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O Estranho Pantera Negra de Jack Kirby

Após a morte de Chadwick Boseman, o Pantera Negra está em alta.

Brincadeiras a parte, resolvemos homenagear dois falecidos importantes da cultura Pop: Boseman e o “Rei” Jack Kirby, um dos criadores dos pilares do Universo Marvel, que após uma ausência razoável, retornou à editora. Na nova passagem, além de criar conceitos que estão indo para o cinema como Os Eternos, acabou revisitando dois personagens que ajudou a criar.

Antes de mais nada, um esclarecimento: O Pantera Negra do Jack Kirby é um super-herói genérico, que funciona para a história que o autor quer contar, mas não conversa com nenhuma das outras versões mais sérias e panfletárias do personagem.

Em 1976, o Rei voltou pra Marvel e decidiu fazer uma espécie de Kirbyverso, onde além de criar personagens novos, isolou os que caíram na sua mão. Foi o caso do Capitão América e dessa versão do Pantera Negra, que foram retirados do Universo Marvel para impedir desencontros com as ideias de outros roteiristas.

A série veio no rastro do sucesso das histórias do personagem escritas por Don MacGregor, que abordaram temas importantes para os negros daquela época, dando alguma visibilidade a um personagem que até então, era tratado como o negro necessário nos quadrinhos que aparecia.

Lado a lado: A série do Pantera Don MacGregor e A série de Kirby.

A verdade é que Kirby devolveu o personagem às suas origens e ignorou tudo que havia sido feito após sua saída da editora. Exatamente como tinha feito com o Arqueiro Verde nos anos 50, ele abriu o armário da ficção científica e começou a contar as histórias que queria, só mudando o personagem.

Dá pra reconhecer muitos elementos do Etrigan nesse Pantera Negra. A busca pelo Sapo do Rei Salomão, da água rejuvenescedora, o grupo de colecionadores… é bem possível que ele tenha adaptado algo que pretendia usar no título que foi cancelado anos antes. Junte isso aos elementos do roteiro Kirbiano e temos uma história aventuresca datada e com elementos que não condizem com o personagem usado.

Na série, T´Challa é convocado por um amigo de sua avó, um anão chamado Sr. Little para investigar o sapo do Rei Salomão, um artefato antigo capaz de deslocar elementos de seu tempo, o que acaba gerando o problema dos dois números seguintes, O Homem de Seis Mil anos, que veio do futuro por engano e acaba enfrentando o rei de Wakanda e seus amigos durante sua busca pelo segundo sapo. Ao longo do caminho, eles encontram amigos, inimigos e adversários que se tornam aliados. É o Caso da princesa Zanda, que os acompanha ao longo desta aventura.

Um ponto interessante é que Kirby cria uma família para o personagem, um grupo de herdeiros que tem diplomas e cargos importantes na civilização e se recusam a aceitar o manto do Pantera até o momento em que precisam enfrentar uma monstruosidade criada pelo Vibranium. Quando descobrem que o sangue da pantera corre em suas veias, eles se tornam os Mosqueteiros Negros. Se isso parecer uma piada de mau gosto em 2020, entenda que na época, o “Rei” levou isso bem a sério.

Releitura do Pantera Negra de Kirby feita por Priest.

O que torna esses “Mosqueteiros” ainda mais curiosos é que eles vestem uma das primeiras versões da roupa do Pantera Negra, um design rejeitado por Lee que Kirby finalmente poderia usar. Falando em vestuário, o povo Wakanda parece que evoluiu a partir da Patrulha da Selva e dos Pigmeus de Bandar. Será que nosso autor leu Fantasma e Alan Quarterman demais?

E sim, Quarterman, uma das inspirações do Indiana Jones está presente em cada quadrinho da história que mostra o Pantera girando o globo em busca de aventuras aventurescas em ambientes estranhos. Ler essa versão do Pantera Negra equivale a um passeio na Tomorrowland ou no Future World do Epcot Center, onde vemos vários conceitos futuristas datados.

Kirby até se esforça, mas acaba nos entregando não só o futuro do pretérito como uma ora incompleta. Das 15 edições da revista, ele produziu 12 e coube a Jim Shooter e ED Hannigan a tarefa de finalizar tanto a história quanto o título. Nas duas últimas edições, o Pantera não só estava de Volta aos Vingadores, como atuou em Nova Iorque, o que devolveu o personagem ao Universo Marvel e concluiu uma das sagas mais bizarras da Marvel.

Por mais que todos tenham concordado em fingir que aquilo nunca existiu, Christopher Priest ressuscitou essa versão do personagem durante sua passagem pelo selo Marvel Knights. Na história, tudo que foi narrado neste título fazia parte de um universo alternativo e o “verdadeiro” Pantera sequer conseguia entender as atitudes desta sua contraparte menos engajada.

Vale lembrar que o material já era datado para a época. Em 1977, a Marvel já tinha John Byrne, Jim Starlin, Frank Miller, George Perez e muitos outros artistas que evoluiriam o traço e a narrativa para além de onde o Rei tinha parado, o que causou estranheza nos fãs que estavam acostumados a materiais mais modernos.

Como vocês já devem imaginar, o título foi cancelado por falta de vendas.

Kirby e o personagem só se reencontraram nas capas dos Vingadores que ele desenhou.

Já conhecia essa fase do pantera Negra? Comente o que achou.

Confira abaixo imagens da série.

 

Senta, que lá vem história.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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