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No século passado: Crise nas Infinitas Terras – Muito Além da Noite Silenciosa

“Haverá além da noite silenciosa, um dia eterno? Será sua morte uma porta que leva à luz? Isso nós jamais saberemos”.

Declaração do Liberto.

Em 1984, a Mattel, motivada pelo sucesso de vendas da Kenner com seus bonecos articulados da linha Super Powers, procurou a Marvel para lançar sua própria linha de super-heróis.

Como diferencial para atrair a atenção das crianças e aumentar as vendas, a Marvel lançou a primeira grande saga envolvendo seus principais super-heróis e vilões: Guerras Secretas.

A história acabou sendo um sucesso maior do que a linha de bonecos baseados nela, mas apesar do nome, Guerras Secretas é uma história sem qualquer senso de urgência, sem vítimas e sem grandes consequências para o Universo Marvel, sendo o uniforme negro do Homem Aranha e o vilão Venom, derivado dele, provavelmente a maior e mais duradoura delas.

Em 1985, a DC Comics tinha em suas mãos um grande problema, os novos leitores encontravam dificuldade para acompanhar a continuidade de suas histórias, já que não havia apenas uma Terra, mas várias, e não apenas uma versão do Super-Homem, mas três, assim como Batman e Mulher Maravilha.

Para organizar a casa, o Multiverso precisava morrer, e os responsáveis por essa monumental tarefa seriam Marv Wolfman (roteiro) e George Perez (desenhos).

Surgia Crise nas Infinitas Terras, um marco na DC Comics, e que diferente de Guerras Secretas, traria grandes consequências para o universo e para os heróis (bom, pelo menos por um tempo, até a DC decidir retomar toda bagunça).

Na história, uma onda de antimatéria começa a varrer os diversos universos, e logo nas primeiras páginas presenciamos um mundo inteiro (Terra 3) deixando de existir diante da impotência de seus super-humanos.

Há uma cena narrada em apenas cinco quadrinhos, onde o personagem Pária tenta salvar uma criança. Ele falha e ela é devorada pela antimatéria. Nós não conhecemos o menino, mas sentimos o desespero do Pária ao falhar, e percebemos o quão grave é a ameaça.

Logo ficamos sabendo que o Monitor está convocando heróis para impedir o fim de tudo, e, posteriormente, que o responsável pela terrível onda de antimatéria é o Antimonitor, sua contraparte maligna.

Para cada universo positivo destruído, o poder do Monitor diminuía e o de seu arqui-inimigo aumentava.

O que muitos imaginavam é que as vítimas se resumiriam a civis e heróis pouco conhecidos em suas terras alternativas, deixando, como sempre, os principais personagens da editora à salvo.

A história “Muito Além da Noite Silenciosa”, publicada em Crise nas Infinitas Terras 7 (julho de 1985) provaria que os leitores estavam errados e que ninguém estava realmente seguro.

Começando pela icônica capa com o Superman segurando o corpo sem vida da Supergirl, certamente uma das mais homenageadas/copiadas da história dos quadrinhos; ela foi desenhada por Perez utilizando como fonte de inspiração a Pietá, famosa escultura de Michelangelo.

Com apenas cinco universos restando e se fundindo lentamente, rumo à uma destruição certa, Alexander Luthor, único sobrevivendo da Terra 3, Precursora, a pupila do Monitor e o Pária, convocam os mais poderosos heróis das Terras restantes para atacar o Antimonitor em seu covil.

Através de sua narrativa descobrimos que o Monitor e o Antimonitor surgiram bilhões de anos atrás (você leu direito, bilhões e não milhões) porque Krona, um Oano (raça dos baixinhos azuis que mandam nos lanternas verdes), decidiu descobrir a origem do Universo, algo proibido de acordo com as lendas.

Seu ato provocou grande destruição, e a criação de um Multiverso de Antimatéria onde residia o Antimonitor.

Após o Monitor e o Antimonitor batalharem por cerca de um milhão de anos, ambos entraram em um sono que durou bilhões de anos (sim, séculos aqui são troco para pinga).

O responsável por despertar o Antimonitor foi o Pária, que era cientista em uma das diversas Terras. E o que ele fez de tão grave? Tentou descobrir a origem do universo, causando o fim de seu mundo, e de diversos outros.

Não é bem mais simples dizer “Foi Deus que fez”?

Funciona para muita gente.

Enfim, após saberem exatamente contra quem deviam lutar, os heróis partem para a Fortaleza do Antimonitor, um asteroide no universo de antimatéria.

Apesar de serem muitos, a própria fortaleza ganha vida através de construtos de rocha, que atacam o grupo, impedindo o seu avanço. Apenas Superman e a nova Doutora Luz conseguem romper a barreira e chegar até o Antimonitor, para confrontá-lo.

Durante a batalha, até mesmo o Superman se mostra incapaz de derrotar o Antimonitor, colocando o herói em sério risco de vida. Ouvindo os gritos de dor de seu primo, Supergirl avança enfurecida e atinge o vilão com toda sua força, começando a destroçar a armadura que contém o seu poder.

A cena em que o Antimonitor atinge a heroína com uma rajada de energia em sua máxima intensidade também é uma das mais dramáticas já vistas.

Supergirl tomba e morre nos braços do Superman, chocando os leitores da época, não apenas pela morte em si, mas pela violência como ela ocorreu.

Em 1998, na introdução para o encadernado da Crise nas Infinitas Terras, Marv Wolfman disse que ainda era perguntado nas convenções sobre a razão pela qual haviam matado a Supergirl.

A resposta é que, dentro de uma proposta de colocar ordem na cronologia da DC Comics, a conclusão que se chegou é que Superman deveria voltar a ser o único sobrevivente de Krypton, assim como em sua origem.

Isso significava, pelo menos naquele momento, o fim da cidade engarrafada de Kandor, de Krypto, o supercão, dos criminosos da Zona Fantasma, e, para tristeza de muitos, da Supergirl.

Ao invés de simplesmente fazer com que ela deixasse de existir, Wolfman e Perez decidiram dar um final digno para a personagem, com direito à funeral e ao Superman carregando-a envolta em sua capa para o espaço sideral.

“Viveremos lembrando e honrando o passado, mas sempre fitando o futuro. Adeus, Kara…Linda Lee…Supergirl. Sentirei saudades para sempre”.

Superman.

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