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Por que eu não gostei de Star Wars IX.

                Star Wars IX foi a última vítima do fanboyzismo mimizento.

                Star Wars foi um divisor de águas no cinema. Foi o blockbuster que colocou filmes de aventura juvenil em destaque.
                É um filme marcante, com efeitos especiais caprichadíssimos e uma história cativante.
                Porém, continua sendo um filme infanto-juvenil. O roteiro é básico, com soluções simples. Alguém que tem contato com o filme depois da adolescência pode achar o filme bem bobinho, sem ser cativado por esse universo. O grande confronto de Rebeldes contra Império é bem caricato, apresentado da mesma maneira romantizada que professores comunistas fazem para doutrinar seus alunos.

                Os fãs da trilogia original criticam negativamente a trilogia 1,2,3. Porém, uma análise mais fria desses filmes revela um roteiro mais eficiente, com mais desenvolvimento dos personagens e, obviamente, efeitos especiais superiores.
                O “fã original” está contaminado pela emoção que ele teve ao assistir a trilogia original quando ainda era jovem, e esperava o efeito de deslumbramento dessa primeira experiência se repetir, porém, sua maturidade o impediu de entrar na história da mesma maneira que a ingenuidade da juventude permite.
                Jovens fãs que começam a sua experiência pela trilogia 1,2,3 não veem problema algum nela, se tornam fãs, assim como os véios se tornaram fãs na trilogia original.

                Porém, e agora vem o grande porém: “Star Wars” não foi feito para contar uma grande história; o motivo de existir de “Star Wars” é a venda de brinquedos.
                “Star Wars” não foi planejado para ser uma saga épica. O primeiro filme chamava-se apenas “Star Wars”, e “Episódio 4” não era citado em momento algum (a mudança só foi feita com a produção de “O Império Contra-Ataca”); No primeiro filme, Darth Vader era apenas o capanga esquisitão do vilão (no estilo dos filmes do “007” naquela época), e nem era cogitada a ideia dele ser o pai do Luke, e muito menos, a existência de um Anakin Skywalker.
                Para vender brinquedos, George Lucas enfiou os protagonistas em um planeta cheio de ursinhos, e o pior, os ursinhos dão um pau nos stormtroopers (as buchas de canhão mais supervalorizadas do cinema).
                A trilogia 1,2,3 só foi realizada porque o antigo contrato de licenciamento havia acabado e George Lucas conseguiu um novo contrato com mais lucro sobre produtos baseados no filme (brinquedos, lancheiras, camisetas, camisinhas,…). É sério, está no documentário “Brinquedos que Marcam Época”, disponível na Netflix.
                Nesse ponto, a saga “Harry Potter” é muito mais íntegra do que “Star Wars”, pois foi idealizada, desde seu início, para contar a história de um bruxinho e seus amigos, que trabalhou em cada um dos episódios os vários aspectos que culminaram na resolução épica da saga.
                “Star Wars 1,2,3” foi coerente com a trama porque a continuação (“Star Wars 4,5,6”) já estava pronta; as tramas tinham a obrigação se se encaixar. Já nas continuações…

“Star Wars 7” foi uma vergonha. Deveria se chamar “O Dejavu da Força”, pois seu roteiro é um remendo de fatos que já tinham acontecido em filmes anteriores:
                – Jovem enfiado no deserto é chamada para a aventura por um robozinho,
                – Jovem vindo do deserto desenvolve “A Força”,
                – Vilão é braço direito de uma poder maior,
                – Vilão veste roupa e máscara negra,
                – Vilão tem relação familiar com os protagonistas,
                – A grande ameaça é uma arma gigantesca de destruição galáctica,
                – A filhadaputa da ameaça galáctica tem uma porra duma falha de segurança que pode explodir toda a caralha com só uma tungada,
                – Personagem importante, que funciona como mentor, é assassinado pelo vilão,
                – Confronto final precisa ser resolvido ao mesmo tempo em 3 fronts, um envolve uma parte técnica, outra envolve briga de naves e outra envolve briga de sabres de luz.

E nem estou falando das incoerências do roteiro. Tudo bem que estamos falando de uma fantasia espacial, porém, como explicar um vilão que, no começo do filme, consegue parar um laser com o poder da força, mas no final do filme, ele apanha de um ex-faxineiro do império que está pegando um sabre de luz pela primeira vez?

