Quer mais este assunto nerd? Nos visite diariamente.

Por um Punhado de Dólares (1964)

A parceria entre Sergio Leone e Ennio Morricone cria um clássico absoluto do Faroeste Espaguete A parceria entre Sergio Leone e Ennio Morricone cria um clássico absoluto do Faroeste Espaguete A parceria entre Sergio Leone e Ennio Morricone cria um clássico absoluto do Faroeste Espaguete Fernando Fontana aluga um épico do faroeste espaguete

A parceria entre Sergio Leone e Ennio Morricone cria um clássico absoluto do Faroeste Espaguete

Se hoje Hollywood parece encantada com super-heróis e seus trajes coloridos, rendendo bilhões nas bilheterias e sem dar sinais de desgaste, houve um tempo em que o cowboy e sua Colt reinavam absolutos não apenas no cinema, mas na TV.

Durante três décadas, os estúdios investiram pesado em filmes que narravam a história de homens corajosos desbravando o oeste selvagem, enfrentando índios selvagens, e derrotando bandidos em duelos ao pôr do Sol.

O protagonista era geralmente honesto, forte e rápido no gatilho, um homem justo que defendia os fracos sem esperar por recompensas, a encarnação do ideal norte-americano.

Veio a década de 60, a contracultura, a guerra do Vietnã, a luta pelos direitos civis e o questionamento dos valores tradicionais. Os filmes de faroeste e seus heróis perfeitos cavalgando rumo ao horizonte, perderam força e entraram em decadência.

Enquanto isso, do outro lado do Oceano Atlântico, a Itália, que durante a ditadura fascista de Benito Mussolini foi impedida de receber produções Hollywoodianas, agora consumia com avidez seus filmes, entre eles, é claro, os faroestes, e é por esta razão que lá surgirá o chamado Faroeste Espaguete.

E se falamos de Faroeste Espaguete, lembramos imediatamente de três nomes: Sergio Leone, Ennio Morricone e Clint Eastwood, os principais responsáveis pelo sucesso da chamada “Trilogia dos Dólares” ou “Trilogia do Homem Sem Nome”, que começa com “Por um Punhado de Dólares”, dando o pontapé inicial neste subgênero.

Leone havia assistido Yojimbo (1961), dirigido por Akira Kurosawa, e acreditou que pudesse transformar a história deste filme em um faroeste. Não era a primeira vez que isso acontecia, em 1960, “Sete Homens e um Destino”, dirigido por John Sturges, foi inteiramente baseado no roteiro de “Sete Samurais” (1954), também de Akira Kurosawa.

Saíam de cena os honrados samurais e suas espadas, entravam os pistoleiros e seus revólveres.

Com um orçamento baixo (aproximadamente 200 mil dólares), o diretor ofereceu o papel de protagonista para vários atores, que acabaram recusando; por fim, contratou Clint Eastwood que estava em começo de carreira.

A trilha sonora foi um dos, senão o maior acerto dos filmes de Leone; para ela, ele chamou Ennio Morricone, compositor italiano que faleceu recentemente, no último dia 06 de julho.

O diretor queria se distanciar das trilhas sonoras presentes nos westerns norte-americanos, clássicas e instrumentais. O que Morricone fez foi incorporar em suas trilhas clássicas, sons do cenário onde a história se passava, no caso do faroeste, coisas como galope de cavalos, sinos tocando, gritos e, é claro assovios, além de vincular uma trilha específica ao personagem de Clint Eastwood.

Mas melhores trilhas sonoras do cinema ficam marcadas em nossas mentes como sinônimos de um filme ou de um personagem, como as músicas tema de Guerra nas Estrelas, Super-Homem, Indiana Jones, Tubarão, entra tantas outras.

O que Morricone fez foi tão inovador que se tornou sinônimo não apenas de um ou mais filmes, mas de todo um gênero, com seu estilo servindo de base para diversos outros filmes de faroeste, alguns copiando quase que integralmente.

A história de “Por um Punhado de Dólares” é, na realidade, bastante simples.

Um pistoleiro não identificado chega até o pequeno povoado de San Miguel, cidade mexicana próxima da fronteira com os Estados Unidos, não cavalgando um cavalo, mas no lombo de uma nada imponente mula.

Ele descobre através do relato de Silvanito (José Calvo), dono de uma pequena venda, que o povoado está infestado de bandidos, que não há trabalho, a não ser para o coveiro e que a maioria das mulheres é viúva.

San Miguel também é palco de um confronto entre suas duas principais famílias, os Rojos e os Baxters.

O mito do cowboy que só saca sua arma para fazer justiça desmorona logo no primeiro tiroteio em que se envolve o personagem de Eastwood. Ele mata os quatro homens que atiraram no chão e assustaram sua mula e depois exigiam que ele deixasse o povoado.

O pistoleiro sem nome não é um herói, mas um anti-herói.

Ele também faz um jogo duplo, se fazendo de aliado tanto dos Rojos quanto dos Baxters, recebendo um bom dinheiro pelos seus serviços.

Leone deixa bastante clara a natureza dos Rojos, eles são bandidos da pior espécie, massacram tanto soldados do México quanto dos Estados Unidos, e Ramón (John Wells), o mais agressivo e talentoso deles, sequestra Marisol (Marianne Koch), por quem é apaixonado, mantendo-a prisioneira e longe de seu filho e esposo.

Quanto aos Baxter, haveria margem para explorar melhor suas motivações, mas não é o que acontece, e tudo se encerra em um massacre na luta final contra os Rojos.

Impossível não torcer pelo personagem de Eastwood, ainda mais quando o diretor nos mostra uma criança chorando por não poder ver e abraçar sua mãe, e ainda sendo alvo dos tiros dos inescrupulosos bandidos.

Você se importa com o protagonista e quer que os vilões levem a pior, e isso já garante boa parte da diversão.

Apesar do baixo orçamento, Leone soube tirar o máximo proveito do roteiro de Kurosawa onde se baseou, com seus closes nos olhos de quem está prestes a sacar as armas, sua capacidade de criar tensão e a icônica trilha de Ennio Morricone, “Por um Punhado de Dólares” abriu com perfeição uma trilogia que se tornou símbolo de um gênero.

você pode gostar também