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Não assistimos: Mafalda, o Filme (1982)

Olá, Metalinguísticos.

Infelizmente, Quino nos deixou essa semana. Talvez você não ligue o nome à pessoa, mas deve conhecer Mafalda, seu personagem mais famoso.

Nosso relacionamento com os quadrinhos argentinos é Sazonal. Estamos tão perto e tão longe, que conhecemos muito pouco da produção de nossos “Hermanos”. Salvo exceções, o que conhecemos ainda é do século passado.

Mafalda, por exemplo, foi publicada entre 1964 e 1973 e chegou no Brasil no começo dos anos 70. Aqui, fez tanto sucesso que sua série animada acabou passando na extinta Rede Tupi.

Quem é Mafalda?

Pode-se dizer que é uma versão politizada da Mônica. Ela é uma menina argentina comum que faz uma série de perguntas socioculturais importantes (não só) para a época. Ela fala sobre guerra nuclear, desigualdade social e politica… Assuntos que não deveriam ser ditos em tempos de ditadura. Talvez por isso ela tenha feito tanto sucesso naquele momento em que todos tentavam desesperadamente ser politizados e partidários.

Seus coleguinhas são meninos da mesma idade, cada um com questionamentos e sonhos que refletem os dos adultos do mundo que vivem. Entre eles estão:

  • Susanita, que só sonha em ser mãe, ter filhos e em muitas situações deixa bem claro que é egoísta e egocêntrica:
  • Manolito, filho do dono da venda que só pensa em ganhar e multiplicar dinheiro;
  • Felipe, que só quer jogar bola, mas que trava grandes batalhas contra sua responsabilidade;
  • Miguelito, o filho único que muitas vezes acha que o mundo gira a sua volta e tem dificuldade de entender os questionamentos da Mafalda, por mais que tenha um bom coração.
Mafalda e seu finado criador.

Existem outros, mas vou me ater aos que estiveram no filme, que é uma coletânea de esquetes tirados das tiras da personagem.

Mafalda, o filme é uma produção Argentina de 1982, dirigida por Carlos D. Marquez. Ao longo de seus 82 minutos, vemos a primeira vez que as crianças vão para a escola e como isso impacta a vida dos personagens. Alberto Cabado, roteirista responsável por criar um contexto para que as tiras de Quino se movimentassem, optou por copiar a estrutura usada nas coletâneas das tiras da personagem. O começo e o fim citam a primavera e o natal, mas isso só serve para marcar o tempo, principalmente a música natalina que cantam no fim da animação. Cada esquete nos mostra a personalidade das crianças e de seus pais. Em alguns casos, vemos situações que nunca teriam acontecido no mundo moderno, mas que eram comuns naquela época. Um bom exemplo são as brincadeiras do pai do Manolito. Em mais de uma situação, ele dá tapinhas e cascudos em seu filho, o que não cairiam bem na moral vigente em 2020. Outro elemento delicado é o chinelo de sua mãe, que acaba servindo como base para uma das piadas. Sim, antigamente, os pais batiam nos filhos desobedientes e ninguém morreu por causa disso.

As brincadeiras de Bangue Bangue em que as crianças brincavam com armas de espoleta também gerariam um belo textão hoje em dia. Felipe, por exemplo, adora ser “O Cavaleiro Solitário” e fingir que está atirando em todos, mas agradeceu quando apontou para um passarinho e a arma não o matou.

No fundo, são só crianças.

Não foi a primeira vez, nem a última que vimos este tipo de personagem questionador, mas Mafalda tem alma, não é só mais um personagem chato e exagerado. Sim, ela fala o que lhe vem a cabeça e questiona tudo que pode, mas não passa de uma criança normal querendo entender seu lugar num mundo cada vez mais confuso, tentando pertencer. Um bom exemplo disso é a questão da TV. Seu pai não queria, pois tinha medo de que isso estragasse sua cabeça, mas todos os seus coleguinhas tinham e ela acabou ganhando uma, que acabou juntando a família ao seu redor. Quando isso acontece… ela sai. Simples assim.

Como usa as tiras e não cria novos elementos, o filme é divertido e nostálgico. Quer conferir? É só procurar no YouTube.

Mafalda é uma personagem tão rica, tão pertinente, que acabou virando embaixadora da UNICEF, o que diz muito a seu respeito. Não é a toa que em Santelmo, perto da residência de seu criador, tem o banquinho da Mafalda, onde você pode tirar fotos ao lado da personagem. Além do banco, ela tem uma praça com seu nome.

O criador se foi, mas seus personagens serão eternos.

Alexandre D´Assumpção

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias, Alexandre D’assumpção, ou The Sumpa, é praticamente inofensivo. Apesar de todas as lendas a seu respeito, ele é apenas um professor Nerd, redator, roteirista de quadrinhos e audiovisual que nos anos 80 pediu carona para uma cabine azul e desde então, tem vivido suas aventuras através do espaço/tempo. Para facilitar a viagem, tornou-se mestre Zen na arte de ter um rosto tão comum que todos sempre o cumprimentam imaginando se tratar de outra pessoa; normalmente ele mesmo. Dono de uma péssima memória, ele nunca se lembra de detalhes importantes como rostos, grupos que passou nem dos inimigos que ameaçam sua vida, o que é péssimo quando ele os encontra em becos escuros. Sua toalha é customizada e ostenta a máscara da Iniciativa Gambate, empresa criada por ele para levar a cultura Pop a todos aqueles que dela precisarem, estejam onde estiverem. De tempos em tempos ele reverte a polaridade de sua chave de fenda sônica e leva algum compannion para passeios transmídia, seja em eventos, festivais ou programas de TV. No caso de um avistamento, principalmente se The Sumpa for a personalidade dominante, espere o inesperado e corra para sobreviver.

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