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Por que eu não gostei de “Rambo até o fim”.

                Eu não gostei da violência excessiva explorada pelo filme como justificativa de vingança contra pessoas que apenas não compartilham o mesmo ponto de vista do protagonista.

                Mentira. A única atração bem executada do filme é a violência. O filme merece um Oscar pela cena de arrancar osso do ombro do bandido usando apenas os dedos.
                O problema do filme é que ele tem violência de gente grande em uma trama infantil.

                A violência não é o problema. Se você vai assistir um filme do Rambo e se surpreende com a violência, você é um imbecil. Estou com preguiça de escrever uma ofensa mais divertida, “imbecil” está de bom tamanho.
                Sabe quem teve essa preguiça de escrever também? O roteirista deste filme.

                Ah, olha só: O Stallone escreveu a história do filme. Geralmente é o produtor que interfere com alguma bobagem só porque está enfiando dinheiro no filme, mas nesse caso, nenhum dos 26 produtores teve peito para chegar no Stallone e falar: “Sly; tá ruim, queridão. Reescreve essa merda.”

                O filme tem uma introdução legal, as definições de adolescente fazendo merda são atualizadas para que o conflito comece, aí o João Rambo realiza um plano de invasão de base inimiga pior do que o do “Capitão América 1”.
                Não tem como o Rambo, que vem montando armadilha para ganhar lutas de 1 contra 100 desde os anos 80, entrar igual um pato no meio de uma boca de fumo com quatro traficantes por metro quadrado.
                E piora. Por algum motivo, o chefão decide não matar o invasor, e pior ainda, ninguém vê uma mulher descendo cinco lances de escada no meio da quebrada carregando o Rambo.
                Aí vem a segunda parte: O Rambo constrói milhares de armadilhas nos túneis subterrâneos de sua fazenda (afinal, construir túneis é o passatempo de todo veterano de guerra traumatizado) e atrai o exército de traficantes para uma versão hardcore de “Esqueceram de mim”.
                Nesses dez minutos finais do filme, vemos um festival de jagunço caindo em armadilhas sangrentas, Rambo correndo, desaparecendo e reaparecendo para dar uns “surprise modafocka” nos distraídos, o vilão se cagando, mais pegadinhas do João Rambo (que toma uns tiros só para parecer que ele corre algum risco), o vilão é pregado numa parede e executado com um “Fatalíty” do “Mortal Kombat”.

                Essas cenas finais foram muito bem feitas, as mortes explícitas divertem a molecada, mas não existe tensão alguma. Mesmo com os tiros aleatórios que o Rambo leva, ele está apenas passeando no parque.
                É impossível que nenhum dos produtores não tenha percebido que o filme é menos tenso do que campeonato de curling.
                Mas o que incentiva esse comportamento é que o filme é uma franquia famosa, tem o Stallone, um monte de curioso vai assistir no cinema, e é dinheiro no bolso.
                Ou seja, os produtores também são preguiçosos, não trabalham para criar um filme de sucesso que terá seu lucro multiplicado por negociações em plataformas de streaming e vendas de material relacionado ao filme (alguém ainda compra DVD de filme?)

                Tudo isso poderia ser resolvido se chamassem um “script doctor” para olhar a trama “de fora do tabuleiro” e exercitar a coerência. Dá o roteiro e umas doletas pro cara, ele lê, fala o que está errado, e até sugere um conserto para essas bobagens.

                Eu sei que tem alguns roteiristas lendo as postagens aqui do Metalinguagem. Sejam sinceros, não dá para subir esse filme de 5 para 10 só ajustando uns três pontos do roteiro?

                O Rambo está velho, ele tem que ter algum problema de saúde. Pode ser um tremor nos braços ou surdez.

                Quando ele vai pro México, ao invés de ser espancado pelos bandidos misericordiosos, que o deixam livre para ser carregado pela jornalista, ele poderia ser encurralado no caminho, enquanto ainda estava no carro, por informantes que viram a abordagem na boate.
                Dirigindo, e fora de seu elemento, ele acaba gerando uma batida numa ponte e escapa pelo rio. A jornalista, que tem contato com a comunidade ribeirinha, consegue localizá-lo todo estrupiado. Perdemos a cena que gera ódio dos bandidos, mas não passamos vergonha com um furo na trama; o ódio contra os bandidos pode ser gerado detalhando mais o abuso contra as prisioneiras (a cena da prisioneira fugitiva teria mais agressão, com o vilão escrevendo nome e sobrenome com a faca nas costas dela).

                Quando o Rambo retorna para iniciar sua vingança, ele encontra a jornalista morta (aumenta seu sentimento de não conseguir proteger pessoas próximas), e recebe da mãe dela as investigações dela, com mapas e fotos da quadrilha.

                O confronto na fazenda, ao invés de ser nos túneis (um exagero que dá muita vantagem para o Rambo), se passa em um milharal, com imagens aéreas mostrando a genialidade estratégica do Rambo para passar do lado dos inimigos sem que eles percebam.
                O plano começa a dar errado: os bandidos começam a destruir o milharal com seus veículos, o aparelho de surdez quebra, o braço começa a tremer. Rambo precisa improvisar para vencer: Se segura embaixo dum jipe inimigo para se posicionar em outra posição estratégica, ele foge para algum local mais fechado e com muito som (motores ou alto-falante) para prejudicar a audição dos vilões também, recarrega as armas usando a boca e utiliza um mourão de cerca como apoio (ou o mais legal ainda, utiliza os pés para apoiar o arco).

                Será que é tão caro assim investir num roteirista para não desperdiçar o tempo do público (e o seu dinheiro) com um filme medíocre?

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