Coluna F3

Rooster Fighter: A fúria do galo lutador

Rooster Fighter, o mangá do galo:

Dentro de uma história em quadrinhos tudo é possível homens podem facilmente voar ou viajar por diferentes planetas e dimensões, seres fantásticos, dinossauros, animais burros com tendências assassinas e até os mais intelectualizados e humanizados, enfim, as possibilidades são infinitas.

Diferentemente de outras artes visuais que contam uma história, os gibis não necessitam de altos investimentos para sua produção, dependem principalmente da capacidade do escritor de criar um mundo fantástico e do desenhista transpor seus conceitos no papel através dos desenhos. Uma das obras mais inventivas dos últimos tempos surgiu como web mangá chamado de Rooster Fighter do mangaká Syu Sakuratani, responsável pelo texto e arte.

Em Rooster fighter, ou O Galo Lutador, acompanhamos as aventuras de uma ave que luta contra monstros conhecidos como Kaijū. O nome dessas criaturas faz menção direta ao termo japonês Kaijū (怪獣 kaijū) que significa “besta estranha”, “animal incomum”, mas que costuma ser traduzida como “monstro”, o mais famoso entre tais seres é o Godzilla.

Sucesso no Japão:

Ao descobrir que este título, de enorme sucesso no Japão e nos países em que foi publicado, chegaria ao Brasil eu fiquei no mínimo intrigado com a ideia de ver cidades sendo devastadas por monstros gigantescos que são derrotados por um galo, não quis saber mais, essa informação foi o suficiente para aguçar minha curiosidade, confesso que não esperava muito dessa obra.

É sempre um prazer, ao menos para mim, estar enganado. O que li foi uma história divertida, bem desenhada com um bom ritmo e um protagonista muito cativante.

Ele quer acabar com os Kaijus:

O mangá começa com um enorme monstro de três cabeças arrasando uma cidade qualquer. Conforme a população corre do caos e da destruição que a criatura causa uma mãe e seu filho tentam fugir, o garoto tropeça sendo pego pelo gigantesco monstrengo que o levanta e joga em direção de sua boca. Antes da mordida o menino é salvo por algo que o pega numa enorme velocidade, tão rápido que surge apenas como um borrão, parte de seus pés são mostrados e com a virada de página surge um galo em pose de herói em frente do infante que acabou de salvar.

Uma ave com cara de poucos amigos, um corpo enorme e bem definido, ele diz que acabará com todos os Kaijūs, ao se lançar contra o monstrão somos informados pelos recordatórios de que esta é a história de um galo que vai salvar a humanidade.

Essa introdução é bem tradicional tanto que Saitama o herói do mangá One Punch Man, um outro sucesso recente do Japão, também foi introduzido de forma semelhante, todavia o que causa estranhamento é o fato do protagonista não ser humano, mas uma ave comum, algo muito estranho e até cômico, creio que nas mãos de algum autor menos competente o mangá não teria o mesmo brilho. Esse galo é a personificação do macho alfa perfeito por ser forte e musculoso, sempre sisudo, com frases de efeito que lembram atores de filmes de ação dos anos noventa, detentor de um forte senso de justiça e respeito pelos outros.

O galinácio sem mestre:

O mais estranho é ele, mesmo sendo um galináceo, se apresentar como sendo uma ave migratória sem rumo.

No decorrer das páginas acompanhamos a sua história, um ano antes de salvar o menino do começo do mangá temos o início da trama. O galo, após uma noite de acasalamento, em meio a suas andanças é pego por crianças, ele facilmente se desvencilha delas sendo ajudado por um senhor, ao ser alimentado pelo velho ambos observam o aparecimento de um monstro que claramente lembra um dos milhares de assalariados do país. O galo sem nenhum medo enfrenta a criatura, enquanto o combate se desenrola descobrimos a razão da ave estar numa missão contra esses seres, algo que aconteceu em seu passado que o leva a buscar vingança. Outro dos clichês do gênero apresentado com um certo frescor visto que o protagonista nem é humano.

Proposta diferente, arte tradicional:

A arte é bem tradicional, não tenta inovar em nada e mantém as convenções do gênero Shounen. Somos agraciados com um protagonista com um objetivo bem definido e difícil, mas que não é impossível vendo suas capacidades, um ser que se preocupa com os outros, mas é orgulhoso e acaba sofrendo alguns reveses no caminho. Como qualquer personagem principal de uma história de ação, principalmente se for japonesa é necessário que ele tenha algum tipo de fraqueza bem definida, no decorrer da história isso é explorado e acaba servindo para bons momentos cômicos assim como para boas cenas de ação.

Não dá para continuar sem entregar alguns spoilers, sendo assim gostaria de finalizar dizendo que esse é um mangá bem divertido, não é genial e nem se preocupa em sê-lo. O autor parece estar brincando com a criação de criaturas e com a ilustração de animais. Há muita coisa que ainda pode ser explorada como o passado do galo, seu treinamento, a razão de sua força e principalmente quem ou que seriam os Kaijūs. Esse é um mangá divertido, diferente e até bobo. Serve para passar o tempo com uma leitura agradável, irreverente e leve.   

Fernando Furtado

Fernando Furtado, formado em cinema pela FAAP, estudou quadrinhos na Quanta Academia de Artes, fez curso sobre a história das HQs com Sônia Bibe Lyuten, oficina de roteiro para HQs com Lourenço Mutarelli, assistente editorial e tradutor na Brainstore editora. Atualmente professor de inglês e advogado.

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