No Século Passado

O dia em que o Poderoso Thor levou uma surra de um morto-vivo

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Ok, tecnicamente essa história não aconteceu no século passado, mas já faz um bom tempo e é Garth Ennis, um dos meus roteiristas preferidos, logo, vamos deixar esse lance de datas para lá e nos concentrar em mais este banho de sangue e tripas, cortesia da mente insanamente criativa do irlandês.

Thor é reconhecidamente um dos super-heróis mais poderosos do Universo Marvel, afinal, ele não é um humano que ganhou superpoderes, ele é o deus do trovão, filho de Odin, o senhor de Asgard, e tanto nos quadrinhos, quanto nas telas do cinema, impõe respeito (bom, talvez o Thor barrigudo de Vingadores Ultimato nem tanto assim).

Eis que, alguém tem a brilhante ideia de dar esse personagem nas mãos de Garth Ennis, o mesmo cara que escreveu Preacher e o resultado foi “Thor – Vikings”, publicado em 2003.

Na trama, no ano de 1003, logo após chacinar uma vila na costa da Noruega, matando homens, mulheres e crianças, Harald Jaekelsson, líder de um bando de Vikings sanguinários, decide velejar rumo ao novo mundo, onde poderá seguir com seus crimes bárbaros, séculos antes de Cristóvão Colombo sequer pensar em colocar os pés em uma embarcação. Antes disso, no entanto, o sábio da vila, único sobrevivente, o amaldiçoa a velejar por mil anos antes de encontrar a terra que busca.

O encantamento funciona bem até demais, Jaekelsson e seus Vikings ficam, de fato, mil anos sem encontrar seu destino ou avistar terra, singrando o oceano como mortos-vivos, invisíveis aos olhos mortais, até que, em 2003, avistam a Estátua da Liberdade e a cidade de Nova York.

Obviamente eles não estavam muito contentes depois de passar todo aquele tempo presos em um navio Viking e já chegaram tacando o terror, matando toda e qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. A arte de Glenn Fabry funciona bem e permite que você vislumbre o resultado de crânios sendo partidos ao meio por uma espada.

Eis que nos céus, entre relâmpagos, surge Thor, para salvar as vítimas inocentes de Nova York, e, ficamos esperando por um quebra pau de respeito, mas Ennis nos surpreende com uma batalha bem mais rápida e com resultado muito diferente. Thor apanha com gosto, leva uma surra pra Asgardiano nenhum botar defeito, Jaekelsson bate nele com havaianas de pau e o chama de vadia. O loiro só não morre porque o Zumbi decide que ele não merece morrer como guerreiro e sim ter a vergonhosa morte da palha, que no caso é morrer dormindo em uma cama, como um covarde. Eu, pessoalmente, acho que prefiro a tal morte da palha, mas sabe como são esses vikings e deuses nórdicos, não é mesmo? Valhalla isso, Valhalla aquilo, parecem um disco riscado.

E dá-lhe ironia e humor negro em quadros com zumbis promovendo massacre em academias de ginástica, bares e emissoras de TV. Ennis com certeza estava se divertindo muito enquanto escrevia essa história.

E alguém deve ter perguntado para Ennis: Tá, mas isso não faz sentido, e os Vingadores, eles não apareceriam para enfrentar os monstros? Cadê eles? E Ennis dedica um único quadro para mostrar que Capitão América, Homem de Ferro e Companhia Limitada também levaram a pior.

Então, oh, quem poderá ajudar o Deus do Trovão?

Já que a treta toda envolvia um encantamento feito 1000 anos atrás, Dr. Estranho, o mago mais poderoso do mundo decide dar as caras com um tiquinho de atraso.

Para derrotar os Vikings amaldiçoados, o Dr. Estranho percebe que se o sangue do sábio da vila chacinada mil anos atrás foi o responsável, apenas o sangue dele poderá derrotar os zumbis. Para isso, ele recruta três descendentes do sábio, retirando-os de diversas épocas e trazendo-os para o presente. Entre eles, uma amazona, um guerreiro teutônico fanático religioso e um piloto de caça nazista. É, é bem forçado, mas é magia, tá ligado? Vale tudo! E a essa altura do campeonato o realismo foi para as cucuias, porque vamos combinar, são Vikings zumbis enfrentando Thor, o deus nórdico, no meio da cidade de Nova York.

Ler Thor Vikings é adentrar mais uma vez o universo de Garth Ennis, com tudo aquilo que se tornou marca do escritor, com violência e ironia em altas doses. Leia como quem vai assistir a um filme de robôs enfrentando monstros gigantes, esperando uma divertida jornada, muita pancadaria e um fiapo de roteiro unindo tudo isso.

Lançado pelo selo Max, essa história pode ser adquirida em um encadernado lançado pela Panini.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo