Coluna do Professor

Pedro and Me: Uma amizade capaz de mudar vidas

Bem-vindos de volta, ilustres fãs de quadrinhos. Hoje vou falar de uma graphic novel que fez muito sucesso nos Estados Unidos, Pedro and Me: Friendship, Loss and What I Learned (Pedro e Eu: Amizade, Perda e O Que Eu Aprendi).

Nessa obra autobiográfica, o desenhista Judd Winick nos conta parte de sua história.

No início de carreira, como estava em um período de vacas magras, decidiu participar de um programa popular da MTV americana, The Real World: San Francisco.

Nesse programa, um grupo de pessoas tem de passar seis meses em uma casa e são filmadas o tempo todo. Apesar de ser parecido com o Big Brother, os participantes podiam sair da casa e continuar sua rotina normal, sempre cercados por câmeras.

Ambientada nos anos 90, essa edição do programa traria uma novidade: um dos participantes era HIV+.

Se até hoje soropositivos sofrem preconceito, imagina como era nos anos 90. Para manter o mistério, a produção do programa não divulgou quem era esse participante.

Ao chegar na casa, Judd logo simpatiza com Pedro e passam a ser amigos. Conversa vai, conversa vem, Judd descobre que Pedro era o participante soropositivo. Como ressalta o autor, naquele momento isso não fazia mais diferença. A amizade entre os dois só aumentaria.

Nascido em Cuba, Pedro Zamora e parte de sua família migrou para os Estados Unidos em busca de uma condição melhor de vida. Por pura falta de informação, Pedro, que era gay, acabou contraindo HIV.

A partir de então, Pedro começou a fazer palestras em vários lugares, mostrando para as pessoas como se prevenir desse mal. Além disso, o objetivo dele era demonstrar que, mesmo sendo soropositivo, era possível levar uma vida normal. Naquela época, os soropositivos já se tratavam com coquetel antiaids, o que aumentava a sua perspectiva de vida.

O trabalho de Pedro Zamora era reconhecido mundialmente. Ele se correspondia com diversas pessoas ao redor do globo. E o mais importante, ele serviu de inspiração para que outras pessoas seguissem o seu exemplo.

Além de evitar a transmissão da doença, essa atitude fazia com que os soropositivos sofressem menos preconceito. Afinal de contas, eles levavam uma vida normal.

É impossível não se identificar com esse trabalho de Judd Winick. Afinal, ele conta a história de pessoas comuns como eu e você.

Infelizmente, Pedro Zamora não chegou a ver essa obra pronta. Ele faleceu de complicações da Aids em 11 de novembro de 1994 aos 22 anos.

O trabalho de Pedro Zamora era tão importante que até Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos na época, ligou para ele e realizou um desejo dele: fazer com que mais pessoas de sua família pudessem migrar de Cuba para os Estados Unidos para lhe fazer companhia em seu leito hospitalar.

O trabalho de Pedro era tão reconhecido que sua morte foi relatada nos meios de comunicação do mundo todo.

Através de sua obra, Judd Winick imortalizou Pedro Zamora e sua luta, além de torná-lo conhecido para as gerações que virão.

Eu gostaria de dedicar esse artigo a memória do meu pai. Quando você perde um parente para o Covid-19, ele deixa de ser estatística, um número frio, e leva um pedaço de seu coração embora.

Até breve!

André Costa

André Costa, 44 anos. Professor de Inglês em escola regular, escritor, tradutor. Apreciador da Cultura Nerd em geral, principalmente de quadrinhos de Super-Heróis. Autor do livro Cavaleiro das Trevas: Uma Leitura Sócio-Cultural e Ideológica do Batman. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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