No Século Passado

O dia em que o Justiceiro deu um soco em um Urso Polar

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler

Em 2000, após uma das piores fases do Justiceiro, cortesia de Heterocisto Golden e Tom Sniegoski, que mataram Frank Castle e o transformaram em uma espécie de agente sobrenatural caçador de demônios, o personagem finalmente chegou às mãos de quem realmente o compreendia como ninguém, Garth Ennis.

Disposto a revitalizar Castle e devolvê-lo às suas origens, Ennis e o desenhista Steve Dillon, que trabalhou com o escritor em Preacher, ignoram solenemente a fracassada fase anterior, e o levam para Nova York, seu habitat natural, onde pode se dedicar ao seu passatempo favorito, exterminar criminosos, com uma especial predileção por mafiosos.

Apropriadamente intitulado de “Bem-vindo de Volta, Frank”, o arco de histórias, ao mesmo tempo em que esquece toda aquela baboseira sobrenatural e coloca os pés no chão, mantém os exageros e humor negro típicos de Ennis, e é sobre um destes, por assim dizer, exageros, que falaremos hoje.

Desta vez o alvo de Castle é a família Gnucci, liderada pela implacável Mama Gnucci.

Ele parte com tudo para cima dos Gnucci, mata os três filhos da Mama com requintes de crueldade, o último deles e o favorito da matriarca, Carlos, é atirado do alto do Em pire Tate Buingelas e vira uma mancha de sangue no asfalto.

Mama Gnucci, compreensivelmente, fica puta da vida e usa toda sua influência e dinheiro para garantir a morte do Justiceiro. Três assassinos são contratados para dar um fim no problema, especialistas, homens que são os melhores no que fazem, todos eles mandados dessa para melhor pelo Justiceiro com incrível facilidade.

Destaque para o artista marcial que dominava praticamente todos os estilos de luta conhecidos e que morre atropelado pelo metrô, logo após Frank lhe dar um sutil empurrão nas costas, jogando-o nos trilhos.

Dica número 1, se você estiver caçando o Justiceiro, não espere pelo metrô bem na bora da plataforma, “acidentes” acontecem.

O prefeito e o comissário de polícia também são pressionados a caçar e prender o Justiceiro, mas, bom, acontece que os policiais de Nova York não estão muito a fim de caçar um sujeito armado até os dentes que caça e mata criminosos, então, o capitão responsável recruta como chefe da Força Tarefa, composta por apenas dois homens, Marty Soap, o detetive mais azarado da delegacia.

Nós fingimos que estamos tentando prender o Justiceiro e que não aprovamos suas ações, o público finge que acredita e todos ficam felizes assim.

Todos ficam felizes, menos Mama Gnucci, porque as coisas pioram e muito pra ela.

No Central Park, enquanto seguia Mama, o Justiceiro é avistado por um de seus seguranças, que imediatamente atira contra ele. Frank só não morre porque estava com seu colete de Kevlar (e porque é o protagonista da história), mas começa a perder muito sangue e busca abrigo no Zoológico do parque, que naquele momento estava fechado.

Dica número 2, se o Justiceiro se esconde em um Zoológico, não entre lá sem reforços, pensando bem, não entre lá, ponto!

Mama Gnucci, é lógico, manda seus homens caçarem o cara que matou seus filhos e seu irmão, e lá vão os três pobres capangas enfrentarem o seu destino.

Um deles vira comida de piranhas, o outro recebe o abraço de uma anaconda, e o terceiro pula, junto com a própria Mama, atrás do Justiceiro, que está no habitat dos Ursos Polares.

Agora, se você já assistiu o comercial da Coca-Cola, sabe que Ursos Polares são animais fofinhos, bom, pelo menos até alguém os provocar ou roubar seu refrigerante.

Um dos ursos, provavelmente achando que o justiceiro fosse alimentá-lo, chega mais perto, e o que Frank faz?

Dá um soco no Urso Polar!

Eu vou repetir, caso você não tenha entendido, o Justiceiro dá a porra de um soco no focinho de um Urso Polar!

Acontece que ele estava desarmado, e decidiu enfurecer os bichinhos e logo depois cair fora do lugar, deixando o capanga e a Mama para virarem ração de Urso.

O capanga morreu, mas Mama sobreviveu, ou, pelo menos, em parte porque o Urso devorou seus braços e pernas, fazendo com que seu ódio pelo justiceiro aumentasse consideravelmente.

O justiceiro é e sempre será um personagem polêmico, mas a essência deste personagem é a de um matador frio que caça criminosos onde quer que eles estejam, utilizando armamento pesado, tortura e qualquer método que julgar necessário. Removê-lo deste cenário e transformá-lo em caçador de demônios foi um dos maiores erros dos quadrinhos na década de 90.

Posteriormente, no selo Max, Garth Ennis continuaria a saga do Justiceiro em uma série de histórias, publicadas pela Panini em quatro encadernados no selo Marvel Deluxe.

Todo o arco de “Bem-vindo de Volta, Frank” foi publicado pela editora Salvat em dois encadernados capa dura.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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