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Não assistimos: Alta Fidelidade (2000)

Alta Fidelidade é um livro de Nick Hornby onde o colecionador e  dono de uma loja de discos decadente se separa da namorada e tem uma crise existencial quando Liz, a amiga do casal revela que ela está com Ian, ex-vizinho dos dois. Como ele e seus amigos têm o hábito de fazer “Top Fives”, ele decide fazer um dos seus piores rompimentos.

Parece um pouco idiota, mas ao longo do livro, vamos acompanhando o amadurecimento de Rob e seu retorno com Laura após uma série de desentendimentos.

Em 2000, o livro foi adaptado e coube a Stephen Frears o árduo trabalho de adaptar um livro que além de ser narrado em primeira pessoa, tem um narrador que está passando por um turbilhão de emoções conflitantes e pode não ser tão confiável quanto deveria. Contrariando todas as expectativas, os roteiristas D.V. DeVincentis, Steve Pink, John Cusack (que também interpretou o Rob) e Scott Michael Rosenberg criaram uma história interessante e sensível que se aproveita tanto da linguagem dos Vlogs quanto da metalinguagem para facilitar a transliteração.

Somos lembrados o tempo todo que estamos vendo a sua versão da história, que mistura imaginação com realidade e que pode estar deturpando algumas situações importantes. Podemos citar quatro bons exemplos: Em determinados momentos, o personagem comenta o que vai acontecer na próxima cena, cortando toda a necessidade de preparação da mesma e a cena em que ele cita uma música de Bruce Springstein e o cantor começa a tocá-la em sua guitarra, quando conversa com Charlie (Catherine Zeta-Jones) a narrativa deixa bem claro que sua frustração faz com que ele desdenhe dela e de seus amigos e quando Ian (Tim Robbins) vai em sua loja, vemos mais de uma das reações que passam por sua cabeça antes de vermos a suposta reação real, quando ele e seus funcionários Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso) apenas se calam, uma vez que o atual de sua ex não foi lá para fazer ameaças.

Sendo homem e um completo perdedor, Rob acaba sendo o alvo da amiga Liz (Joan Cussack) e até da própria mãe. No fundo, ele e seus funcionários/amigos perdedores e sem futuro, só tem uns aos outros, o que (por um tempo) pode ou não ser uma boa coisa. A grande verdade é que todos precisamos crescer, algo que Rob se recusa por boa parte do filme. No livro, a cantora Marie DeSalle (Lisa Bonet) é responsável por dar esse empurrao, mas no filme, ela não é tão aproveitada assim. Ficaram mais nos encontros e desencontros de Rob com Laura (Iben Hjejle). Um ponto interessante foi a escolha da atriz, que deixou claro que a personagem era uma pessoa comum. No livro, por mais que ela não seja estupenda como Charlie, sua beleza é citada em muitos momentos.

Alias, o elenco é composto por atores “comuns”. Catherine Zeta-Jones só estava lá para lembrar que sua personagem não pertencia ao mundo de Rob, que seus amigos eram mais finos e ricos que os dele e que ele não era essa coca cola toda, o que mexeu com seu ego. Se bem que descobrir que até o introvertido Dick conseguiu uma namorada foi o tiro final. Se até ele conseguia/merecia…

É interessante ver como o filme meio que vai desconstruindo e separando o casal só pra mostrar que sua reunião seria questão de tempo.

A trilha sonora e a fotografia são impecáveis. Usar cenários urbanos para as declarações de Rob, contrastando com os ambientes claustrofóbicos que ele vive, foi uma decisão acertada que nos mostra que seu universo está se expandindo e mudando. O mesmo vale para as músicas, que são parte do DNA dessa história. Elas dão as dicas que precisamos sobre determinadas cenas e ajudam a compor a atmosfera de outras.

Que tal colocar Alta Fidelidade em seu top five de filmes indispensáveis?

Recentemente, o Hulu exibiu uma série inspirada no livro e no filme. A série durou dez episódios. Será que foi tão boa quanto o filme ou o livro?

SINOPSE E DETALHES:

Rob Gordon (John Cusack) é o dono de uma loja de música beira da falência, pois apenas vende discos em vinil. Azarado no amor e ao mesmo tempo uma enciclopédia ambulante sobre música pop, os caminhos da vida terminam por levá-lo a analisar suas escolhas e prioridades, fazendo com que se torne uma pessoa mais madura.

Título original :High Fidelity

Distribuidor DISNEY / BUENA VISTA
27 de outubro de 2000 / 1h 44min / Comédia , Drama
Direção: Stephen Frears
Elenco: John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso,Tim Robbins,Catherine Zeta-Jones,Lisa Bonet, Jack Black
Nacionalidades EUA, Reino Unido

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