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O Guia do Mochileiro das Galaxias (2005)

E chegamos a mais um dia da toalha.

Sim, você tem o direito de chamar o dia por aquele outro nome, mas apesar de sermos orgulhosos, não somos minorias.

O dia da toalha surgiu por causa de Douglas Addams e de seu livro, O Guia do Mochileiro das Galáxias, que por incrível que pareça… começou como um programa de rádio. É difícil medir a importância dessa trilogia de cinco livros não só para a cultura pop como para tudo que veio depois, principalmente quando lembramos que nos primórdios da internet, tivemos um tradutor chamado Babel Fish e um agregador de comunicadores chamado Trillian. E essas são só algumas referências a obra desse inglês genial que começou esse projeto maluco durante a fase em que comandou a equipe de roteiristas de Doctor Who.

Em 2005, fomos presenteados com uma adaptação cinematográfica de seu primeiro livro. Considerando a constante busca de Hollywood por franquias, bem… até que foi bem tarde, né?

Caso você não conheça a história, ela gira em tono de Arthur Dent (Martin Freeman), um Inglês comum que um dia descobre que sua casa vai ser demolida para a construção de uma rodovia no mesmo momento em que o mesmo seria feito com a terra. Salvo pelo seu amigo Ford Prefect (Mos Def), ele pega duas caronas “perigosas”.

Sua primeira parada é uma nave Vogon, uma raça de burocratas que além de depender de todo tipo de formulário para tomar decisões, escreve a pior poesia do universo. Sua segunda parada é a nave Coração de Ouro, que havia sido roubada por Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell), presidente da galáxia, que estava entediado com suas obrigações e decidiu seguir numa aventura em busca do sentido da vida, do universo e tudo mais. Uma de suas primeiras paradas é na terra, onde ele passa uma cantada idiota em Patricia McMillan (Zooey Deschanel) , também conhecida como Trish ou Trillian. E por último, mas não menos importante: Marvin, o “Paranid Android”. Lembra da música do Radiohead? Pronto! Você acabou de descobrir o que a inspirou.

Por mais que nem todos os efeitos tenham sobrevivido ao teste dos 15 anos, o filme em si é atemporal. O que faz sentido, uma vez que parte desse roteiro foi escrito pelo próprio Addams, que tem o hábito de atualizar tanto a história quanto a narrativa e as referências. Um bom exemplo é Humma Kavula (John Malkovich)o ex-pirata que virou monge e acabou perdendo a corrida presidencial para Zaphod.

Além disso, o filme tenta adaptar (com sucesso) o sarcasmo quase dadaísta do texto de Douglas Addams, que se vale disso para levantar questionamentos sérios como a busca pelo sentido da vida e o descaso das lideranças, que fazem de tudo pra se manter no poder. Isso sem falar das questões religiosas e filosóficas. O filme nos leva a questionar o sentido da vida, deixa implícito que Trish e Arthur são o Adão e a Eva pós modernos e ainda nos introduz “o grande arquiteto do universo”. Quer um pouco de metalinguagem? As naves Vogon são cubículos, o que diz muito sobre os personagens e a arma do ponto de vista, que foi criada por mulheres, não funciona em uma.

Sim, é um filme profundo que jamais será um filme cabeça. A primeira leitura que temos não é essa e é comum que a maioria só leia a camada em que ele parece com uma comédia descerebrada de ficção científica. E a escolha de atores só colabora. Sam Rockwell, a versão mais barata do Tom Cruise mostra todas as suas caras, bocas e exageros, o filme apresenta Zooey Deschanel antes dela ser o estereótipo da nerd gostosa engraçada e esquisitinha que conhecemos atualmente, Martin Freeman antes de Sherlock e da Marvel, John Malkovich mostrando porque ele seria um ótimo Elton John, Hellen Mirren que fez a voz do Pensador Profundo numa época em que era bem menos incensada e bem… Tem Stephen Fry e John Cleese em papéis que só reforçam o tom de comédia do filme.

Evidentemente, também é possível reconhecer vários elementos e recursos narrativos de filmes B dos anos 50 e 60, que devem ter servido de influência pro autor.

Sim, é uma divertida colcha de retalhos que vale a pena ser assistido e reassistido, uma vez que você sempre verá algo diferente. Sim, Douglas Addams merece um dia para chamar de seu. Estamos falando de uma série de rádio obscura de 1978 que virou livro no ano seguinte e que inspirou tantas gerações. O curioso que é que seguindo o estilo absurdo do próprio autor, a homenagem é feita 14 dias após sua morte.

Vale constar que o dia da toalha não é o dia do orgulho nerd. Por mais absurdo que seja, os dois são celebrados na mesma data.

O Guia do Mochileiro das Galaxias (2005)

3 de junho de 2005 / 1h 48min / Ficção científica, Comédia, Aventura

Direção: Garth Jennings

Roteiro Douglas Adams, Karey Kirkpatrick

Elenco: Martin Freeman, Yasiin Bey, Sam Rockwell

Título original The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy

SINOPSE

Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, Arthur Dent (Martin Freeman) é um homem normal, que está tendo um péssimo dia. Após saber que sua casa está prestes a ser demolida, Arthur descobre que Ford Prefect (Mos Def), seu melhor amigo, é um extraterrestre e, para completar, fica sabendo que a Terra está prestes a ser destruída para que se possa construir uma nova auto-estrada hiperespacial. Sem ter o que fazer para evitar a destruição de seu planeta, Arthur só tem uma saída: pegar carona em uma nave espacial que está de passagem. Ele passa então a conhecer o universo, sendo que tudo o que precisa saber sobre sua nova vida está contido em um valioso livro: o Guia do Mochileiro das Galáxias.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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