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Por que eu não gostei de “Os 7 Magníficos”.

                Quando eu terminei o filme, eu até achei que tinha gostado, é um filme padrão, mas depois, quando eu lembrei da origem da história desse filme, eu fiquei inconformado com a porcaria que fizeram com uma história tão forte.

                Podemos dizer que a trama de “Os 7 Magníficos” (de Antoine Fuqua, em 2016) é uma trama clássica, começou com “Os Sete Samurais” (de Akira Kurosawa, em 1954) e veio para o ocidente na forma do faroeste “Sete Homem e Um Destino” (de John Sturges, em 1960).
                A trama (atenção jogadores de RPG precisando de uma aventura) é um grupo de samurais/pistoleiros/mercenários sendo contratado por uma vilinha que quer se livrar de um exército de bandidos.
                A primeira parte da história mostra a ameaça dos bandidos e o desafio para se contratar cada um dos mercenários, a segunda parte mostra os mercenários tentando treinar a população da vilinha e o desenvolvimento das relações entre os personagens, e a terceira parte é o conflito e conclusão da trama.

                Você já viu essa história em outro lugar? Claro que viu. Está lembrado do “Vida de Inseto” (Pixar, em 1998)?
                O clássico de fantasia espacial “Mercenários das Galáxias” (de Roger Corman e Jimmy Murakami, em 1980) também utiliza essa trama.
                Recentemente, a trama voltou à sua origem, na forma do anime “Samurai 7” (Gonzo, em 2004).

                É uma história poderosa, com atores famosos (Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio) com dinheiro pra caramba na produção, e resulta num filminho de Sessão da Tarde. Como isso é possível?

                Acho que eu sei por que eu achei que tinha gostado do filme. Eles guardaram o tema original de “Sete Homens e Um Destino” para tocar durante os créditos finais. Despertou aquela lembrança emocional deter assistido o primeiro filme, você sai com a impressão de ter assistido o clássico renascido.
                Mas quando você para pra pensar sobre o filme, você percebe que ele renasceu com alguns probleminhas (daqueles casos em que os médicos recomendam um aborto).

                Logo de início, algumas adaptações são feitas para agradar a lacrosfera. Os vilões não são mais bandidos, pobres vítimas da sociedade que estão apenas lutando pela sobrevivência. O vilão agora é um empresário capitalista opressor, tão caricato que chega a ser engraçado.
                Dá-se a entender que dois dos pistoleiros formam um casal gay. Se não era essa a intenção, a história deles foi muito mal contada.
                E para completar, ao invés de um homem, é uma mulher que sai da vila em busca dos protetores.
                Se bem que essa alteração ficou boa. Muito boa, aliás. A viúva que parte em busca de vingança e, ao contrário do que a torcida espera, não forma casalzinho com o Chris Pratt no final da história.
                A atriz Haley Bennett convence e brilha no papel. Os outros atores (menos o vilão, mas não é culpa dele) estão muito bem encaixados em seus personagens, com destaque para o fanático interpretado por Vincent D’Onofrio (o Rei do Crime da série “Demolidor”), mas a trama é vergonhosa.

                Começa pelas contratações dos defensores. Nos filmes anteriores, cada contratação envolvia um desafio para convencer o pistoleiro a entrar numa causa suicida. Nesse filme é mais ou menos assim:
                – ‘Dia parcêro.
                – ‘Dia.
                – Tem uma treta rolando aqui. Bora lá?
                – Bora.

                Já a contratação do índio foi diferente:
                – Hau índio.
                – Cara-pálida fala comanche?
                – Falo.
                – Bora.

                Aí o grupo chega na vila, mas a população não quer essa solução. Se são contra, porque deram todo o ouro da vila para a viúva poder fazer as contratações?
                Depois tem a fase do treinamento dos camponeses. Meia dúzia de piadas, o relacionamento dos personagens se resumem a mais algumas piadas e chega o confronto.

                A grande expectativa é: Qual estratégia será capaz de fazer a vilinha vencer um exército.
                E a estratégia é: Explodir.
                Várias explosões mandando os bandidos e seus cavalos pelos ares.
                Depois tem a armadilha do acampamento. Seria uma boa ideia cavalgar pelo meio de um amontoado de tendas? Para os vilões, sim, seria uma boa ideia. E foram pipocados pelos camponeses escondidos nas tendas.
                E assim como os defensores tem um índio, os vilões também tem. E surge a oportunidade de confronto entre os índios. O problema é que a única coisa que o índio malvado sabia fazer era gritar enquanto o índio bonzinho passava a faca nele.
                Já vi episódios de “Peppa Pig” mais tensos do que essa luta.

                Os vilões estão perdendo. Eis que eles montam uma metralhadora (aquelas de manivela) em uma carroça.
                Só que essa não era uma metralhadora qualquer.
                Era uma metralhadora mágica.
                Ela atingia vários pontos da vila ao mesmo tempo, e com precisão.
                Pura mágica.

                Quem já jogou em algum multiplayer de tiro sabe o que acontece com quem começa a atirar com uma metralhadora fixa no alto de um morro. Toma tiro de rifle em menos de dez segundos.
                Mas nesse caso, ninguém usou os rifles. Decidiram deixar o Chris Pratt resolver a parada com uma galhofa.
                Acho que vou voltar na Netflix só para diminuir a quantidade de estrelas que eu dei. Melhor seria ter assistido de novo o “Mercenários das Galáxias”.

sobre o autor: além de não gostar de filmes, Roj Ventura está compartilhando algumas de suas experiências como gamedesigner num blog.

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