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Não lemos – Batman: The Golden Child

Batman: The Golden Child não só dá continuidade a duas das piores histórias do universo alternativo do morcego como dá voz aos recalques políticos de Frank Miller. Mas o título é ruim?

A história escrita por Miller e ilustrada pelo Brasileiro Rafael Grampá pode parecer desnecessária, mas é uma bobagem divertida.  A ideia de colocar Darkseid e o Coringa por trás das eleições presidenciais é requentada. Lembram do segundo Cavaleiro das Trevas? Darkseid e Coringa juntos? Em Lendas, um dos asseclas de Darkseid influenciou a mídia a seu favor, mas se por um lado, o Novo Deus nunca interferiu diretamente na política, o príncipe palhaço do crime dificilmente teria interesse em tais assuntos.

O novo Cavaleiro das Trevas parece a versão agressiva de um textão panfletário do Facebook, mas a arte de Grampá agrada. Seu traço parece uma versão mais dinâmica e europeia do de Miller. Na verdade, apesar dos exageros, o texto da edição também não é ruim. Em alguns momentos, chega até a lembrar o primeiro Cavaleiro das Trevas.

Os personagens? Por mais que a história de uma eleição manipulada pelo Coringa e por Darkseid que acaba gerando o caos social combatido por Carrie Kelley (trajada, mas não creditada como Batwoman), Lara e Jonathan Kent (filhos do Superman) e a milícia do morcego pareça a versão violenta de um episódio da série de 1966, a caracterização dos personagens é interessante. Lara questiona o motivo de seu pai amar tanto a humanidade, Jonathan ainda é um mistério e Carrie se comporta como um Batman que apesar de agressivo, ainda respeita os conselhos de seu chefe que não aparece na edição, mas está lá em espírito.
Como o mundo é dos jovens, a história apresenta a forma como os três personagens interagem e mantém os legados de seus predecessores. A nova Batwoman fala o tempo todo sobre como seu chefe reagiria a isso ou aquilo e relembra seus conselhos. Lara continua um pouco aborrecente, mas sua personalidade rebelde contrasta com o objetivismo da morcega. Já Jonathan, tem a personalidade que a cena pedir.

Com todos os erros e acertos, a edição tem pontos interessantes. Temos um Tweet do Bolsonaro aqui, uma demonstração do real poder de Darkseid ali, uma perseguição com um carro antigo ali… Não é uma história necessária nem é o melhor de Miller, que parece ter perdido as habilidades após os 90, mas entretém.

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