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Os Trapalhões na Guerra dos Planetas

Já cogitou rever uma coisa que sua versão infantil amava e descobrir se aquilo envelheceu bem? Missão Mágica, um desenho que eu adorava ver na Tupi me provou que nem sempre vale a pena desenterrar essas múmias. Só que resolvi quebrar minhas próprias regras e rever um filme que marcou minha infância.

Sabe o que descobri? Os Trapalhões na Guerra Dos Planetas é um filme ruim, até para os padrões do quarteto.  Eles, que já haviam feito uma paródia da série Planeta dos Macacos, resolveram repetir o feito e Guerra nas Estrelas foi a bola da vez.

No filme, No filme, o príncipe Flick (Pedro Aguinaga), paródia de Luke Skywalker, pede ajuda aos Trapalhões para salvar sua noiva (Christina Rocha, creditada como Maria Cristina) e seu planeta do malvado imperador Zucco (Carlos Bucka), paródia de Darth Vader.  Os malandros acabam indo com a promessa de receberem seu peso em ouro, que é que acaba acontecendo, e isso é tudo que você precisa saber para acompanhar a história. Olha, não é bem assim, mas acaba sendo.  A noiva aparece pouco, sensualiza e some. Tem a trama do computador, que mais parece um telejogo com botão de fogão e uns interruptores. Cara, a ficção cientifica da época amava mostrar interruptores e luzes piscando! Será que era gato?

Tudo começa com uma perseguição. Didi mexeu com a mulher de alguém e seus amigos entraram na rabuda. Somos introduzidos a duas coisas que você nunca veria em 2019: perseguição com tiroteios num filme para crianças e propaganda de uma montadora nacional, a Gurgel Motores, que forneceu todos os veículos usados no filme. Os reais, claro. Os outros devem ter vindo da Estrela ou da Gulliver. Depois disso, eles se escondem numa praia e são convidados por um alien para participar de uma revolução em outro planeta, que deve ter sido filmado nas dunas da mesma praia.

No novo planeta, Dedé, Didi, Mussum e Zacarias (juntos pela primeira vez nos cinemas) encontram mulheres dadivosas de outro mundo que acabam se enrabichando com eles e viram parceiras de aventura. Os aliens, que moram em iglus no deserto, são atacados por um grupo de cospobre do povo da areia que acaba sequestrando a princesa. O príncipe reclama, mas acompanhado pelo quarteto e suas novas parceiras, acaba indo numa jornada em busca de sua amada. Ao longo da jornada, além das cenas sem sentido, ainda temos uma trilha sonora no melhor estilo Kitaro on Drugs que só é quebrada quando eles chegam numa Discoteca onde eles mudam o disco e dançam ao som de uma música contemporânea cujo barulho incomoda a todos os ETs.

Como no começo, Didi havia pedido para levar seu Jipe da Gurgel, ele passa a ser o transporte do grupo em sua viagem por mundos aonde nenhum trapalhão jamais foi. Quando finalmente encontram Zucco, tudo é solucionado meio torto. Primeiro eles perdem e são presos para sofrer torturas á “moda antiga”. Segue uma piada sobre o Mussum cair sentado num espeto e nem ter sentido e outras bobagens iguais. O vilão é vencido, todos voltam felizes para sempre e Didi decide ficar no planeta com sua companheira, só que a morte da princesa transformou tudo num caso de família porque segundo a lei local, a cunhada terá de assumir as funções da morta. Como o Didi sempre fica sozinho nos finais, ele volta para a terra e todos terminam felizes pra sempre, mas de outra forma.

É um filme de 1978, então a qualidade das fantasias, dos defeitos especiais e de todo o resto realmente deixa a desejar, mas é um filme dos Trapalhões. Numa época em que ninguém se preocupava muito com direitos autorais, ainda mais de um filme que sequer desconfiavam o fenômeno que seria, Flick e Zucco não escondiam que eram cópias descaradas. E tem a primeira aparição de Flick onde ouvimos a música do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau sendo adulterada no melhor estilo Vanilla Ice, só que os novos acordes imitam o som de um peido.

Vamos combinar que para os padrões atuais o filme é arrastado. Longas cenas que não levam a lugar nenhum, Chroma Key do Chaves, explosões mal coreografadas de série japonesa e umas montagens de cena… bem, a montagem era brasileira mesmo. Os Trapalhões foram melhorando aqui e ali, mas ainda estavam aprendendo o que não fazer. O grande truque dos trapalhões foi ter entendido algo que a Disney só percebeu nos anos 90. Filmes para crianças não precisam entediar os pais, tanto que há piadas só para adultos e para mulheres.

Já que o Luke Skywalker cover era o homem mais sexy do Brasil na época, eles aproveitaram todas as chances de mostrar suas… habilidades. Logo no primeiro encontro do príncipe com a princesa, as blusas dos dois abrem do nada e um recebe o outro de peito aberto. Os caras eram tão antenados que já defendiam a igualdade de gênero antes de começarem a fazer textão sobre o assunto? Minha opinião? Isso tá mais pro que acontece quando você grava com gente muito vestida, numa praia, em pleno verão. Calor não escolhe gênero!

Tropeços a parte, este filme não só foi sucesso de bilheteria como é conhecido mundialmente como Brazilian Star Wars. Prova de que muitas vezes a farsa vence a força.

Disponibilizamos o filme inteiro caso queira assistir.

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas1978 ‧

Comédia/Ficção científica ‧ 1h 38m

Vindo do espaço, o príncipe Flick pede ajuda dos Trapalhões para libertar o planeta onde vive do domínio do malvado Zuco. O príncipe oferece uma recompensa, que é aceita pelos quatro amigos, que embarcam em uma nave espacial.

Data de lançamento: 18 de dezembro de 1978 (Brasil)

Direção: Adriano Stuart

Música composta por: Beto Strada

Produtora: Rede Globo

Roteiro: Renato Aragão, Adriano Stuart, Hélio Ribeiro

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