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Máquina Mortífera (1987)

Mel Gibson e Danny Glover protagonizaram um dos melhores e mais conhecidos filmes do gênero Buddy Cop

Na década de 80 se popularizaram os filmes policiais do chamado gênero “Buddy Cops” (policiais parceiros), onde dois deles, geralmente com personalidades opostas e conflitantes, formam uma dupla improvável para solucionar algum caso, criando um forte laço de lealdade e amizade durante o processo.

São muitos os exemplos, como “Inferno Vermelho” (1988), “Tango & Cash” (1989), Bad Boys (1995) e até Homens de Preto (1997), mas, destes, um dos que marcou uma geração e que certamente inspirou muitos outros foi “Máquina Mortífera”, longa dirigido por Richard Donner (Goonies, Superman) e estrelado por Mel Gibson e Danny Glover.

Eu estou muito velho para isso!

Donner usa com perfeição o primeiro ato para deixar evidente a personalidade de cada um de seus protagonistas, com apenas uma cena descobrimos que Roger Murtaugh (Danny Glover) completou 50 anos, tem uma casa, família, esposa, filhos, um gato e muito a perder, além de estar se sentindo cansado, o que ele insiste em reforçar através da frase “estou muito velho para isso”.

Já Martin Riggs (Mel Gibson) mora sozinho em um trailer caótico, acorda em estado lamentável, tossindo, fumando e bebendo, perdeu a esposa em um acidente de carro, e desde então vive no limite, desejando a morte e pensando constantemente em suicídio.

O roteiro não deixa esse desejo suicida apenas implícito nas cenas onde ele arrisca a vida sem medo do que possa lhe acontecer, mas vai além e faz com que literalmente Riggs aponte uma arma para a própria cabeça em duas delas, quase puxando o gatilho em ambas, e se desfazendo em lágrimas na primeira.

São cenas de grande intensidade, onde a câmera de Donner, além de contar com a excelente atuação de Gibson, se aproxima da arma, a filma em detalhes, nos coloca na posição de Riggs, observando o cano prestes a disparar.

A união destes dois homens, tão diferentes em personalidade a na maneira como enxergam o mundo, torna-se um dos principais atrativos.

Riggs e o motivo pelo qual não puxa o gatilho.

Para que o personagem de Riggs fizesse sentido, era necessário encontrar uma razão crível pela qual ele não puxasse o gatilho. Sua motivação tornou-se então o trabalho, fazer a coisa certa, não importando os riscos, e ele passou a se equilibrar entre o desejo de morrer e a possibilidade de salvar vidas.

Considerado uma bomba relógio por muitos no departamento de polícia, e um farsante que está tentando conseguir um afastamento remunerado por outros, ninguém queria trabalhar com Riggs, fazendo com que Murtaugh fosse a última opção.

Se Riggs perdeu a esposa e não teve filhos, a trama de “Máquina Mortífera” o coloca para investigar a morte de Amanda (Jackie Swanson) filha de um amigo de Murtaugh, e depois para salvar a vida de Rianne (Traci Wolfe), filha de seu parceiro, raptada pelos mesmos homens que assassinaram Amanda.

É interessante ver como a família de Murtaugh torna-se sua principal motivação para continuar em frente, e a amizade de ambos começa a transformá-lo.

Nos anos 80, a segurança dos civis não era exatamente uma grande preocupação dos heróis

A interação entre Riggs e Murtaugh rende momentos engraçados, mas trata-se de um filme policial, então ainda são necessárias cenas de ação e perseguição.

Elas não são muitas, não envolvem nada tão grandioso como vimos em outros filmes do gênero e, por isso mesmo, funcionam.

Preste atenção no fato de que obviamente os vilões não se importam com os civis no meio do fogo cruzado, mas os protagonistas também não parecem estar muito preocupados com a segurança deles, trocando tiros com os bandidos no meio de uma rua movimentada.

E já que estamos falando de vilões, eles dão para o gasto, mas nem o general Peter McAllister (Mitchell Ryan) e nem o seu braço direito, Joshua (Gary Busey), possuem o mesmo carisma dos heróis do longa.

Diga-se de passagem, a cena em que Riggs e Joshua lutam na frente da casa de Murtaugh precisa de uma boa dose de suspensão de descrença, já que não havia absolutamente qualquer razão para o bandido ir até o local, que não fosse permitir o confronto final entre ambos.

Você não está velho demais para assistir Máquina Mortífera

Assim como Murtaugh, o filme envelheceu bem, ainda é engraçado, tem boas cenas de ação, e mesmo com uma leva de filmes “Buddy Cops” tendo saído após ele, continua sendo um dos melhores.

A franquia ainda rendeu outras três continuações, em 1989, 1992 e 1998, e um quinto filme, que marcaria a despedida de Gibson e Glover dos papéis, estava em produção, e seria dirigido por Richard Donner, que dirigiu todos os anteriores, mas o diretor faleceu no último mês de julho, deixando em dúvida o destino do projeto.

Em 2016 a Fox também lançou uma série com o nome “Máquina Mortífera”, mas sem Gibson ou Glover, estrelada por Damon Wayans e Clayne Crawford, foi cancelada após o término da terceira temporada.

Fernando Fontana

Fernando Fontana é escritor e adulto amador, criador do Site Super Ninguém e colaborador do Canal Metalinguagem, onde escreve sobre filmes e quadrinhos antigos.Tá sabendo da novidade? Somos parceiros da Amazon. Vai comprar na Amazon? Utilize o código: canalmetali06-20! e dê uma força para o canal.

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