Mas o maior absurdo deste filme é o que ele faz com a história dos filmes anteriores. Em “O Retorno do Jedi”, os rebeldes acabam com a estrutura do Império e com o próprio Imperador.
                Muito bem, acabou o Império, vida que segue, vamos reerguer as comunidades galácticas.
                Durante décadas, fãs e autores imaginaram como seria esse futuro; criaram o universo expandido, com tramas envolventes e personagens sensacionais. A família Skywalker evoluiu para situações incríveis.
                Eis que, algumas décadas depois, quando ocorre “O Dejavu da Força”, não mudou NADA no universo: O Império continua cheio de naves e de recursos, e os Rebeldes continuam se rebelando contra um império que não estava dominando planeta algum.
                Ou seja, todo aquele carnaval que fizeram no final de “O Retorno do Jedi” não adiantou de nada. “O Dejavu da Força” jogou no lixo todas as vitórias conseguidas pela trama até o momento.

Essa trama, que ignora todas essas mudanças geradas por fatos anteriores da saga só para costurar várias cenas famosas de filmes anteriores, confirma que o maior interesse dos envolvidos não é contar uma boa história.

No “Episódio 8” ocorre uma tentativa de avançar com a história. Personagens evoluem, mostram interesses além dos previstos, reviravoltas ocorrem na trama e… Os fanboys odiaram, xingaram muito no twitter e tentaram até um financiamento coletivo para regravar o filme do jeito que eles queriam.

—– ATENÇÃO: Começa aqui a ZONA DE SPOILERS E PALAVRÕES –––

Eis que, por conta de sua birra, eles foram presenteados com o “Episódio 9”: Uma grande homenagem para quem quer punhetar no cinema, assistindo cenas épicas num videoclipe tosco e sem alma. É essa a obra que conclui um universo cinematográfico que começou nas nossas infâncias.
                O “Ascenção da Palpatine” (a Rey pode falar o sobrenome que quiser, pode até mudar o nome dela para Maristela, mas o avô dela vai continuar sendo o Palpatine) é uma sequência de fan-services vergonhosa, que o talentoso J.J. Abrams dirigiu só para comprar um novo iate.
                Ficou bem claro que esse filme foi feito para agradar fãs, sem interesse algum na coerência.
                O casalzinho do Fin com a oriental bonitinha não agradou? Muito bem, a bonitinha está fora, só vai aparecer para falar que está dispensada.
                Os fãs gostam de brigas de sabres-de-luz? Vamos inventar um poder totalmente sem noção para que os dois Jedis possam lutar mesmo entrando em locais diferentes.
                Gostam de poder jedis? Vamos inventar um monte, tirados diretamente do cu. A Leia usa o puxão de orelha à distância só para travar o filho narigudo e morre na sequência. Parece uma redação escrita por uma criança da 5ª série, mas precisavam de algum motivo para ter a cena da Leia morrendo no filme (e a consequente cena do Chewbacca chorando, como previsto por Jorge Pontual).
                O Palpatine era um vilão foda? Vamos trazê-lo de volta! Os fãs vão ficar molhadinhos, assim como o Palpatine quando saiu do tanque de clonagem. Peraí? Clones de jedis continuam com o poder depois de clonados? Por que esse filhadaputa não formou um exército de clones COM PODER JEDI, CARALHO!!! É MUITO BURRO!!! PUTAQUEOPARIU!!! O Professor Abobrinha, vilão do Castelo Ra Tim Bum tem planos mais inteligentes do que esse zumbi borrachudo! Mas não interessa. Os fanboys viram o Palpatine na tela e baixaram as calças na hora.
                Mél Déls!!! O Chewbacca morreu!!! PEGADINHA DO MALANDRO!!! Era outro poder jedi tirado do cu que nem se deram ao trabalho de explicar. E a fanboiada delira!
                Não seria legal uma perseguição de jet-bikes? Então assim que os heróis fugirem da rave em suas jet-bikes, os stormtroopers vão descer de suas naves, que poderiam arregaçar essas jet-bikes fugitivas com dois pipocos, e iniciam suas perseguições com jet-bikes, também retiradas diretamente do cu. Foda-se a coerência, ficou lindo. O brinquedo da jet-bike que arremessa o stormtrooper pra cima vai vender pra caralho!
                Lazarento dum filme retardado.
                Tem a ex-namorada do Piloto Paul. Tem toda a ceninha, ele quer matar o cara, dois minutos depois ela já quer fugir com o cara, e, do nada, ela tira da buceta um medalhão imperial, que serve de passaporte para qualquer lugar da galáxia (mas o Império não tinha sido derrotado no “Retorno do Jedi”?), e dá de graça para o Pau Dameron!!! Olha só que coincidência! Era o que elas precisavam para entrar na nave imperial. Serião mesmo.
                E o sacrifício do nobre C3-PO, ai que triste, ”a última vez que verei meus amigos antes de minha memória ser apagada”, ai que drama, tudo isso para, cinco minutos depois, o R2D2 dar uma dedada no amigão e ele volta a se lembrar de tudo. Puta merda, hein!
                E a Rey usando a adaga-mapa, igual o medalhão dos Goonies, nos destroços da DeathStar só pra achar a localização do Palpatine?!?! Ah, vá à merda, porra, vá à merdaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! É fã-service até o cu fazer bico e vomitar igual chafariz!!!
                E a batalha final? Como vai ser? Vai ser em três frontes: Briga de nave, briga de jedi, e meia dúzia de imbecis correndo por cima de um Cruzador Imperial para enfiar bombas na fuselagem!!! Como!?! É fantasia espacial, não é desenho do Cartoon Network, aliás, nem nas animações de Star Wars deve ter tido uma estratégia tão imbecil e impossível como essa!
                E o grupo de Zap? Será que o Palpatine vai matar todo mundo? É claro que não, pois o Lando mandou zap pra todo mundo do grupo “Figurantes com Nave” e eles apareceram para torar o pau com uma horda de Cruzadores Imperiais que, antes que eu me esqueça, O PALPATINE TIROU DO CU!!! POR QUE NÃO USOU ANTES AQUELES TOLETES?!? VILÃO DE MERDA, FIGURANTE LEPROSO DO WALKING DEAD, INRI CRISTO DAS ESTRELAS, CARPANO DE ZUMBI, PAI DO FIDEL CASTRO, AVÔ BASTARDO DO BENTO CARNEIRO, TOROÇO ALBINO, PAPAI-NOEL DA DESGRAÇA, ROTEIRISTA DO GAME OF THRONES, ASSINANTE DE FOLHA DE SÃO PAULO, NECROMANTE DA DISNEYLÂNDIA, SAYAJIN COM SEBORRÉIA, FIDIRAPARIGA!

