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Odisseia Cósmica: O dia em a arrogância de um Lanterna Verde destruiu um mundo

Jim Starlin e Mike Mignola produzem um clássico dos anos 80

O erro de John Stuart destruiu Xanshi

 

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Publicada nos Estados Unidos em 1988, e aqui no Brasil, pela editora Abril, em 1990, Odisseia Cósmica, escrita por Jim Starlin e com a arte característica de Mike Mignola (criador do Hellboy), narra uma improvável aliança entre Darkseid de Apokolips, os Novos Deuses de Nova Gênese, e um grupo de super-heróis terrestres, para impedir que um ser de imenso poder chamado Entidade Antivida consiga atravessar de seu universo para o nosso, provocando a sua destruição.

Após Metron, um dos Novos Deuses, em sua eterna busca por conhecimento, adentrar o universo da Entidade Antivida, ele percebe que cometeu um terrível engano, e retorna imediatamente para o nosso universo, selando a passagem.

Apesar de ele ter conseguido impedir o pior, a Entidade conseguiu que quatro manifestações do seu poder, chamadas espectros, atravessassem junto com Metron, tendo como missão, destruir quatro planetas. Se pelo menos dois dos espectros obtivessem sucesso, isso provocaria o colapso da Via Láctea, o que permitiria a sua entrada em nosso universo.

Os quatro planetas alvos dos espectros são a Terra (óbvio, tudo que é desgraça cai sobre nós), Rann, Thanagar e Xanshi.

Para impedir tamanha tragédia, Darkseid e o Pai Celestial convocam Superman, Batman, Caçador de Marte, Estelar e o Lanterna Verde John Stewart para se unirem com Órion, Magtron e Forrageador, que são posteriormente divididos em duplas e cada uma delas enviada para um dos planetas.

Devo dizer que eu tenho sérios problemas com a premissa de Starlin, o que me impede de gostar de Odisseia Cósmica, começando pelo fato de que se o que está em risco é o universo, qual é a justificativa para enviar apenas uma dupla de heróis para cada planeta?

Veja o caso da dupla que fica encarregada de capturar o espectro que foi enviado para a Terra, Batman e Forrageador; o próprio Órion menciona o fato deles serem deficientes em poder, e mesmo assim, o Homem Morcego se limita a dizer que darão conta.

Onde estão todos os outros heróis? Mulher Maravilha, Flash, Capitão Marvel, o Lanterna Verde Hal Jordan? Estavam fazendo algo mais importante? A Terra e o UNIVERSO estão em risco, o que pode ser mais importante do que isso???

Batman chega no planeta Terra com o Forrageador e a primeira coisa que ele faz é dar um telefonema. Não sabemos com quem ele está falando, mas ele pede para que a pessoa do outro lado da linha fique de olho em Darkseid que está em Nova Gênese.

Não dá para negar que impressiona, já que o Morcego conhece alguém com tamanho poder e que atende prontamente um pedido seu, mas, depois, parando para pensar, e a droga da Terra? Se você tem contatos tão poderosos, por que não os acionar para ajuda-lo em uma missão que envolve o fim dos tempos?

Eu poderia continuar, mas ao invés de apontar defeitos, prefiro destacar um dos momentos mais marcantes da história, quando John Stewart comete o maior erro de sua vida, resultando na destruição de um planeta e na morte de milhões de seres vivos.

Stewart e o Caçador de Marte são enviados para o planeta Xanshi, e uma vez lá, descobrem que o espectro tomou posse de uma estação de controle climático, onde consegue utilizar o clima e lança-lo contra aqueles que a ameaçarem.

O anel dos lanternas verdes é considerada uma das armas mais poderosas do universo, e Stewart demonstra ter confiança irrestrita em suas capacidades, a ponto de menosprezar por completo o seu oponente.

Se pensarmos que o poder de um Lanterna Verde está vinculado à sua força de vontade, e que, quanto maior ela, maior o seu poder, a arrogância e a convicção de que não pode ser derrotado, tornam Stewart um adversário formidável.

Esse sentimento de superioridade chega a tal ponto, que o Lanterna prende o marciano em uma redoma de energia esmeralda, sob a alegação de que ele iria apenas atrapalha-lo, uma vez que teria que se preocupar em protege-lo.

Veja bem, estamos falando do Caçador de Marte, não do Robin, um sujeito que tem força e agilidade semelhantes às do Superman, e que além disso vem com invisibilidade, intangibilidade, telepatia e a capacidade de se metamorfosear de brinde.

É esse cara que John Stewart preferiu deixar para trás porque só iria atrasa-lo.

Logo depois, ele começa a falar sozinho e faz um puta de um monólogo dizendo o quanto ele é o máximo, o quanto o anel energético é poderoso, que nada pode detê-lo, que ele faz e desfaz, que dá três seguidas sem parar para descansar, até que, finalmente, chega no covil do espectro, e com que ele se depara?

Pois é, com a bomba do juízo final pintada de amarelo.

E qual é a fraqueza dos lanternas verdes?

A maldita cor amarela!!!!!

E agora, hein, senhor “eu sou o pica das galáxias, fica aí marciano, enquanto eu resolvo”? Faz o que esse anel?

Ele chora, é isso que ele faz, e o planeta explode, e milhões morrem!

Cadê o Hal Jordan quando a gente precisa dele?

 

Bom, posteriormente, ainda em Odisseia Cósmica, a dor de ser o responsável pela morte de um planeta, leva John Stewart a enviar o seu anel para vinte anos luz de distância (é, isso mesmo que você ouviu, vinte anos luz), pegar uma arma no arsenal de Nova Gênese, apontar para sua cabeça e pensar seriamente em cometer suicídio.

É uma cena forte, com grande carga dramática. Sem ser percebido, o Caçador de Marte observa tudo, e quando Stewart abaixa a arma, demonstrando não estar certo de que é isso que quer fazer, ele surge, perguntando se o Lanterna vai se matar ou não.

Mais do que isso, ele insiste que é o melhor a ser feito, que Stewart não está capacitado para a importância das missões que lhe são atribuídas, que não sabe lidar com as consequências das decisões que toma e aprender com seus erros: “Faça um favor ao universo e conclua sua autodestruição”, conclui.

Após ouvir tudo isso, Stewart desiste de se matar e ainda manda o marciano se ferrar, deixando-o para trás.

O último quadro é um desnecessário close do Caçador de Marte com um sorriso no rosto, dando a entender que era o que ele pretendia desde o início.

O leitor é capaz de concluir isso, e após presenciar a morte de um planeta devido única e exclusivamente aos atos do Lanterna, salva-lo é aceitável devido ao que o marciano acredita, mas não parece haver motivos para sorrir.

Não sei dizer se posteriormente, nas histórias com John Stewart, a destruição de Xanshi foi devidamente aproveitada.

Existem, é claro, outros pontos positivos em Odisseia Cósmica, como o sacrifício do Forrageador ou o massacre dos Thanagarianos promovido por Órion e que enfureceu o Superman, mas isso é assunto para outro dia.

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