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Rashomon – Às Portas do Inferno (1950)

Um filme com 70 anos que conta uma história situada no Japão Feudal. É possível que ele ainda seja atual e pertinente em 2021?

Esse é Rashomon, o filme que deu origem ao termo: Efeito Rashomon, uma expressão usada para descrever uma situação na qual não se pode saber o que de fato aconteceu devido aos diferentes julgamentos das pessoas que a presenciaram, já que cada um interpreta o ocorrido de forma pessoal.

No filme, Kikori, o lenhador (Takashi Shimura), o sacerdote Tabi Hōshi (Minoru Chiaki) e o transeunte interpretado por Kichijiro Ueda refletem sobre um julgamento que presenciaram.

Um samurai (Masayuki Mori) foi morto e sua esposa (Machiko Kyō), estuprada. O grande suspeito é Tajōmaru (Toshiro Mifune), um assaltante conhecido por suas iniquidades e desejos libidinosos.

En quanto espera a chuva passar, o trio tenta entender onde está a verdade dentre todas as versões conhecidas da história.

A verdade:

Um ponto interessante é que ele sempre retrata os que estão mais “corretos” como silenciosos e os mais fora da curva como histéricos. Dependendo de quem conta a história, os três protagonistas podem ser caracterizados como silenciosos ou exagerados.

Na verdade, algumas histórias repetem elementos. É o caso da esposa, que todos os homens a retrataram como fogosa e infiel. Seja de forma sutil ou escancarada, ela gostou da experiência, mas até por realmente ter sido, em sua história, ela assumiu o papel de vítima.

Quem estava certo? Onde estava a verdade? Quem sabe?

Não espere sangue e tripas.

Este ainda não é o Kurosawa de Os Sete Samurais ou de Ran, mas Rashomon é um Akira Kurosawa clássico. O diretor/roteirista sempre prezou as belas imagens e a narrativa subjetiva. Neste filme, trocas de olhares são mais afiados do que qualquer lâmina.

Outro ponto interessante foi o uso das transições de vídeo. Além da influência pesada tanto do Teatro Kabuki quanto do expressionismo alemão, a questão das telas de transição é um elemento importante na simbologia deste conto sobre versões da mesma história.

Outro ponto importante são as metáforas e símbolos de texto. Ao usar elementos literários mais rebuscados, o filme nos lembra que é inspirado em um livro.

Conclusão:

Um filme sobre a queda em desgraça de alguém, sobre versões mal contadas da mesma história… Esse é Rashomon.

Um filme preto e branco, que devido aos recursos da época só usa praticamente três planos de câmera, mas que ainda funciona muito bem em 2021.

Rashomon um clássico e clássicos são eternos.

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Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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