No Século Passado

O dia em que o Superman arrancou o braço do Cyborg

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler

Este não é um trabalho para o Superman:

Imagine você, dando um passeio pelas ruas de Metropolis, quem sabe fazendo umas comprinhas, tomando um sorvete de baunilha, quando olha para cima e vê que o Superman, um dos maiores super-heróis do planeta e ilustre defensor da cidade, surtou completamente e está esmurrando edifícios por diversão.

O que você faria?

Novos Titãs ou sacos de pancada?

Não sei você, mas aqui vai uma dica, se o Superman pirou, você corre para o lado oposto e não olha para trás.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Cyborg em janeiro de 1987, na Action Comics 584, cortesia de John Byrne; o membro dos Novos Titãs estava suave na nave, dando uma volta, quando o Superman perdeu o controle. Infelizmente, fugir vai contra as regras do sindicato dos super-heróis, então, lá foi ele, peitar um sujeito que ergue um transatlântico com uma mão nas costas.

Primeiro ele até tentou bater um papo, sacar o que estava rolando, mas o azulão o ignorou completamente, tipo, fingiu que nem ouviu. O Cyborg então tentou uma abordagem diferente e menos sutil, jogando uma placa de metal no Superman.

Bom, aqui vai outra dica, não jogue uma placa de metal em um Superman puto da vida, isso não é muito saudável.

Convenhamos, o Cyborg até que é casca grossa, mas não dá para ele encarar o Kryptoniano, que partiu pra cima com tudo e arrancou um braço e uma perna do herói, mas, tranquilo, porque eram membros cibernéticos, então não teve sangue espirrando para todo lado como em um filme do Tarantino.

Depois de quase morrer, Cyborg finalmente decide que talvez seja uma boa ideia pedir ajuda, e liga para a sua equipe na Torre Titã.

Mutano e Moça Maravilha chegam para ajudar, mas ainda sem pensar muito no que estão fazendo, como, por exemplo, Mutano, que se transforma em elefante verde e tenta derrubar o Homem de Aço com uma cabeçada.

Cacete, Mutano, sério mesmo?

Um elefante contra o Superman, você achou mesmo que ia dar certo?

Com o Cyborg desmembrado e o Mutano nocauteado, sobrou a Moça Maravilha, que até se esforça, mas também quase vai dessa para melhor.

Finalmente chega para salvar o dia, Jericó, o herói que tem o poder de controlar o corpo dos adversários e….

Espera um pouco, esse cara fazia parte dos Novos Titãs e mesmo assim eles tentaram derrubar o Superman no soco?

Puta merda, que falta que faz um Batman nessas horas, hein.

Bom, Jericó assume o controle do corpo do Superman e, surpresa, não era o Superman….bom, era o corpo dele, dominado pela mente de um cientista.

Verdades secretas:

Ficamos sabendo que um cientista chamado David Gundersen, conseguiu enganar o Superman dizendo que precisava de sua ajuda para criar uma nova forma de energia não poluente, quando na realidade era apenas uma máquina capaz de trocar a mente do Superman com a sua.

Enquanto a mente de Clark Kent foi para o corpo debilitado do cientista, ele ficou com o corpo do Superman.

E o que o cientista fez com o novo corpo sarado e superpoderoso que obteve?

Foi conquistar umas gatinhas? Ganhar rios de dinheiro? Voar pelo céu azul e, cara, dane-se o céu azul, eu já falei das gatinhas, não falei?

Não, ele foi destruir prédios por diversão, porque é claro que um Superman fora de controle não iria atrair a atenção de cada super-herói do planeta.

Então, basicamente o cientista roubou o corpo do Superman, e Jericó roubou o corpo que o cientista roubou.

A solução e o fim do dilema:

Para encerrar, Superman cuja mente estava no corpo do cientista tapado, consegue fugir e explicar o ocorrido para os Titãs. Depois disso, foi só destrocar as mentes acionando um botão na máquina.

A sorte é que na época não tinha internet e redes sociais bombando para o pessoal falar mal do Superman que perdeu o controle, e dizer que o lance de troca de mentes foi só uma desculpinha.

Caso você tenha se interessado por essa história, ela foi publicada recentemente no encadernado “A Saga do Superman”, Vol. 2, pela Panini Comics.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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