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O dia em que o Demolidor enfrentou o novo Metaloide

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Ok, na Marvel existem vilões que seriam capazes de destruir o universo, como Lhanos, tem os que podem devorar um planeta como Galactus, outros querem dominar o mundo como o Dr. Destino ou o Caveira Vermelha, e existem os que são perigosos em um nível mais local, atuando em uma cidade ou em um bairro, como o Dr. Octopus ou o Homem-Areia, agora, na categoria “vilão mais ridículo” o Metaloide é um fortíssimo candidato.

Os poderes dele? Ele tem uma armadura de metal com pernas que esticam! Sim, é isso mesmo que você ouviu, nada de superforça, supervelocidade ou poderes da mente, ele basicamente é um daqueles caras que andam com perna de pau que você vê no circo, só que de metal, tanto é que seu nome no original é “Stilt-Man” cuja tradução é “homem de pernas de pau”.

Sério, tem aqueles vilões que um herói se orgulha de dizer que derrotou, tipo Magneto ou Venom, manja? Dá aquela moral e você faz questão de dizer para os amigos; agora, outros você nem fala a respeito, é tipo brigar com bêbado, se bater é obrigação, se perder é humilhação.

E é justamente sobre o encontro entre o Demolidor com o Metaloide que vamos falar hoje.

Tudo começa quando um sujeito chamado Spindle contrata o Metaloide para roubar de uma assistente da promotoria provas das atividades criminosas das Indústrias Glenn, da qual faz parte da diretoria.

Agora, me fala, com tanto supervilão disponível no mercado, por que diabos ele foi contratar o Metaloide? Esquece os supervilões; não seria melhor mandar um grupo de criminosos comuns armados até os dentes? E ainda por cima, quando o Metaloide fica sabendo que o Demolidor está envolvido e que provavelmente estará protegendo a assistente da promotoria, ele dobra o preço.

Ele dobra o preço!

E o sujeito paga!

Calma, piora, Wilbur (identidade secreta do vilão) deixa cair uma de suas luvas enquanto contava o dinheiro que lhe foi entregue pelo serviço, e como ele estava tão alto quanto um edifício, ele a perde.

O que ele faz, então?

Vai comprar outra luva, só que na loja, ele é reconhecido (ou quase) por Tucão, um criminoso de quinta categoria, que o confunde com o Homem Sapo, e decide segui-lo até o hotel onde está hospedado.

Lá Tucão o acerta com uma barra de ferro e rouba sua armadura, tornando-se o novo Metalóide!

Pois é, Wilbur foi derrotado pelo Tucão com uma barra de ferro, e o Demolidor não enfrentou o Metalóide original, mas sim o substituto, que em “combate” consegue ser ainda mais incompetente do que o original.

Tucão, para impressionar o Rei do Crime, que se recusa a contratá-lo por considerá-lo – corretamente, diga-se de passagem – um completo idiota, decide sequestrar a assistente da promotoria que o Metalóide original ia sequestrar.

Caras, a coisa toda é tão vergonhosa, que ele apanha da mulher que estava tentando sequestrar, e se vê obrigado a largá-la em uma queda que seria mortal, caso o Demolidor não tivesse aparecido.

Já a luta contra o Demolidor, bom, eu vou poupá-los dizendo que ela dura duas páginas e acaba com o sujeito levando um tombo, e só dura duas páginas porque uma delas é inteiramente dedicada ao Metalóide tentando inutilmente manter o equilíbrio.

É para aplaudir de pé, fãs de Stan Lee!

Esse magnífico encontro foi publicado em Demolidor 186, em setembro de 1982, e seu roteiro é assinado por ninguém menos do que Frank Miller (sim, o mesmo que escreveu Cavaleiro das Trevas e é responsável por uma das melhores fases do Demolidor), e ilustrada por Klaus Janson.

Eu imagino que os dois, Miller e Janson tenham se divertido trabalhando nessa história.

Eu me diverti lendo, e vocês?

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.

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