uma barreira sombria que dividiu o país em dois, fazendo com que todos dessa raça se tornassem proscritos. Mas o General Kirigan (Ben Barnes) que possui os mesmos poderes sombrios do Darkling, têm tentado reunir a raça e fazer com que eles sejam mais bem quistos por um mundo que os teme e odeia.

Holocausto:

Não, não estamos falando de X-Men, mas as duas histórias são inspiradas no Holocausto, e bem como nas consequências disso para os Judeus que sobreviveram à Segunda Grande Guerra. O resto é, em outras palavras, aquela jornada do herói bem básica recheada de coadjuvantes interessantes como o Bando dos Corvos composto pelo trambiqueiro manco Kaz Brekker (Freddy Carter); a mulher de ação que acredita em santos Inej Ghafa (Amita Suman) e o habilidoso pistoleiro Jesper Fahey (Kit Young) que pode ou não ter poderes.

O grupo começa a história tentando capturar a Dobradora de Sol para solucionar pendências de seus trambiques, mas acaba perdendo outra Grisha, Nina Zenik (Danielle Galligan) que acaba ganhando uma trama própria meio tapa buraco.

Série agradável:

Sombra e Ossos, que, estreou na plataforma de Streaming justamente no dia de São Jorge é agradável, envolvente, mas também enfrenta seus dragões. Um deles é o roteirismo, que muitas vezes dá soluções meio deus ex machina ou que junta as tramas como lhe convém para que elas resolvam o problema daquele momento.

Essas saídas Deus Ex Machina são complicadas. Sombra e Ossos não inventou nenhum desses recursos narrativos, mas os utiliza bastante. A verdade é que quem é novo nem vai perceber, mas já estamos tão acostumados a ver diferentes versões do mesmo tipo de história que já sabemos onde tudo leva ou como acaba e ficamos um pouco mais exigentes quanto as soluções e os clichês usados apara amarrar a narrativa.

Arma de Checov:

Ainda assim, é interessante ver o uso de ferramentas de roteiro como a “arma de Checov”. Ela, em suma, diz que se um objeto for colocado em cena, ele precisa ser usado em algum momento da narrativa. É o caso do bode “Milo”, que ao longo dos episódios, exerce mais de uma função em núcleos diferentes da mesma trama. Usado para acalmar o pistoleiro, como salvação de Malyen e um pouco mais tarde como alívio cômico após um momento pesado.

Detalhes:

É interessante ver textos em cirílico numa série criada a partir das ideias de um Israelense que imagina uma Rússia “lúdica”, principalmente numa série americana. Bom ver que eles deixaram o preconceito de lado e focaram no bom trabalho.

Roteiro:

Ainda sobre a questão do roteiro, a equipe é composta por Vanda Asher, Nadegada Fryklind, Eric Heisserer, Shelley Meals, Christina Strain, M. Scott Veach, além de Leigh Bardugo. Eles seguem a princípio a cartilha da inclusão adotada pelo Netflix em suas séries e inserem cenas gratuitas que só servem para grifar a sexualidade de um dos personagens e esquecem de controlar seus pontos de virada, que são óbvios demais.

Nem tudo é o que parece:

Na série, tudo que é o que realmente parece. As vezes de um jeitinho um pouco diferente, mas sempre seguindo a cartilha dos lugares comuns. Mas a série é ruim? Não. O fato dela nãos ser ousada e você já ter visto outras iguais nem é tão ruim assim. Até um crítico pode se empolgar e acabar maratonando tudo sem perceber.

Diretores:

O grupo de diretores é composto por Mairzee Almas, Lee Toland Krieger, Dan Liu, Jeremy Webb e Eric Heisserer. Eles podem até não conseguir apagar os furos de roteiro e tudo que eu citei acima, mas conseguem deixá-los mais aceitáveis ao desviar nossa atenção para o que realmente importa.

A série Sombra e Ossos:

Sinceramente? Não importa se você já leu o livro e gostaria de ver uma versão de seus personagens em carne e osso ou se está conhecendo a história pela primeira vez, você vai acabar abraçando essa série. Por fim, dê uma chance a ela e depois volte pra comentar o que achou. Fale conosco. Adoramos saber sua opinião.

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Ficha técnica

Título original: Shadow and Bone

Temporada: 1

Episódios: 8

Duração: aproximadamente 50 minutos cada episódio

Data de estreia: sex, 23/04/21

Criação: Eric Heisserer

Elenco: Freddy Carter, Jessie Mei Li, Archie Renaux, Amita Suman, Kit Young, Ben Barnes, Simon Sears, Julian Kostov, Balázs Megyeri, Calahan Skogman

Onde assistir: Netflix

País: Estados Unidos

Idioma: Inglês

Gênero: ação, drama, fantasia

Ano de produção: 2021

Classificação: 14 anos

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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