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Os X-Hickman (O X marca o lugar)

Jonathan Hickman nos apresenta novos X-Men para um novo tempo.

Qual o valor de uma potência de X?

É inegável a importância dos heróis mutantes para a editora Marvel, os X-Men deram o direcionamento para importantes sagas como Inferno e Massacre, além de ser um dos responsáveis pela atual safra de adaptações cinematográficas que acompanhamos hoje em dia, contudo na década de 2010 eles sofreram bastante e ficaram relegados a uma posição de coadjuvante ao invés do protagonismo que já tiveram, felizmente a nova fase que acaba de chegar ao Brasil resgata alguns dos mais interessantes e divertidos momentos desses personagens.

A derrocada dos mutantes nos quadrinhos e nas diferentes mídias ocorreu com a quase falência da Marvel, em meados dos anos 90, para acertar a situação Avi Arad, o último proprietário antes do atual, arquitetou um plano para salvar a casa das ideias através da venda dos direitos cinematográficos, infelizmente essa atividade externa a produção quadrinística acabou por afetar as HQs produzidas, bem como os demais produtos licenciados, ao ser comprada pela Disney a participação dos mutantes passou a ser reduzida, quando foi maior os colocou num lugar mais próximo ao de vilões como na saga Vingadores versus X-Men, até que ocorresse a compra da Fox pelos donos de Mickey Mouse poucas histórias foram muito relevantes, claro que há sempre exceções, mas a maioria dos arcos eram bem fracos e desinteressantes.

Agora chega a vez de acompanharmos o trabalho de Jonathan Hickman, depois de um descanso da casa das ideias, ele chega para comandar os mutantes numa arrebatadora saga que começa com diversas novidades e fazendo referência aos mais variados momentos do grupo. Seguindo com a volta do professor X, agora no corpo de Fantomex e unido a Magneto, uma nova perspectiva é apresentada, os mutantes decidem viver na ilha viva Krakoa que permanece numa localização segura, de lá são retiradas diversas sementes que foram colocadas ao redor do mundo funcionando como um portal dimensional que dá acesso ao lugar para quem for mutante.

Ademais Xavier lança três drogas no mercado mundial para curar dores mentais, física e que pode prolongar a vida por mais 5 anos, obviamente o líder mutante não têm interesse em compartilhar esses medicamentos de forma gratuita, no início da história, representantes do mundo são convidados para conhecer e preambular por Krakoa, recebendo informações sobre o local e da agenda mutante. Esse é um ponto interessante na história de Hickman, seu Xavier é dúbio, não é um homem bem-intencionado que presa e prega pela convivência pacífica entre as espécies, há uma incerteza sobre suas reais intenções. O novo professor faz a troca dos remédios como barganha para transformar a ilha viva numa nação mutante.

Para o leitor novo que queira se familiarizar com o que está acontecendo há tabelas e textos informativos explicando o que deve ser compreendido da história dando ainda mais abrangência e detalhes além de dar maior compreensão à narrativa. É um bom ponto de partida para quem nunca acompanhou os mutantes ou que estava a um tempo afastado e serve até mesmo como referência para as novas adaptações na telona.

Hickman faz homenagem aos vários anos da publicação, não reinventa a roda, mas consegue fazer com que ela gire muito bem. Aproveita conceitos antigos como Krakoa, responsável pelo surgimento dos “novos” X-Men de Wein e posteriormente Claremont, a ideia de viver num estado só para mutantes já apareceu na saga Utopia e na ilha de Genosha que foi comandada por Magneto. Aqui o escritor aproveita para alcançar um ponto em comum entre os líderes mutantes e chegar ao prometido futuro em que os mutantes seriam mais avançados do que os humanos normais.

Jonathan ainda aproveita para mostrar o mais divertido dos X-Men com viagens espaciais e temporais, o preconceito e a desconfiança humana, realidades paralelas, os mais variados tipos de sentinelas, além de pessoas com poderes estranhos e muito extravagantes como o caso da Moira X, sua história é espetacular, numa mesma HQ Hickman faz menção a diferentes arcos de história e diversos pontos da cronologia mutante, divagar mais seria o mesmo que dar Spoiler e essa história merece ser lida com calma e sem eles.

Ademais vale ressaltar que além da inovadora e genial história com excelentes diálogos e uma bela discussão política, a arte também é algo brilhante, House of X é desenhada e arte-finalizada por Pepe Larraz, já Power of X tem arte de R. B. Silva com Adriano Di Benedetto em parte da finalização, as cores fabulosas, em ambas as séries, fica ao cargo de Marte Garcia.

A Panini lançou uma edição caprichada com direito a dois marcadores de páginas e um cartão semente no tradicional formato americano, com capa cartonada e verniz localizada, contando com 104 páginas, lombada quadrada e papel couché, a publicação nacional compilará todas as revistas do House of X e Power of X em 4 edições. Há também, nessa primeira revista, o material publicado em The Seeds of tomorrow contendo entrevistas com as equipes criativas, algumas curiosidades, vários esboços e estudos de personagens que ajuda a dar uma melhor localização do que o leitor está lendo, material imperdível e de excelente qualidade.

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