No Século Passado

O dia em que o Lobo matou o bom velhinho

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Existem personagens cujos poderes são exagerados, outros em que eles são muito exagerados, tem os absurdamente exagerados e tem o Lobo. Aliás, não só os poderes, em se tratando do Maioral tudo é exagero, começando pela sua origem, em que ele com apenas 17 anos promove um genocídio matando todos os habitantes de Czarnia, seu planeta natal, tornando-se o último de sua espécie.

Pois é, se o Super-Homem se tornou o último sobrevivente de Krypton quando seu planeta explodiu, foi o próprio Lobo que providenciou para que não houvesse ninguém parecido com ele no universo.

Violento, sanguinolento, sádico, inescrupuloso, indecente, todos esses adjetivos podem ser utilizados para descrever o mais eficiente dos mercenários, que não pode ser derrotado, já que uma única gota de sangue sua pode trazê-lo de volta, e, se não bastasse isso, após ser recusado pelo céu e pelo inferno (na minissérie “Lobo Está Morto”) tornou-se imortal.

Com tudo isso, quem poderia ser um adversário digno para o Maioral?

Bom, já tinham chutado o pau da barraca mesmo, então, por que não colocar o Lobo para caçar o Papai Noel?

E por que, diabos, o Lobo caçaria o Papai Noel, você pode perguntar.

Simples, porque o Coelhinho da Páscoa o contratou para matar o bom Velhinho, pois estava cansado de ficar em segundo plano, com quase todo mundo dando mais atenção para o Natal:

Diabos, o Natal já escapou do controle! O Noel tá acabando com a gente, como dá para fazer concorrência? Qual a graça de ovos de chocolate e a chegada da primavera em comparação com presentes? Peru? Neve?

Essa história bizarra saiu da mente ainda mais bizarra de Keith Giffen, criador do personagem, e conhecido por ser um dos responsáveis pela fase mais hilária da Liga da Justiça, contando com personagens como Besouro Azul, Gladiador Dourado, Guy Gardner, entre outros.

“Lobo Versus Papai Noel” foi publicada em janeiro de 1991 (e em dezembro de 1998 no Brasil), contando com diálogos de Alan Grant e ilustrações de Simon Bisley, e acabou rapidamente se transformando em uma das histórias mais conhecidas do mercenário, ganhando, inclusive, sua versão Live Action, em um muito bem-feito curta-metragem dirigido por Scott Leberecht, tendo Andrew Bryniarski no papel do mercenário; diga-se de passagem, Bryniarski está perfeito no papel, parece que Lobo realmente saiu das páginas e ganhou vida.

É bom lembrar que o Lobo tem todos os motivos para odiar o Papai Noel, já que nem por um milissegundo de sua existência foi um bom menino, logo, jamais recebeu presentes no Natal, sendo conhecido simplesmente como “o pior dos malcriados”.

Juntando a fome com a vontade de comer panetone, o Carniano partiu para exterminar Noel. Poderia ser uma missão simples, mas descobrimos que o bom velhinho não é tão bom assim, é um sujeito casca grossa, que mantém seus duendes como mão de obra escrava e exército particular, sem carteira assinada ou qualquer direito trabalhista.

Chris, “o esmagador” Kringle é seu verdadeiro nome, e todo mundo acha que ele é um santo por conta de seu departamento de marketing que é muito bom, mais ou menos como a maioria dos políticos dessa nossa terrinha.

Agora, após localizar a fortaleza de Kringle, o Maioral promove um massacre de proporções bíblicas, chacinando todos os duendes, para logo depois entrar em uma briga de facas com o chefe deles, com direito a sangue e olhos pendurados.

Se o Lobo venceu? É claro que sim, o Lobo nunca falha ou desiste de um contrato; a luta termina com a cabeça de Kringle arrancada.

Sim, eu sei, perturbador, mas, veja, naquela época, quem viu uma revista na banca com o título “Lobo Versus Papai Noel” sabia o que estava comprando, e que obviamente não seria uma obra profunda e cheia de reflexões, tratava-se do extrato da essência da zoeira sem limites, com uma ocasional chuva de sangue e tripas (algo que deveria ter sido feito no confronto Lobo versus Wolverine por exemplo).

A soma de “Lobo está Morto” e “Lobo Versus Papai Noel” dá uma dimensão do rumo e do ponto em que chegou esse personagem, com o bom senso saindo para comprar cigarros e nunca mais voltando, o que acabou se tornando uma das razões para o seu sucesso.

Então é isso, se você não ganhar presente esse ano, já sabe, a culpa é do Lobo!

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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