No Século Passado

O dia em que o Santo dos Assassinos Congelou o Inferno

Entre todos os personagens de Preacher, série de quadrinhos escrita por Garth Ennis, um dos mais icônicos, sem dúvida, é o Santo dos Assassinos, que com suas duas colts promoveu massacres, matando quase tudo que o “bom” Deus permitiu que cruzasse o seu caminho.

Nós já falamos sobre ele aqui nesta coluna, sobre o dia que os anjos tiveram a infeliz ideia de acordá-lo de seu sono para que ele caçasse o pastor Jesse Custer e recuperasse a entidade Gênesis, fruto de uma bela de uma trepada entre um serafim e de uma demônio.

A primeira coisa que o Santo fez ao acordar foi explodir a cabeça do anjo que o incomodou.

Agora, uma coisa eu te digo, peregrino, vale a pena escutar a história por trás da origem deste pistoleiro desalmado, que quando quer molhar a garganta, bebe veneno de cascavel, e cujo maldito coração é tão gelado que congelou o próprio Inferno.

Não, não é força de expressão, ele realmente congelou o inferno!

Puxa uma cadeira, eu te conto.

Com o sucesso do personagem em Preacher, Garth Ennis escreveu e publicou em 1996, uma série especial em quatro edições, que narrava o período em que ele ainda era mortal e a razão pela qual ele se transformou no Santo de todos os matadores.

Ficamos sabendo que desde quando respirava, William, já era uma máquina de matar, que ganhou gosto pela coisa durante a Guerra Civil Americana, acabando com dúzias de nortistas, para depois se transformar em um implacável caçador de recompensas.

Aquele homem é tão mau quanto o próprio Satã”.

Essa provavelmente teria sido sua vida e sua sina, caso não tivesse trombado com uma jovem que o fez enxergar algo mais que uísque e matança sem fim. Eles se casaram e ela lhe deu uma filha, e por alguns anos, William viveu uma espécie de sonho, que terminou quando a febre ceifou a vida das duas únicas criaturas que já amou.

O pior de tudo foi que ele teria conseguido voltar a tempo com o remédio que salvaria sua esposa e filha, se não fosse o desgraçado Gumbo McCready, e seu bando de foras da lei.

Ennis cria aqui o terreno fértil para o surgimento do Santo, se um dia ele sentiu algo de bom, provou-se um erro, e em um caldeirão infernal misturou-se maldade pura com desejo ardente de vingança, transformando-se em um ódio jamais visto desde que o mundo é mundo.

Ao morrer, para o céu é que William não iria, então, seu destino foi o Inferno, e seria apenas mais uma alma condenada pela eternidade, se ódio não fosse a única coisa que sentisse, tão forte que apagou as chamas infernais e congelou o reino de Satã.

Puto da vida, o rei das hostes demoníacas tentou comer o coração do recém-chegado, mas de tão gelado que era, não conseguiu, tentou então incutir medo em sua miserável carcaça, açoitando-o até os ossos, mas nada mudou, e ainda nevava onde rios incandescentes deveriam correr.

Com os portões congelados e os pecadores impedidos de entrar, Satã estava prestes a desistir de seu reino.

A pior de todas as ideias desde que Eva deu ouvidos à serpente e comeu a maça, veio do “Anjo da Morte”, que estava entediado com o serviço que Deus lhe deu. Disse ele para Satã:

Eu tenho a solução, vamos transformá-lo no Santo dos Assassinos e devolvê-lo para Terra, onde poderá fazer aquilo que gosta de fazer”

Da espada do Anjo da Morte foram forjadas as suas colts, que jamais erram e que não podem ser contidas por qualquer proteção, e o próprio Satã costurou sua pele, transformando-o no emissário da morte.

Agora, o Anjo da Morte poderia descansar, já que sua tarefa pertencia a outro, e Satã poderia voltar a reinar em paz.

Até poderia se não tivesse os cornos estourados pelo Santo dos Assassinos pouco antes dele abandonar o inferno.

Sim, o Santo dos Assassinos explodiu a cabeça do Capiroto!

Agora, me diga lá você, essa não é uma puta de uma origem legal?

Existem outras histórias bacanas sobre o Santo e pode apostar que vamos voltar a falar sobre elas aqui.

Caso você tenha se interessado pelo material, ele pode ser encontrado no encadernado Preacher Volume 4 – “Histórias Antigas”, publicado pela Panini.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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