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Não Assistimos: Os Últimos Dias de Gilda (2020)

Na sexta, dia 27/11, estreia no Canal Brasil a série Os Últimos Dias de Gilda, inspirada no monólogo de Rodrigo de Roure, estrelado por Karine Telles.

“Nunca houve uma mulher como Gilda”.

Talvez você esteja ligando o nome a outra Gilda, a interpretada por Rita Hayworth  no filme homônimo de 1946, só que estamos falando de outra, uma com curvas e hábitos bem Brasileiros. Nossa Gilda é uma matadora de porcos que adora cozinhar e namorar. Dona de si, ela impõe as regras de seu corpo, o que incomoda sua vizinhança hipócrita.

Ao longo dos quatro episódios, vemos a construção e a desconstrução do mundo da personagem através de tramas paralelas que aos poucos vão se tornando donas da narrativa, levando a história para seu suposto fim inevitável. O interessante nisso tudo é que a personagem, que só quer viver sua vida, acaba sendo envolvida em todas elas.

Já no começo, vemos que Cacilda (Julia Stockler), esposa do pedreiro Ismael (Igor Campanaro) tem uma rixa com ela. Ismael é usado como a cara de um partido religioso de direita, o que faz com que a hipócrita esposa do pedreiro acredite ser superior a vizinha libertina e macumbeira. Da mesma forma que as desavenças das duas vão pontuando os pontos de virada da história, o motivo pelo qual elas se entendem dá força ao final da série.

O fato de terem focado na história dela e não nas tramas paralelas foi interessante. A mesma história poderia ter sido contada de formas diferentes, mas Gustavo Pizzi não queria uma história realista. Quando um miliciano crente afirma que todas as casas que tiverem bíblias estarão protegidas pelo seu exército, sabemos onde ele quer chegar e a quem pretende alfinetar. Outro ponto curioso: a série tem poucos atores negros e em momento algum sabemos qual a sua religião, no entanto, Gilda e sua mãe de santo são brancas, o que anula a questão “Religião de Matrizes Africanas”.

A personagem não sofre preconceito por sua etnia, mas por suas atitudes que ferem a moral e os bons costumes. Ela só não pertence àquele meio hipócrita. E esse foi o grande truque de prestidigitação da série. Fora das capitais, a palheta de cores assume vários semitons que fogem do clássico preto e branco.

Outro truque de prestidigitação são as introduções onde vemos a personagem e sua faca que sempre parecem nos mostrar a evolução da história, principalmente a última.

Os Últimos Dias de Gilda é tudo isso e um pouco mais. Parabéns a todos os envolvidos. E você pode começar a curtir essa série deliciosa já essa semana. Estreia sexta-feira, dia 27/11 as 22 h.

Corre pra assistir que a dica é boa.

Os últimos dias de Gilda (2020)

Data de lançamento: 27 de novembro de 2020 (Brasil)

Emissora: Canal Brasil

Director: Gustavo Pizzi
Roteiro: Gustavo Pizzi, Karine Teles

Elenco: Karine Teles, Ana Carbatti, Julia Stockler, Antonio Saboia e Erom Cordeiro.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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