                DISGRASSSA!!!

                Tempo perdido da minha vida. Pra depois vir aqui e perder mais tempo pra falar de um filme feito só pra agradar marmanjo chorão.

E tem mais, todo mundo se encontra na comemoração da vitória, até a ex-namorada do Poe que deu o botão imperial pr’ele. Eles se encaram, ele manda um “vam’lá?”, e ela, que tinha acabado de dar um dos maiores tesouros que ela tinha para ele, depois de convidá-lo a abandonar tudo para fugir com ela, a moça responde “nem… vô naum.”
                O Chewbacca ganhando uma medalha do nada!!! Ele foi injustiçado no final do Star Wars? Foi. Merecia uma medalha, mas só ficou do lado do Han Solo como se fosse um pet gigante. Ao invés de consertar isso inserindo uma medalha com efeito especial na 18º reedição do “Episódio 4”, resolveram reparar o erro com uma personagem avulsa dando a porra da medalha pr’ele.
                E tem aquele beijo lésbico totalmente avulso na comemoração também. É uma bela metáfora do que foi esse filme: Alguém calculou que os fãs gostariam muito de duas mulheres se pegando em Star Wars. Cata duas figurantes totalmente avulsas e bota elas para se pegarem no meio do furdúncio.

É issaí, fanboiada. Conseguiram o que queriam. Um filminho pirotécnico para vocês babarem por 2 horas, e depois ser esquecido na vala da mediocridade, ao lado das sepulturas de Lost, Matrix e Game of Thrones.

Só me resta torcer para que esse publicozinho xarope não goste de “The Witcher”.

sobre o autor: Roj Ventura estava todo feliz por finalmente ter organizado sua lojinha online; aí ele inventou de assistir o último Star Wars.

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