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Não assistimos: Drácula – 1ª Temporada

Crucifixos não são permitidos aqui, mas haverá alguns spoilers leves.

Tire as crianças e os vampiros que brilham da sala, vamos falar sobre a primeira temporada de Drácula, nova série da Netflix, que conta com três episódios de aproximadamente 1h30min cada um.

No primeiro deles somos levados até a Transilvânia, onde você já deve saber, fica o castelo do Conde Drácula (Claes Bang).

Jonathan Harker (John Heffernan), um jovem e promissor advogado, visita o Conde para que ele assine os papéis referentes à propriedade por ele adquirida na Inglaterra, e aqui vai um pequeno conselho: quando pessoas se recusarem a se aproximar de um lugar, e te entregarem um crucifico antes que você vá até lá, é melhor desistir da ideia.

É lógico que Harker não desiste, eles nunca desistem.

Como era de se esperar de uma série tendo Drácula como personagem principal, a atmosfera é sombria e a fotografia escura, afinal, o Sol não é o melhor amigo de um vampiro.

Claes Bang interpreta um Drácula que nos remete aos clássicos encarnados por Béla Lugosi (1931) e Christopher Lee (1958), uma criatura da noite, perigoso, sofisticado, sedutor e sedento por sangue.

As regras do sindicato dos vampiros estão lá, nada de tomar Sol, alergia severa a crucifixos, estacas fazem mal para o coração e não são capazes de entrar em sua casa se não forem convidados (o que, diga-se de passagem, demonstra que vampiros são educados, eu também não costumo entrar em uma casa onde não fui convidado).

Algumas mudanças aqui e ali, personagens presentes no livro e nos filmes anteriores tem sua história alterada, mas o roteiro de Steven Moffat e Mark Gatiss (criadores da série Sherlock Holmes), aliada à atuação de Claes Bang, conseguem nos entregar um Drácula bastante convincente.

Destaque também para Dolly Wells, que interpreta a Irmã Agatha, uma freira disposta a descobrir a verdade sobre o misterioso e maligno Conde. Agatha começa o episódio interrogando Harker, mas os melhores diálogos certamente são entre ela e o Conde, com boas doses de ironia e sarcasmo.

No segundo episódio, a atmosfera sombria permanece, já que estamos em um navio cercado por um denso nevoeiro durante toda a viagem entre o continente e a Inglaterra.

Uma longa viagem, com Drácula olhando para a tripulação e os passageiros como como se olhasse para as opções de um cardápio.

Ok, acho que hoje eu vou querer um Romeno sangue tipo O negativo, por favor!

Uma taça apenas, estou de dieta.

Para onde você foge quando pessoas começam a desaparecer e poças de sangue são encontradas no convés?

Bom, é no final deste episódio que Moffat e Gatiss decidem por um rumo que irá agradar alguns expectadores, mas fará com que outros detestem, como quase tudo hoje em dia.

Não dá para falar muito, mas os episódios 1 e 2 são de uma série completamente diferente da que vemos no episódio 3.

É de se admirar a tentativa dos criadores de nos oferecer algo novo, mas inovar é sempre um risco, e neste caso, a consequência parece ser um Drácula menos sedutor e assustador, caminhando para o cômico.

Mesmo com 1h:30min, o roteiro do último episódio parece bastante apressado, e apesar do final completamente inesperado, o resultado é inferior aos episódios anteriores.

No geral, vale a pena assistir, mas sem grandes expectativas.

Nota: 3,0 gotas de sangue.

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