No Século Passado

O dia em que Jessica Jones descobriu a identidade do Capitão América

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler

Poucas séries me fisgaram tanto desde o começo quanto Alias, de Brian Michael Bendis; foi começar a ler e pensar: ei, isso é muito bom, é bom pra caralho!

O palavrão acima foi intencional, Alias é desaconselhável para menores de 18 anos, então, se você até pouco tempo atrás assistia Discovery Kids, nem ela e nem esse texto são para você.

A série contou com 28 edições, e começou a ser publicada em novembro de 2001, narrando a história da detetive particular Jéssica Jones, que no passado atuou como super-heroína utilizando o nome Safira, e até mesmo fazendo parte por um curto período de tempo dos Vingadores.

Logo nas primeiras páginas vemos que Jéssica tem que lidar com toda espécie de pessoa em seu trabalho, incluindo os piores tipos de clientes, como o canalha racista que perde o controle ao descobrir que sua mulher não o estava traindo, mas sim escondia ser mutante e é atirado por Jéssica porta afora.

O clima de Alias lembra os filmes noir com os detetives afogando suas mágoas em um copo de uísque envoltos pela fumaça de seus inúmeros cigarros.

Imagino que não deva ser mesmo trabalho dos mais fáceis, porque onde tem fumaça tem fogo, certo? Daí você tem que revelar para a mulher que te contratou que o marido dela não só a está traindo, como estava em um motel com um anão besuntado em creme de chantilly, e depois cobrar por essa informação.

E se Jéssica não é fã do seu trabalho atual, também não tem boas recordações do anterior, como super-heroína, evitando ao máximo falar dele, graças aos inúmeros traumas sofridos, traumas com os quais ela não sabe lidar, o que a leva, em conjunto com a bebida, a tomar decisões no mínimo questionáveis, como encontrar-se com Luke Cage em um bar, trocar meia dúzia de palavras, e ir para casa transar com ele, porque ela queria sentir algo diferente.

Veja bem, não fizeram amor ou nada do gênero, eles mandaram ver, transaram, treparam, foderam, e, embora não vejamos pornografia explícita, graficamente e textualmente, fica bem claro o que Jéssica queria dizer com sentir algo diferente:

Eu só quero sentir alguma coisa, não importa o que, dor, submissão, raiva”

Ei, entre quatro paredes vale tudo, isso inclui sexo entre super-heróis.

Apenas a título de curiosidade, mais tarde, em 2006, na revista “New Avengers Anual 1” Jéssica e Cage se casam em cerimônia realizada por um padre que era a cara de Stan Lee.

Será que existe um mercado para camas super-resistentes para super-heróis, porque, tipo, deve ser bem intenso, não é? Ah não ser que um dos parceiros seja uma pessoa comum, aí tem que maneirar, como Clark Kent e Lois Lane, o Homem de Aço não pode se empolgar, mas acho que estamos fugindo um pouco do assunto.

Se Michael Bendis te fisga logo de começo com uma história diferente do que estamos acostumados a ver no universo heroico, o final do primeiro número te deixa paralisado e louco para saber o que acontece depois, um cliffhanger para ninguém colocar defeito.

Jéssica é contratada por uma mulher que está procurando a irmã, que começou a se encontrar com um homem, ficou apaixonada e simplesmente desapareceu do mapa, largando o emprego, desligando o telefone e mudando de endereço sem avisar a família.

A detetive não demora para localizar a irmã da cliente, na realidade ela até revela que em muitos casos, uma simples busca na internet já revela o paradeiro, o que faz nossas cabeças explodirem é a pessoa com quem ela está saindo.

Jéssica para seu carro na frente da casa da mulher e começa a filmar para entregar o material para a cliente, e acaba descobrindo que o homem por quem ela se apaixonou é ninguém menos do que o Capitão América, e, para piorar, ela filma o seu rosto, ou seja, descobre a identidade secreta de um dos maiores heróis norte-americanos.

Sim, por acidente, Jéssica Jones descobre a identidade do Capitão América.

Você termina o número 01 de Alias e no mesmo instante quer devorar o segundo, e não se arrepende, porque a qualidade permanece a mesma, e você descobre que tem muito mais por trás deste caso do que imaginava.

Alias tem roteiro inteligente e arte de Michael Gaydos que combina perfeitamente com o clima mais pesado da história.

A Panini publicou as 28 edições de Alias em três encadernados, e se você não leu, pode correr atrás sem medo que é uma das melhores coisas já publicadas pelo selo Marvel Max.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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