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Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021)

Você é fã do Mestre do Kung-fu?

Qual deles?

É, bem… só na China tem, um monte, né?

Vou acertar, então. Você gostou de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis?

Ainda não assistiu? Corre atrás que o filme do Mestre do Kung-fu que vale… vale.

Vamos combinar que esse não é exatamente o personagem criado em 1972 por Steve Englehart e Jim Starlin. Esse Shang-Chi (Simu Liu) não é filho do Fu-Manchu, mas de um Mandarim que não é o Mandarim dos quadrinhos, o Wenwu (Tony Leung).

Como a Disney tem pavor do cancelamento, trocou um pacote de estereótipos por outros, mas que são socialmente aceitos em 2021.

Vamos combinar que Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é uma mistura de qualquer filme do Jack Chan com Raya e o Último Dragão ou Mulan. Sabe aquela pizza meio calabresa, meio muçarela e meio Aliche?

No filme, assim como nos quadrinhos, Shang-Chi é enviado para matar um inimigo do seu pai, nesse caso, o assassino de sua mãe Jiang Li (Fala Chen). Seguindo o molde dos quadrinhos, ele abandonou o pai, que deu uma de Amish e respeitou o Rumspringa do guri.

Nessa fase, ele conheceu Katy Bashir (Awkwafina) e ganhou uma amiga doidinha que topa qualquer aventura.

E assim se passaram dez anos (ou mais)…

A paz do moçoilo é interrompida por um cartão-postal da irmã  Xialing (Meng’er Zhang) que acaba virando o seu chamado para a aventura, uma vez que isso o leva para um clube da luta em Macau, prum confronto com o grupo Dez anéis e com seu próprio pai e terminou na cidade fantástica de onde sua mãe veio.

Conforme o filme vai seguindo você vai se perguntando: Ainda falta algum clichê de filme chinês?

É interessante ver como o filme praticamente pega os conceitos dos quadrinhos, joga no lixo e inventa coisas completamente novas, mantendo apenas os nomes originais. Um exemplo são os próprios dez anéis, que na verdade, são argolas “mágicas” que ficam no braço de seu usuário, bem diferente dos anéis científicos dos quadrinhos.

Até que faz muito sentido dentro do universo criado pra esse filme. Na verdade, o filme parece uma daquelas redações tema livre sobre algum assunto que dão muito certo porque a criatividade do aluno extrapola os conceitos do assunto.

David Callaham (Mortal Kombat) e Destin Daniel Cretton (Luta por Justiça) até deram umas derrapadas como dar um peso desnecessário para a personagem de Awkwafina, que cresce bastante ao longo do filme e o personagem que era um alívio cômico, meio que vira a Sidekick do Mestre do Kung-fu.

Outro erro é o dragão que surge do nada. Em momento algum ele é anunciado, mas precisa ter um porque na China tem lendas sobre dragões. É um convidado surpresa que ganha protagonismo a partir do terceiro ato.

Outro personagem que ganha importância nesse ato é Jiang Nan (Michelle Yeoh), tia De Shang-Chi e  Xialing, que acaba servindo de mentora para os sobrinhos e sua amiga sem noção.

Um filme de ação e fantasia:

Ao que parece, na fase 4, a Marvel quer que cada um de seus filmes/séries tenha uma identidade própria.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis não é um filme de super-heróis, é o que acontece quando um filme de luta e um filme de fantasia chinês saem pra passear.

A coreografia das cenas de luta parece decalcada dos filmes que o Jackie Chan fez nos anos 80/90. O filme tem até seu momento Velocidade Máxima antes de virar o irmão bastardo de O Tigre e o Dragão ou de A Grande Muralha.

E os dois momentos funcionam muito bem.

Ao colocar o Wenwu como vilão, o filme ainda apela praquele esquema meio Darth Vader/Luke Skywalker, que funciona demais no filme. Sim, temos um feudo familiar. Na verdade, mais de um porque de certa forma, em algum momento do filme, todos enfrentam todos.

Shang-Chi, que começa o filme apanhando da irmã, termina lutando ao lado dela contra o pai. E Wenwu, como todo vilão da Disney do novo milênio, nem é tão mal. Como ele ouve ouve a voz da esposa morta e tenta salvá-la, seus desvios de caráter acabam sendo “perdoados”.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis não é um filme de super-heróis nem é o personagem que os leitores de quadrinhos cresceram lendo, mas ainda assim, somos lembrados em mais de um momento que ele não só existe dentro do MCU como é uma consequência direta dos eventos de Homem de ferro 3.

Se você já assistiu… O que achou? Comenta aí.

Se ainda não assistiu, assista entendendo que ele não segue a fórmula clássica da Marvel, o que pode te incomodar em alguns momentos, se você for atrás disso.

No mais, é um filme divertido, interessante e colorido que pode acabar sendo um dos mais importantes da Fase 4.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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