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No século passado: Revista Herói

Revista Herói

A revista que inspirou uma geração.

Nesta última sexta-feira, enquanto milhares de pessoas esperavam nas filas das atrações ou percorriam os corredores abarrotados da CCXP, eu me encontrava no auditório Prime, aguardando o painel da Revista Herói.

Era hora de ouvir de seus criadores, a história de um clássico absoluto que fez parte da infância e da adolescência de inúmeros fãs de Dragon Ball, Pokémon, e, é claro, os Cavaleiros do Zodíaco, que haviam estreado em setembro de 1994, fazendo com que a audiência da extinta Rede Manchete subisse como nunca.

É bom lembrar que na década de 90 a internet ainda engatinhava no Brasil e sequer sonhávamos com Redes Sociais. Havia um público louco para consumir qualquer coisa relacionado aos Cavaleiros do Zodíaco e nenhuma publicação supria essa demanda.

Foi assim que, em dezembro de 1994, a editora Acme, aproveitou a chance de ouro e lançou a Revista Herói, formatinho, custando a bagatela de R$1,95. Na capa, Seiya de Pégaso, e a promessa de revelar todos os segredos do “desenho mais quente da TV”.

Os olhos das crianças brilharam ao vê-la primeira vez. A qualidade não era das melhores, a diagramação da primeira edição era amadora, as imagens eram ruins, as matérias rasas, mas os fãs não deram a mínima, e a revista evaporou das bancas.

O sucesso foi imediato; André Forastieri, antigo proprietário da Editora Acme, brinca que a Herói passou a ser a Revista Contigo dos fãs de anime. Enquanto a Contigo revelava o que iria acontecer nas novelas globais, a Herói fazia o mesmo com Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho, quando spoilers ainda não causavam o terror que causam hoje em dia.

Não foi fácil, no começo tudo era feito com poucos recursos e para amanhã, Odair Braz, editor da revista, revelou que, sem internet para buscar as imagens que ilustrariam a revista, o jeito era apelar para fotografar o desenho na TV ou escanear as caixas dos bonecos dos Cavaleiros.

As matérias eram decididas na terça-feira e a revista precisava estar na gráfica na sexta, ainda mais com a Herói tornando-se uma revista bissemanal.

Com o tempo, a qualidade do material melhorou muito e o sucesso só aumentou; em seu ápice, a revista chegou a vender algo em torno de 400.000 exemplares de uma edição, algo impensável nos dias de hoje e que chamou a atenção de gigantes como a editora Abril.

Embora fosse o carro chefe, nem só de Cavaleiros do Zodíaco e animes vivia a revista; até mesmo na primeira edição haviam matérias sobre Wolverine, Spawn e Batman, com apenas uma página para cada um, mas haviam.

Logo, essas matérias ganharam mais páginas, e o público pode ler sobre séries, cinema, quadrinhos, assim como os animes.

Com o dinheiro entrando, surgiram as imitações, mas os clones jamais chegaram perto de ameaçar a hegemonia da Herói, que inundava as bancas de todo o país com tantas edições que fazia os concorrentes desaparecerem.

Perguntado sobre o que levou ao fim da publicação, Forastieri foi categórico, com a evolução da Internet e a chegada dos diversos sites especializados, a Herói simplesmente não conseguiu acompanhar o bonde da história. Até houve uma tentativa de se criar um site da revista, mas ele jamais alcançou o sucesso ou o lucro esperado.

Para os saudosistas, uma boa notícia, ou melhor, duas. O livro “Herói – A História da Revista que Inspirou uma Geração” encontra-se à venda e, como o próprio nome diz, revela a história da revista, desde sua criação até o seu fim. A segunda é que, no final do painel da CCXP, cogitou-se a criação de um canal no Youtube, onde a Herói pudesse renascer, e, pela reação da plateia, com certeza vale a tentativa.

Se você já colecionou, se ainda tem as edições guardadas, comente, diga como foi a sua experiência com a revista.

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