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No Século Passado: Batman – Morte em Família

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Batman foi criado em 1939, portanto, neste ano de 2019, completa 80 anos de idade, ganhando permissão para estacionar o Batmóvel na vaga de idoso da Liga da Justiça, mas se mantendo em plena forma, com filme seu programado para 2021 e seu arqui-inimigo, o Coringa, ganhando prêmios, elogios, críticas fervorosas, rendendo polêmicas e faturando milhões nos cinemas.

Uma das críticas direcionadas ao filme dirigido por Todd Phillips é a excessiva violência presente no longa, e se estão achando o Coringa interpretado por Joaquin Phoenix violento, é porque não conhecem a trajetória do vilão nos quadrinhos.

No ano de 1988 foram lançadas duas histórias que revelariam a face mais cruel do personagem, afastando-o da imagem de príncipe palhaço do crime, e fazendo dele e de sua gargalhada insana, o retrato da maldade.

A primeira delas é “A Piada Mortal”, de Alan Moore, considerada por muitos como a história de origem definitiva do Coringa, utilizada como inspiração tanto no filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008) de Christopher Nolan, quanto no “Coringa” de Phillips.

Nela, o vilão atira em Bárbara Gordon, deixando-a paraplégica para o resto da vida, depois tira suas roupas e a fotografa, para mostrar as imagens ao seu pai, o Comissário James Gordon. Seu objetivo é provar que um dia ruim pode levar qualquer homem a abraçar a insanidade. Caso você queira saber mais a respeito, basta clicar aqui: https://canalmetalinguagem.com.br/2019/09/20/no-seculo-passadoo-coringa-e-a-piada-mortal/

A segunda é Batman: Morte em Família, escrita por Jim Starlin e desenhada por Jim Aparo, que ao contrário da história escrita por Moore, está distante de ser uma unanimidade.

Naquela época, o Robin já não era mais Dick Grayson, que havia decidido sair da sombra de seu mentor, abandonando o manto do Robin e assumindo o nome de Asa Noturna, líder dos Novos Titãs. Em seu lugar, assumiu o jovem Jason Todd, que jamais conseguiu a mesma popularidade de seu antecessor.

Com o cinquentenário do Homem Morcego se aproximando, a DC Comics achou que seria uma boa ideia abrir uma votação, onde os leitores poderiam decidir se o Robin deveria viver ou morrer nas mãos do Coringa.

Durante dois dias, você poderia ligar quantas vezes quisesse, desde que pagasse uma pequena taxa, e votar pela morte ou pelo salvamento de Jason Todd.

E adivinha só qual opção venceu?

Pois é, amigo, os bondosos leitores abotoaram o paletó de madeira do menino prodígio.

A história começa com o Batman decidindo que Jason não mais atuará como Robin até que recupere seu controle emocional, já que vinha desobedecendo ordens e agindo impulsivamente, o que colocava a dupla dinâmica em constante risco de vida.

Também ficamos sabendo que o Coringa escapou pela ducentésima vez do Asilo Arkham, matando oito funcionários. É sério, o cara escapar uma vez ou duas, vá lá, mas depois de dez fugas, não deu para perceber que o lugar não é seguro?

É aqui que os problemas de “Batman: Morte em Família” começam para valer. A justiça confisca quase todo dinheiro e bens do Coringa, o que faz sentido, já que ele é um assassino psicopata, mas também é meio estranho, porque eu não consigo imaginar o palhaço com conta correntes, título de capitalização e propriedades em seu nome para serem tomadas.

Prevenido, o Coringa consegue esconder alguns objetos das autoridades. Ouro? Diamantes? Armas de fogo? Não, um míssil nuclear.

Sim, o Coringa conseguiu um míssil nuclear porque um militar lhe devia um favor, e estando sem grana, decide desmontar o artefato com a ajuda de um capanga, porque, convenhamos, é algo tranquilo de se fazer com uma chave de fenda, um alicate e um martelo, para depois contrabandear o troço para fora do país, onde pretende vende-lo para terroristas.

O Batman descobre o plano e vai atrás do Coringa no Líbano.

Jason, por sua vez, descobre que a mulher que pensava ser sua mãe e que morreu, na realidade o adotou. Sendo aluno do maior detetive do mundo, não demora para ele localizar três nomes de mulheres que podem ser sua verdadeira mãe biológica, e as três estão fora do país.

Onde estão duas delas?

Veja só você, estão no Líbano, o mesmo lugar para onde foi o Coringa com o Batman em seu encalço.

Achou forçado? A coisa só piora, e é difícil manter a suspensão de descrença com uma enxurrada de coincidências, uma atrás da outra.

A terceira candidata à mãe de Jason está na Etiópia, e para onde o Coringa vai quando foge do Líbano? Pois é, Etiópia, e para se encontrar com quem? Sim, com a mesma mulher, embora o vilão não saiba nada sobre a relação dela com o Robin. O roteiro tenta nos convencer de que se trata de algo possível, mas falha miseravelmente.

Sem dúvida, há momentos marcantes, com imagens icônicas.

A morte de Jason Todd nas mãos do Coringa é uma das coisas mais violentas que eu já presenciei nos quadrinhos (tirando coisas como o selo Vertigo), com ele espancando Robin com um pé de cabra até deixa-lo inconsciente e ensanguentado, para depois ser atingido por uma explosão

O Batman encontrando e carregando o corpo sem vida de seu pupilo, com o uniforme em farrapos.

O morcego quase quebrando os dedos ao esmurrar o Homem de Aço.

Nada disso salva a história, que no ápice do absurdo, faz com que o Irã contrate o Coringa como embaixador e o envie para as Nações Unidas, protegido pela imunidade diplomática.

As outras nações aceitam e o governo dos Estados Unidos envia o Superman para impedir que o Batman inicie um incidente internacional, atacando o vilão.

Tudo que se segue, incluindo o final, é forçado ao extremo, e “Morte em Família” que tinha potencial para ser épica, acaba sofrendo com um roteiro, no mínimo, preguiçoso, que abusa demais do acaso.

Preciso dizer que anos depois Jason Todd ressuscitou?

Vou te contar, se eu fosse um herói ficaria tranquilo diante da morte.

Oh, meu Deus, mataram a Mulher Maravilha!

Tranquilo, se até o Robin ressuscitou, qualquer um consegue.

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