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Não assistimos: Star Wars – A Ascenção Skywalker

O spoiler leva ao ódio, o ódio leva ao lado sombrio, não há spoilers neste texto.

Lembro-me que o primeiro filme da Saga Star Wars que assisti foi “O Império Contra-Ataca”, na Tela Quente da Rede Globo.

No instante em que vi os Andadores Imperiais avançando contra os rebeldes no gelo, eu estava fisgado, mas havia muito mais, os disparos laser, os sabres de luz, a força, Yoda e, é claro, um dos vilões mais icônicos de todos os tempos, Darth Vader.

Como assim, o vilão é o pai do herói? (Spoiler de um filme que passou em 1980 não conta). Como assim, o filme termina dessa maneira sombria?

Eu precisava ver mais, e o início da jornada de Luke e a batalha contra a primeira Estrela da Morte também me cativaram em “Uma Nova Esperança”.

“O Retorno de Jedi” foi o mais fraco da primeira trilogia, tinha os Ewoks, feitos para vender bonequinho, tinha uma reprise da batalha contra a Estrela da Morte, mas vá lá, ainda assim, me empolguei.

A segunda trilogia foi uma decepção, se os Ewoks eram ruins, Jar Jar Binks era pior, nem como alívio cômico prestava. Embora não a considere uma catástrofe como muitos, a verdade é que podia ter sido muito melhor. Faltava algo, não parecia Star Wars.

A Disney e J. J. Abrams perceberam que o público queria o espírito da antiga trilogia de volta, e, ao invés de entregar apenas isso, optaram pelo caminho simples e seguro, e no episódio VII, praticamente xerocaram o roteiro de “Uma Nova Esperança”, com a mesma estrutura narrativa, a Estrela da Morte, a heroína que não sabia do seu potencial, o vilão, a batalha final, tudo estava lá.

Rian Johnson, o diretor do episódio VIII, seguiu por outro caminho, e o resultado não foi nada bom, pelo menos não financeiramente. Se o episódio VII rendeu mais de 2 bilhões de bilheteria, o VIII arrecadou “apenas” 1,3 bilhão. A força estava abandonando a Disney.

Chegamos então ao fim da jornada, episódio IX, a Ascenção Skywalker, com J. J. Abrams voltando a trilhar o caminho seguro, e é esse o grande problema.

Deixo claro que o fã dentro de mim queria muito gostar, e esse fã até vibrou em alguns poucos momentos, mas não o suficiente para acreditar que este filme é um final digno para uma saga que atravessou gerações.

Na busca por agradar justamente os fãs, Abrams, mais uma vez, nos entrega um roteiro previsível, no que parece uma reedição de cenas da primeira trilogia, só que com personagens não tão carismáticos.

Não que Rey, Poe Dameron, Finn e Kylo Ren sejam personagens ruins, de forma alguma, mas não possuem a mesma força que Leia, Luke, Han Solo, Chewbacca e Darth Vader. 

Sim, alguns dos personagens antigos fazem uma pequena ponta, mas nem isso salva o todo.

A grande ameaça surge como se tirada de uma cartola, e apesar de você fazer um certo esforço para aceita-la, a forma como os rebeldes a enfrentam, revela uma grande falha no roteiro.

Você para e pensa: “Espera, se era só o vilão mover estas peças deste ponto para aquele, para acabar com a esperança dos mocinhos, por que ele não fez isso antes, já que teve todo tempo do mundo”?

Não sei, aparentemente vilões em Star Wars são péssimos em fazer planos e acertar alvos em movimento.

Poderes surgem do nada, simplesmente por serem convenientes para a trama, personagens adquirem uma espécie de sexto sentido e tomam decisões guiados pela força, e regras estabelecidas nos outros filmes da saga são completamente ignoradas, como os limites de interação entre os fantasmas e o mundo dos vivos.

Espera um pouco, se fantasmas podem fazer isso, por que não fizeram antes?

Resumindo, tem batalhas de naves, tem luta de sabres, tem um grande vilão, tem um droide engraçadinho, tem tudo aquilo que fez você gostar de Star Wars, mas aí é que está, você já assistiu isso antes.

Ao contrário da série Mandaloriano, que é um arroz e feijão simples, mas bem temperado, esse é um feijão com arroz requentado.

Há quem goste tanto de arroz e feijão que não se importa, se este é o seu caso, vá ao cinema sem medo.

Agora, se quer algo novo, o jeito será esperar os próximos lançamentos, porque a Disney certamente ainda irá lançar muita coisa da franquia.

Lucasfilm e o diretor J.J. Abrams juntam forças mais uma vez para levar os espectadores a uma jornada épica em uma galáxia muito, muito distante em Star Wars: A Ascensão Skywalker, a fascinante conclusão da saga Skywalker, na qual novas lendas nascerão e a batalha final pela liberdade ainda está por vir.

Data de lançamento: 19 de dezembro de 2019 (Brasil)

Direção: J. J. Abrams

Autor: George Lucas

Música composta por: John Williams

Roteiro: J. J. Abrams, Chris Terrio

Elenco: Billy Dee Williams, Carrie Fisher, John Boyega, Daisy Ridley, Mark Hamill, Oscar Isaac

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