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Sandman: Som e Fúria

A noite em que o Arkham finalmente dormiu

No Arkham, o Sandman recupera um de seus artefatos.

Você conhece o Asilo Arkham, certo? Aquela instituição psiquiátrica que alega ser de segurança máxima, mas que permite a fuga constante de internos; só o Coringa já deve ter fugido de lá uma centena de vezes, e ainda assim, toda vez que um maluco fantasiado sai por aí cometendo crimes ligados à charadas ou ao número 2, lá vai o Batman espancar o sujeito e devolve-lo para o Asilo.

O lugar também é conhecido por sua alta rotatividade de funcionários, já que o índice de médicos, enfermeiros e seguranças que sofrem mortes trágicas é mais alto do que o do Seattle Grace Hospital em Grey’s Anatomy.

Um momento de desatenção e você está morto!

Dizem que o salário é bom e que eles têm um excelente plano de saúde.

Pode perguntar, alguns internos são ex funcionários.

Se você já leu “Batman: Asilo Arkham” dá para ter uma ideia do que é passar uma noite nesse lugar, com a insanidade permeando o ar, a tensão permanente, as sombras parecendo criar vida e avançar sobre os incautos, o medo e os gritos que não cessam jamais.

Dormir é um privilégio raro entre suas paredes, nem os remédios dão conta, mas houve uma noite, uma única noite, em que o sono caiu como uma mortalha sobre o Arkham, e todos, sem exceção, dormiram tranquilamente, como se estivessem no conforto de seus lares, sem agitação, gritos e, principalmente, sem pesadelos.

Foi na história “Som e Fúria”, publicada na revista Sandman, edição nº 07 de julho de 1989. Trata-se do encerramento do arco “Prelúdios e Noturnos”, onde Morpheus, o Senhor dos Sonhos, após escapar de seu cativeiro, onde esteve preso por quase um século, parte em busca de objetos de continham boa parte de seu poder, uma algibeira, um elmo e um rubi.

A algibeira ele obteve com John Constantine na história “Dream a Little Dream of Me”, o elmo ele recuperou depois de enfrentar um demônio no inferno em “Uma Esperança no Inferno”, restando apenas o seu rubi para encontrar.

Acontece que esse rubi foi utilizado durante muito tempo por um vilão chamado John Dee, ou “Doutor Destino” (não, outro Doutor Destino, esse que você está pensando é da Marvel, não da DC Comics), que descobriu a capacidade da joia de manipular a realidade através dos sonhos.

Ele havia sido derrotado pela Liga da Justiça, seu rubi foi parar em um depósito, e o sujeito enviado para o Arkham, de onde, adivinha só? Pois é, ele fugiu!

Em “Som e Fúria” ocorre o confronto entre Morpheus e o Dr. Destino, o primeiro tentando recuperar sua joia, o segundo tentando matar Morpheus e assim obter o domínio definitivo sobre os sonhos e os pesadelos.

Apesar de Morpheus ser um Perpétuo, com imenso poder, muito de sua força estava no rubi, agora nas mãos do Dr. Destino, o que, em tese, equilibrou a luta, que se desenrolou no mundo onírico.

Obviamente Morpheus vence, mas, ao contrário do que se poderia esperar, o Perpétuo decide não punir o mortal. O imenso poder do rubi, ao seu ver, fez com que Destino enlouquecesse, tornando-se incapaz de compreender a dimensão de seus atos.

Assim como o Batman, ele tem a péssima ideia de simplesmente devolver o vilão ao Arkham, onde ambos se encontram com o Espantalho, que anteriormente também havia fugido, assassinado um guarda e estava perambulando pelos corredores (sério, alguém feche esse lugar).

Antes de partir, ele deseja que ambos tenham uma boa noite de sono, mas fica sabendo que isso é impossível, Dee não consegue mais dormir e nem sonhar, e Espantalho descreve uma noite comum no Asilo: “Aqui nunca faz silêncio, nem mesmo a noite. Tem sempre alguém chorando, alguém suplicando, alguém na cela ao lado batendo a cabeça na parede”.

Nessa noite, no entanto, como dádiva para a humanidade, após recuperar todo o seu poder, Morpheus permite que todos, sem exceção, tenham uma excelente noite de sono, e até no Asilo Arkham, os gritos e os lamentos cessaram, a calma e o silêncio se fez presente.

A única noite em que o Arkham dormiu.

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