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Por que eu não gosto do Superman

                E não gosto da Capitã Marvel também.

                O Superman é muito poderoso, é uma capacidade sem noção. Não tem como fazer uma boa história com ele.

                Muita gente vai lembrar (e querer esfregar na minha cara) alguns clássicos do Superman nos quadrinhos e os primeiros filmes dele.

                Concordo. Foram histórias sensacionais, que funcionaram muito bem na época em que foram publicadas.

                E é aí que entra o problema: “na época em que foram publicadas”.

                O Superman surgiu em uma época em que existia uma certa ingenuidade por parte do público. Não se questionava as consequências dos atos dos personagens.

                O Batman entrava fantasiado de Batman na delegacia e ninguém se importava; o Superman usou seu super-vôo para voltar no tempo uma vez e ninguém questionou que ele poderia fazer isso de novo para resolver qualquer outra crise; o governo constrói robôs gigantes para lutar contra os X-Men, mas a sociedade não conta com outros avanços óbvios desta tecnologia, como robôs construtores ou carros autônomos.

                Se você reler agora suas antigas HQs do Superman, você pode se decepcionar ao constatar como a trama se desenrola apenas porque o Superman não está utilizando todo o potencial dele.

                Assistir de novo os filmes recentes do Superman nem é necessário, a maioria do público já não gostou das obras na primeira vez que assistiu.

                Atualmente, até os jovens, que são o público-alvo das histórias de super-heróis, têm acesso a tramas mais complexas e até a questionamentos sobre o tema, o que leva alguns a considerar bobinhas as tramas atuais das revistinhas.

                “Hiperion”, de J. M. Staczynski e Gary Frank, publicado no Brasil em 2004 sob o selo “Marvel MAX”, mostra uma versão muito mais interessante do Superman (“Sabe onde um gorila de 10 toneladas pode se sentar?”), a trama desenvolve como a presença de um super-ser pode interferir no mundo (como visto também na excelente obra “Superman: Entre a Foice e o Martelo, de Mark Millar. Olha só! Eu gosto de uma história do Superman! Se bem que não é com o nosso Superman, né?).

                No cinema, conseguiram transformar o mito do Superman em uma história de terror (não assisti ao filme Brightburn ainda… É bom?)

                “Watchmen” questiona o conceito de super-heróis. Os humanos fantasiados de super apresentam alguns distúrbios de personalidade para assumirem esse papel, e o único super-ser da história apresenta uma consciência mais plausível para alguém com aquele nível de poder (“por que eu vou me preocupar com o que essas formiguinhas estão fazendo?”).

                “The Boys”, de Garth Ennis e Darick Robertson, e o universo supernormal em que se passam as obras de Fernando Fontana mostram uns super-heróis bem distantes da dignidade que se espera deles.

                E a Capitã Marvel segue a mesma linha. É muito poder para conseguir encaixar dentro de uma história. É tão poderosa que estragou todos os filmes dos Avengers, mesmo os anteriores, em que ela não participam.

                Eu duvido que a DC consiga fazer algo que preste no cinema com a presença do Superman. A não ser que seja um filme infantil, como foi Shazam; aí até vale a tentativa.

 

sobre o autor: Nada não, só queria falar que “Deus, o Diabo e os Super-Heróis no País da Corrupção” é um livro que ajuda a quebrar esse conceito de super-herói, mas não consegui encaixar na crítica.

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