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O Profissional (1994)

Luc Besson inova ao criar um assassino de aluguel ingênuo

Fernando Fontana aluga O Profissional.

Filmes com matadores de aluguel como protagonistas existem muitos, basta uma rápida procurada no Google e você encontrará vários deles, o que diferencia “O Profissional” do diretor Luc Besson dos demais é justamente o assassino, Léon (Jean Reno).

Ao contrário do que poderia se esperar, ele não toma uísque, toma leite, não se veste de forma elegante ou mora em um apartamento luxuoso, sua melhor amiga é uma planta, não sabe escrever e tem dificuldade de interagir com pessoas.

Dificilmente alguém olharia para este homem e diria que se trata de um dos mais letais assassinos de Nova York, o que, convenhamos, é muito bom na profissão que escolheu.

Besson garante que logo no primeiro serviço de Léon tenhamos uma ideia do quão bom ele é, a sombra da morte que paira sobre seus alvos, eliminando um a um os que se encontram em seu caminho.

Sua vida solitária muda para sempre, quando a família disfuncional de Mathilda (uma jovem Natalie Portman em início de carreira), menina de 12 anos, moradora do mesmo prédio, é assassinada por policiais corruptos em busca de cocaína.

Mathilda busca abrigo no apartamento de Léon, que, apesar de relutar no princípio, acaba aceitando mantê-la ao seu lado, treinando-a para que um dia possa vingar o assassinato de seu irmão menor, único com quem ela realmente se importava.

O segundo ato do filme se dedica à relação de ambos, em um contraste muito interessante; Mathilda, com sua pouca idade, se revela bem menos ingênua do que Léon, o assassino que agora a protege.

A cena em que ela interpreta atrizes e cantoras famosas enquanto ele tenta adivinhar quem são, nos mostra um Léon constrangido, tímido, reforçado pela feição e olhares desviados do ator Jean Reno.

Repare que, em mais de uma ocasião, ao receber um elogio, ele se engasga com o leite que está tomando.

De fato, a única coisa em que Léon parece ser confiante, é sua profissão, e ele não parece ver qualquer problema em matar por dinheiro, sua única regra é não assassinar mulheres ou crianças.

Aos poucos se desenvolve uma relação paternal entre Léon e Mathilda, embora, a menina acredite estar se apaixonando por ele.

O mundo não é um lugar seguro e ele tenta protege-la dos seus perigos; mais uma vez fugindo do óbvio, Besson opta por não gerar um conflito entre Léon e Mathilda. Ao perceber que ele está se tornando superprotetor, ela não se revolta ou fica agressiva, aceita e até gosta, em grande parte, porque, segundo suas próprias palavras, jamais teve isso por parte do pai que morreu.

O homem que colocará em risco essa relação e de quem Mathilda quer se vingar é o policial do DEA, viciado e psicótico Norman Stansfield, interpretado por Gary Oldman, em uma de suas atuações menos contidas, por assim dizer. Oldman nos convence que seu personagem está constantemente beirando o limite da sanidade, podendo explodir a qualquer momento.

Para um bom exemplo do que estou falando, veja a clássica cena em que ele pede para que um dos policiais “traga todo mundo”.

O roteiro consegue fazer você se afeiçoar pela dupla Léon e Mathilda, querendo que ambos fiquem juntos, torcendo pelo final feliz; junte isso à interpretação de Gary Oldman e o ódio que sentimos pelo seu personagem, e no clímax, o telespectador estará do lado do assassino, sem se tocar que muitos daqueles policiais que estão sendo mortos por ele, provavelmente não são corruptos como Stansfield.

Aliás, é preciso mencionar as cenas de ação, que são excelentes, mesmo com o protagonista saindo completamente do estereótipo do brucutu indestrutível dos anos 80 e 90, você compra a ideia de que ele é capaz de aniquilar sozinho dezenas de homens armados até os dentes.

Com boa direção, boas atuações, e uma história que une ação e sentimento, fugindo do convencional, “O Profissional” é uma aposta certa para quem gosta do gênero.

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