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O Mágico de Oz (1939)

Mais de 80 anos atrás, Judy Garland brilhava em clássico baseado no livro homônimo de Lyman Frank Baum

Para a história em geral, 1939 é conhecido como o ano em que teve início a Segunda Guerra Mundial, quanto tropas alemãs invadiram a Polônia, mas para os cinéfilos, é também o ano em que a MGM deu as cartas nos cinemas com dois dos maiores clássicos de todos os tempos, “E o Vento Levou” e “O Mágico de Oz”, sobre o qual falaremos hoje, ambos dirigidos por Victor Fleming.

Para ser justo, embora Fleming seja o único creditado pela direção de “O Mágico de Oz”, houveram outros quatro diretores diferentes neste longa baseado no livro escrito por L. Frank Baum em 1901, sendo que o trabalho de Richard Thorpe, a primeira escolha do estúdio, não agradou, fazendo com que fosse demitido e as cenas por ele gravadas, descartadas.

A história, é provável que você já conheça, fala sobre a pequena Dorothy Gale (Judy Garland), que morava com seus tios em uma fazenda no Kansas. Após seu cachorro, Totó, morder a rica e cruel senhorita Gulch (Margaret Hamilton), a mesma aparece na fazenda com uma ordem judicial que lhe permite levar o cão para ser sacrificado.

O cão, esperto, consegue fugir da senhorita Gulch e retorna para Dorothy, que decide fugir de casa para salvar seu animalzinho de estimação. No caminho ela encontra o estranho professor Marvel (Frank Morgan), que utilizando uma bola de cristal convence a menina de que sua tia está doente de tanta preocupação. Ao retornar para a fazenda, Dorothy busca abrigo para se proteger de um tornado que lança ela e a casa onde se escondia no encantado mundo de Oz.

A fotografia do primeiro ato, que se passa no Kansas, é toda em sépia, sem cores, retratando um mundo onde os problemas de Dorothy são ignorados pelos adultos na maior parte do tempo, e de onde ela gostaria de fugir. Daí, a bela letra de “Over The Rainbow” interpretada por Judy Garland e que rendeu o Oscar de melhor canção original em 1940: “Em algum lugar além do arco-íris, bem lá em cima, existe uma terra sobre a qual ouvi falar, uma vez em uma canção de ninar.. onde os problemas derreteram como balas de limão muito acima das chaminés, é lá que você vai me achar”.

Ao abrir a porta de sua casa, o mundo de Oz vibra em cores graças ao uso da então inovadora tecnologia Technicolor. Não, o “Mágico de Oz” não é o primeiro filme colorido da história, mas utiliza todo o potencial das cores em sua narrativa, sendo por isso reconhecido.

Se no Kansas, Dorothy é ignorada, em Oz, ainda que não intencionalmente, ela se torna heroína e é ovacionada pelos pequenos munchkins, já que a casa em que chegou esmaga a malvada bruxa do Leste. Para voltar ao Kansas, segundo Glinda, a bruxa do Norte (Billie Burke), ela deve seguir a estrada de tijolos amarelos, que a levará até o misterioso mágico de Oz, governante da cidade Esmeralda.

Para ajudá-la, ao contrário de um “perfeito” príncipe encantado, como nos contos da Disney, ela encontrará e seguirá viagem com um Espantalho (Ray Bolger), que deseja um cérebro, um Homem de Lata (Jack Haley) que deseja um coração, e um Leão Covarde (Bert Lahr) que deseja coragem. Todos acreditam que o mágico de Oz poderá conceder os seus desejos.

Todos têm excelente atuação, caricata, é bem verdade, mas sem parecer tola, com muita teatralidade, lembrando que, estamos no final da década de 30, em que o cinema aprendeu a lidar com o som, e muitos atores carregavam hábitos derivados dos filmes mudos, onde o corpo e a expressão facial eram ainda mais importantes.

