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O Corvo

Bem-vindos de volta, ilustres fãs de quadrinhos. É sempre muito bom contar com a sua companhia. Hoje vamos falar de uma adaptação de quadrinhos para o cinema que foi sucesso de público e crítica. Você conhece um herói chamado O Corvo?

Em 1994, estreou o filme O Corvo e poucos sabiam que era uma adaptação de um herói de quadrinhos independente. O que causou muita repercussão na época foi o fato do protagonista do filme, Brandon Lee, filho do grande Bruce Lee, ter morrido durante as filmagens, em uma cena em que leva um tiro de verdade, ao invés de uma bala de festim. Ninguém da produção soube explicar como isso aconteceu. Como o ator não havia filmado todas as suas cenas, foi usado um dublê pra finalizar o filme e seu rosto foi substituído, através de computação gráfica, pelo rosto do ator. Brandon Lee morreu aos 28 anos de idade e esse foi o melhor filme de sua carreira.

O filme é dirigido por Alex Proyas (Cidade das Sombras/Deuses do Egito) e tem como protagonista o jovem Eric Draven. Na trama, ele e sua noiva, Shelly, são assassinados em seu apartamento por uma gangue na véspera do Halloween. Um ano depois, um corvo traz Eric de volta a vida com uma única missão: matar os responsáveis pela sua morte e de sua noiva.

Eric volta diferente. Além da conexão com a ave sobrenatural que o ressuscitou, ele passa a pintar o rosto, como que imitando a ave e usa roupas pretas de couro que remetem aos Góticos. Aliás, o mesmo pode ser dito sobre a fotografia do filme, já que a maior parte das cenas acontecem à noite. Até mesmo algumas bandas que fazem parte da trilha sonora, como The Jesus and Mary Chain, The Cure, fazem parte desse movimento musical. Alguns críticos dizem, inclusive, que a trilha sonora do filme provocou um revival não apenas da música, mas do Movimento Gótico como um todo.

A Gênese da Obra

O norte-americano James O´Barr escreveu e desenhou a hq de O Corvo e, após tê-la publicado de modo independente, a editora Caliber Press lançou a obra em 1989. O que o motivou a escrever e desenhar a revista foi o fato de sentir-se responsável por sua noiva, Beverly, de 18 anos de idade, ter sido morta por um motorista bêbado em 1978. Se a carteira de motorista de O´Barr não estivesse suspensa, ele julga que poderia ter ido buscar sua noiva e evitado a tragédia. Para aplacar sua dor, chegou até a se alistar no Corpo dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, mas sua redenção veio apenas quando começou a escrever O Corvo.

O´Barr ressalta que a história de O Corvo surgiu como uma espécie de terapia, uma forma eficaz de lidar com a perda da sua noiva. Talvez seja por isso que Eric Draven age como um anjo vingador, matando todos os responsáveis não apenas pelas suas mortes, mas por terem violentado sua namorada. A arte da revista é feita em preto e branco, sendo que, como no filme, a ação se desenrola principalmente à noite. A obra possui inúmeras citações de textos, sendo que a maioria são poemas do Romantismo e do Simbolismo Literário do século XIX, além de letras de músicas de bandas do Movimento Gótico, tais como The Cure e Joy Division. Aliás, o quadrinista afirma que ouviu muito Joy Division pra aplacar a perda de sua amada.

Comparação entre o filme e a hq

No filme, o casal é morto em seu apartamento pela gangue. Nos quadrinhos, o carro de Eric e de sua namorada Shelley quebra na estrada e eles são mortos pelos malfeitores. Tanto no filme quanto nos quadrinhos, Shelly é violentada.

Tanto no filme quanto na hq, a história é narrada em dois planos. As lembranças que Eric tem de sua noiva são mostradas com cores mais suaves, destacando-se do tom preto e branco do restante do  filme. Na hq, as lembranças são mostradas com traços bem mais suaves se comparada com outros momentos da obra.

 No filme, sempre que Eric toca em algum objeto ou em alguém que teve contato com sua noiva, ele recorda de um momento ligado a ela, seja de coisas boas ou ruins. Nos quadrinhos, a lembrança vem de modo espontâneo quando Eric está no apartamento em que os dois viviam. A todo o momento, entretanto, ou o corvo (a ave mística), ou uma caveira de chapéu, conhecida como Skull Cowboy, traz ele de volta ao mundo real sempre com cenas trágicas, como um cavalo preso num arame farpado ou de sua noiva sendo ferida a balas.

Nos quadrinhos, o corvo fala com Eric. No filme, entretanto, existe uma espécie de elo telepático entre a ave e Eric. Através dos olhos da ave, Eric localiza alguns de seus inimigos.

Nos quadrinhos, o protagonista é totalmente imune a qualquer ferimento. No filme, se o corvo é ferido, Eric também se fere.

O Skull Cowboy apareceria no filme. Seria uma espécie de guia para Eric. Deixaria claro, por exemplo, que se Eric interferisse na vida de algum ser humano, seus ferimentos não cicatrizariam. No filme, ele viola essa lei ao livrar Darla, a mãe da garotinha Sarah, do vício de morfina. Isso explicaria o porquê dele estar usando uma espécie de bandagem preta no abdômen no decorrer do filme. Na edição final do filme, o Skull Cowboy foi retirado, pois o diretor achou que ele prejudicava o andamento da trama. Esse personagem foi interpretado por Michael Berryman.  Ele atuou em filmes como Quadrilha de Sádicos, Terror abaixo de Zero, e de alguns episódios de Jornada nas Estrelas – a Nova Geração.

Cabe salientar, ilustre fã de quadrinhos, que James O’Barr participou ativamente apenas da produção desse filme. Talvez seja por isso que os outros filmes da franquia sejam inferiores a esse. O Corvo também gerou uma série de tv. Nela, Eric Draven é interpretado por Mark Dacascos.

Então, ilustre fã, ficou interessado em conhecer mais sobre esse personagem? A editora Darkside Books lançou a versão definitiva da história em quadrinhos recentemente. Quanto ao filme, ele está disponível no You Tube na versão dublada.

Espero que tenham gostado desse artigo. É sempre muito bom ter a sua companhia. Se tiver alguma dúvida, sugestão, crítica sobre este e outros artigos, deixe nos comentários.

Até breve!

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