No Século Passado

Marvel vs DC: O dia em que o Wolverine “venceu” o Lobo

Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.

Decepção: sentimento de tristeza, descontentamento ou frustração devido a fato inesperado, que representa um mal; desilusão, desapontamento.

É, meus amigos, vamos falar do confronto que foi uma das maiores decepções que eu já tive ao ler uma história em quadrinhos, e para falar desse desastre que infelizmente ou felizmente durou apenas duas páginas, teremos que recordar um dos maiores golpes de marketing já criados pela Marvel e DC, no ano de 1996.

Estamos falando da minissérie “DC vs Marvel: O Conflito do Século”, que colocou os maiores heróis de cada uma das editoras para enfrentar os da rival, em 4 edições, que supostamente seriam épicas.

Agora, apenas tente, só tente imaginar a euforia dos Nerds ao descobrir que o Hulk sairia no braço com o Super-Homem, que o Batman enfrentaria o Capitão América, Namor contra Aquaman, Flash contra Mercúrio, e, a que provavelmente seria a luta mais sanguinária de todos os tempos, Lobo contra Wolverine.

Não que o mutante tivesse muita chance, apesar de ter um fator de cura absurdo agilidade, garras e tal, o baixinho trombaria com ninguém menos do que o maioral, um sujeito que dá conta do Super-Homem, que já matou o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa, que foi rejeitado pelo céu e pelo inferno e por conta disso, se tornou imortal.

Ainda assim, sangue, tripas e membros arrancados não poderiam faltar, certo?

Errado, muito, muito errado!

Para ser sincero a gente devia ter adivinhado, um confronto decente entre esses dois só poderia ocorrer em uma história para maiores de 18 anos e ainda assim com uma advertência de que contém cenas fortes demais, mas rolou em um caça-níqueis que, é claro, deveria ser vendido até para crianças que ainda não saíram da fralda.

Além disso, o resultado da luta foi decidido não com um mínimo de lógica e bom senso, mas através de votação, ou seja, foram os leitores que escolheram quem deveria ganhar, e adivinhe só, o vencedor foi o personagem mais popular, que obviamente era o Wolverine.

Então, lá estavam os roteiristas, Peter David e Dan Jurgens, com o seguinte pepino na mão: precisamos escrever uma história onde o Wolverine ganha do Lobo e que não traumatize as crianças.

A solução? Bom, se nós não temos a menor ideia de como o Wolverine vai vencer e não podemos mostrar cenas demasiadamente violentas, então que tal se nós simplesmente não mostrarmos nada.

Sim, e foi exatamente assim que aconteceu, Wolverine encontra o Lobo em um boteco alienígena, eles se ameaçam mutuamente, o Lobo enfia o gancho no peito do Wolverine, o mutante arranca o troço e diz que nem sentiu, os dois rolam para trás do balcão, você não consegue ver o que está acontecendo lá atrás, e logo o Wolverine se levanta e fuma um charuto.

Pronto, acabou! A luta durou duas páginas, menos até.

Como foi que o Wolverine venceu? Ninguém sabe, ninguém viu.

Caramba, Marvel e DC, se era para fazer isso, era melhor substituir por uma luta entre o Gavião Arqueiro e o Arqueiro Verde.

Fizessem uma edição especial com apenas os dois onde as páginas pingassem sangue, aposto que ia vender horrores também.

E não satisfeitas com o que aprontaram, DC e Marvel ainda nos brindaram com a sequência, Amálgama, uma minissérie onde os heróis das duas editoras se fundiram. Só para você ter uma ideia, nela, Wolverine se fundiu com o Batman e resultou no “Garra das Trevas”, e o Lobo, ah, meu amigo, o Lobo se fundiu com Howard, o Pato; que deu origem a Howard, o Lobo; vou repetir para você gravar, Howard, o Lobo.

Normalmente eu te diria aqui se vale a pena ou não você ler essa história, mas dessa vez acho que não preciso, não é mesmo?

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos. Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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