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Não Assistimos: Cemitério Maldito

Stephen King é um autor verborrágico que escreve sempre sobre elementos do mesmo universo. Apesar de nem todos deixarem claro, a maioria se passa num Maine assombrado pelos grandes antigos.  Cemitério Maldito é um dos que não deixam isso bem claro.  O filme usa o artifício de um velho cemitério de animais construído no meio de antigas terras indígenas de poder, e isso é tudo que o expectador precisa saber para entender o drama da família Creed, que se mudou para uma fazenda, onde supostamente veriam uma qualidade de  vida melhor, mas o patriarca acabou  flertando com o mal  e sofreu as consequências nefastas de suas ações.

É uma história simples, que gerou dois filmes igualmente simples, porém interessantes. Se você viu a versão dos anos 90 e quer assistir o novo, entenda que o remake segue por outros caminhos mais cerebrais e um tanto quanto politicamente corretos, como qualquer coisa feita na segunda década do século XXI. A primeira delas foi a decisão acertada de mudar o sexo da protagonista. Por mais que o livro fale sobre um menino, Ellie funcionou muito bem. Não só porque a jovem Jeté Laurence convence como o mal reencarnado, mas a ideia de ver conceitos de beleza, pureza e infância deturpadas incomoda. Colocar a personagem numa roupa de bailarina suja de terra destruindo tudo que encontrava sob o olhar desesperado de seu pai incomodou mais do que muitas cenas mais pesadas. Outro acerto, com cara de erro, foi a escalação de John Lithgow, um excelente ator cujo personagem, que a princípio parecia ser o vizinho sombrio e cheio de mistérios, não teve o tom de ameaça que sua atuação sugeria. Como o filme seguiu por caminhos diferentes do original, a principio parecia que ele seria algo mais que o vizinho estranho que apresentou o cemitério de animais  para  que o desesperado Louis Creed (Jason Clarke) não tivesse de explicar para a filha sobre a morte de seu mascote, o mesmo Louis  que não pensou duas vezes em quebrar todas as regras para salvar a filha.

Sim, é uma daquelas histórias em que um erro é punido com o mal que destrói tudo ao seu redor, mas pequenos elementos como o trauma/culpa de Rachel (Amy Seimetz) que matou a irmã deformada por acidente, vão dando um tempero mais cerebral e aterrorizante para a história. Apesar de termos um, essa não é uma história sobre um slasher que vai matando a todos indiscriminadamente.  Está mais para um conto de desintegração familiar causada pelas burradas de um de seus membros. 

Vai ser indicado para o Oscar? Não. Melhor filme que você já viu? Com certeza, não. O próprio King já teve adaptações mais interessantes.  Mas é um filme OK que assusta, diverte e entretém, o que vale o ingresso e garante uma nota sete.

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