Enxergada com os olhos de hoje, com efeitos especiais pipocando nas telas, os figurinos e a fotografia de “O Mágico de Oz” têm problemas óbvios, com cenários claramente pintados, mas é bom lembrar que estamos falando de oitenta anos atrás, e o mundo de Oz, suas florestas e a Cidade Esmeralda foram produzidas com o que havia de melhor na época, rendendo, inclusive, indicação ao Oscar de melhor fotografia colorida, perdendo para “E o Vento Levou”.

O drama da MGM, aliás, foi o grande responsável por “O Mágico de Oz” não ter recebido mais premiações, já que levou oito estatuetas enquanto Oz ficou com apenas duas. Não por acaso, o diretor Victor Fleming, ao ser convidado pelo estúdio para dirigir “E o Vento Levou”, não hesitou, abandonando o longa e sendo substituído por King Vidor, que dirigiu as cenas finais de Dorothy e seus companheiros.

Ainda assim, como já dito no começo deste artigo, Fleming foi creditado como único diretor de “O Mágico de Oz”, o que fez dele o grande nome do cinema naquele ano.

É no final do filme que talvez se encontre seus maiores problemas, a começar pelo fato de que no longa, ao contrário do livro, a existência de Oz é colocada em dúvida, já que se dá a entender que tudo poderia ter sido apenas um sonho ocorrido após Dorothy ser atingida na cabeça durante o tornado.

A mensagem final mostra que tanto a jovem quanto o trio que a acompanha já possuíam o que buscavam, afinal, o Espantalho era inteligente, o Homem de Lata se emocionava, correndo o risco de enferrujar ao chorar, e o Leão, ainda que com medo, o enfrentou para salvar Dorothy das garras da bruxa e dos seus macacos voadores.

A própria menina seria capaz de voltar para casa batendo seus sapatos de rubi três vezes e pronunciando a frase: “não há melhor lugar do que o nosso lar”. Fica, no entanto, uma sensação de que isso é pouco e de que a lição não é bem essa. O Kansas permanece em preto e branco, e Dorothy, agora sabe do que é verdadeiramente capaz, podendo enfrentar os desafios e os problemas que a vida lhe impõe, colorindo seu próprio mundo.

É bom que se diga, o resultado final de “O Mágico de Oz” foi obtido a um custo elevado, em uma produção repleta de polêmicas, ambiente estressante e atores deprimidos. Garland, então com 16 anos, foi a que mais sofreu, sendo assediada pelos atores que interpretavam os munchkins e agredida com um tapa pelo diretor Fleming.

Com a produção obcecada pelo peso da jovem, Garland se submetia a severas dietas e tomava estimulantes. A atriz carregou uma imagem distorcida do próprio corpo e o vício em pílulas para dormir pelo resto da vida, sendo encontrada morta em sua própria casa, aos 47 anos, vítima de uma overdose de sedativos.

Também ocorreram diversos acidentes, como o ocorrido com Buddy Ebsen, o primeiro escolhido para interpretar o Homem de Lata, mas que precisou ser hospitalizado devido a uma grave reação à tinta prateada utilizada em sua maquiagem, sendo substituído no dia seguinte por Jack Haley.

A atriz Margaret Hamilton, que interpretou a Bruxa Má do Oeste, teve parte do corpo queimado em uma das cenas. O ator Bert Lahr, que interpretou o Leão Covarde precisava utilizar um figurino feito com pele de leão, muito quente e que pesava aproximadamente 90 quilos, o que, ainda assim, era melhor do que a ideia original de utilizar um leão verdadeiro nas filmagens e depois dublá-lo em estúdio.

Com um orçamento de 2,8 milhões de dólares, e uma arrecadação de 3 milhões, o filme escapou do prejuízo por pouco, mas o passar dos anos e a exibição na televisão fizeram o público mudar de ideia e se apaixonar pelo longa, dando a ele, finalmente, o status de clássico eterno.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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