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Por que eu não gostei dos últimos filmes dos X-Men.

                Acredito que não preciso dar muitas explicações, já que o desgosto com esses filmes foi geral.

                Começou bem com o primeiro X-Men e depois foi afundando. Teve uma recuperada com o First Class e foi afundando de novo.

                Nem vou analisar esses filmes por dentro, proponho uma análise por fora.

                Lembram do seriado antigo do Batman? Aquele que tinha o Batmóvel mais estiloso de todos os tempos, o Coringa com o bigode pintando de branco e um santo Robin irritante pra boné?

                A série fez sucesso no Brasil nos anos 80, mas tinha sido gravada nos anos 60.

                Assistindo agora essa série, fica difícil de acreditar que ela foi levada a sério por alguém, e o mais interessante é que ela realmente não foi feita para ser levada a sério.

                Os produtores da série receberam a função de criar uma séria televisiva baseada em uma história em quadrinhos. Na época, era um senso comum considerar histórias em quadrinhos como coisa de criança, e durante todos os 3 anos de duração da série, era assim que a série do Batman era gravada: como um programa infantil; com a mesma seriedade de “Barney, o dinossauro carinhoso” ou “Teletubbies”.

                Um efeito inesperado foi o público, na ânsia de consumir algo relacionado com seus super-heróis das revistinhas, levar a sério toda aquela palhaçada e elevar o Show do Bátima ao nível de obra cult.

                Os anos se passaram, Tim Burton entendeu que o público de quadrinhos leva a sério essa história de super-heróis, e em 1989, ele domina os cinemas com seu “Batman”, o filme que inaugurou o gênero de filmes de super-heróis que lotam salas de cinemas por meses (para o desgosto dos produtores de comédias nacionais).

                Mesmo com essa clara demonstração clara do conceito de filme de super-herói, ainda tinha gente com a mentalidade do seriado infantil do Batman. Em 1995, Joel Schumacher assume a continuidade da franquia Batman e transforma o terceiro filme da série em uma piada. Não uma piada do Coringa, mas uma piada do Jim Carrey.

                O Joel Schumacher levou mais de vinte anos para entender que ele não tinha a mínima ideia do que ele estava fazendo. Somente com o sucesso dos novos filmes do Batman (o filme do Christopher Nolan em 2005) é que ele entendeu que quadrinhos não eram só coisa para criança. Ele até pediu desculpas por ter afundado os filmes do Batman ( https://www.aficionados.com.br/joel-schumacher-pede-desculpa-por-batman-e-robin/ ), o que causou um descrédito de quase cinco anos nos filmes de super-heróis.

                Depois disso, o pessoal aprendeu?

                Não.

                Olha só o que a Olivia Munn, que interpretou a Psylocke, disse nessa entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=1vqAAt647cU

                Lá pelos 1min40 ela deixa escapar que o diretor e roteirista do filme nem conheciam a personagem dela direito.

                Pense nessa declaração. Compare com os últimos filmes dos X-Men que você assitiu… Tudo começa a fazer sentido agora?

                O filme foi feito por um pessoal que estava lá só para pagar as contas e comprar um carrinho novo se a brincadeira desse certo. Eles nem perderam muito tempo para entender do que se tratava o universo de super-heróis que eles estavam se enfiando.

                Sabe a mesma empolgação com que um estoquista fica recolocando as mercadorias no supermercado? Era isso. Muita gente estava lá só picando o cartão, fazendo umas caretas e dando uns gritos e indo embora assim que encerrava o expediente.

                Por outro lado, a um estúdio de distância, os estúdios Marvel estavam estourando de fazer sucesso.

                Será que eles tratavam esse trabalho com o mesmo descaso?

                Vou pegar um exemplo só para economizar a bateria do seu celular: “Homen-Aranha: Longe de Casa”. Não vou dar spoilers.

                O trabalho de pesquisa foi intenso, o capricho nos detalhes foi primoroso, e o resultado foi esse filme que os críticos e o público não cansam de falar bem.

                A dica de que o pessoal envolvido no projeto realmente sabia o que estava fazendo e estava gostando de fazer aquilo está nos easter-eggs.

                Parabéns para quem conseguiu achar todos (cuidado com spoilers, hein: https://www.aficionados.com.br/homem-aranha-longe-de-casa-20-easter-eggs-do-novo-filme-do-heroi/ ).

Teve nome de personagem que fazia referência a histórias antigas e bizarras do teioso. Antes de alguma ameaça aparecer, um número (de barco, de placa de carro, …) indicava em qual edição do Homem-Aranha aquilo tinha acontecido. As iniciais do Tio Ben aparecem em um utensílio doméstico. Nomes de ruas homenageiam desenhistas e roteiristas…

                Não tem nem como comparar. Trabalho feito com carinho, não é aquele que você faz só para quitar a parcela do carrinho.

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