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Mais do mesmo ou uma promessa interessante? (Jujutsu Kaisen)

O novo mangá da Panini foi anunciado na CCXP 2019, para muitos ele passou despercebido entre os diversos lançamentos como o grande Demon Slayer ou Kimetsu no Yaba que alcançou a fantástica marca de 100 milhões de cópias vendidas, apenas no Japão. A obra que chegou a pouco tempo nas bancas brasileiras é chamada de Jujutsu Kaisen desenhada e escrita por Gege Akutami, sendo publicada no Japão semanalmente na Shounen Jump desde março de 2018, contabilizando 12 volumes até o momento.

Esse mangá tem todos os traços característicos de um tradicional Shounen, ou apenas Shonen, para quem não conhece o mercado japonês, que é um dos mais segmentados do mundo, há histórias para todos os públicos e gêneros, entre esses inúmeros estilos chamasse de Shounen o material que é direcionado ao público mais jovem, preferencialmente os adolescentes masculinos entre as idades de 12 a 18 anos, claro que algumas dessas obras alcançam uma parcela um pouco mais nova ou mais velha dependendo do caso.

Alguns dos mangás mais famosos desse estilo são Dragon Ball, One Piece, Naruto, Bleach, Fairy Tail, My Hero Academy entre tantos outros, são basicamente histórias de aventura onde se prega a amizade e a camaradagem, a honestidade, a força de vontade para alcançar algum objetivo, geralmente de ser o melhor ou maior em alguma coisa, em muitos casos há muita violência com várias lutas e muitos embates sangrentos com golpes seguidos do nome, basta lembrar do grito de Kame Hame Ha que Goku bradava antes de lançar o golpe, geralmente bem-humorados e com um protagonista masculino, girando em torno de temas como artes marciais, robôs, ficção científica, esporte, horror, mitologia só para nomear alguns.

Jujutsu Kaiden não inova nesse sentido, começa com um protagonista chamado de Yuji Itadori bem-humorado que não alcança seu potencial, por desinteresse, pois apesar de ter um enorme vigor físico que o faz ser mais forte, resistente, veloz e ágil que qualquer um, ele prefere se matricular no clube de ocultismo ao invés do clube de atletismo, como a própria obra discute a presença nessas agremiações é obrigatória, o motivo dessa filiação é ele preferir sair mais cedo a realizar uma atividade que lhe daria prestígio, claro que logo sabemos o motivo e fica difícil de condená-lo.

Ele mora numa cidadezinha chamada Sendai com seu avô adoecido, uma figura paterna e único parente, seus pais estão mortos ou assim é informado ainda é cedo para sabermos, numa visita a seu avô ele é repreendido por não se dedicar mais as outras pessoas e por não usar sua grande capacidade física, como numa cena do homem-aranha ao invés do bordão com grandes poderes vem grandes responsabilidades, aqui seu avô fala que você é forte então ajude as pessoas, morra cercado por elas e não sozinho como eu.

Os outros integrantes do Clube de Ocultismo retiram um selo de um objeto amaldiçoado que encontraram, o problema é que esse selo permite com que maldições andem pela terra e acredite elas são bem mortais, para salvar seus colegas Itadori acaba se unindo a um feiticeiro chamado Fushiguro que faz parte da escola técnica de Jujutsu, ambos lutam com as criaturas, ou maldições, e para conseguir salvar seus amigos Yuji toma uma decisão ao menos controversa que o obrigará a ser um dos novos alunos da escola técnica Jujutsu.

Além de Fushiguro que é capaz de invocar criaturas para seu auxílio, de lobos até pássaros gigantes, há mais uma integrante que se chama Nabara Kugisaki, uma garota extrovertida que se considera mais bonita do que é, capaz de exorcizar essas maldições valendo-se de pregos e martelo, há

algumas soluções de roteiro bem interessantes, além disso os professores e o reitor dessa escola são bem caricatos, mas sua presença é muito pequena e sem muita relevância para a trama.

O desenho é bonito e eficiente, não inova, o traço é competente, as criaturas são ao menos extravagantes e bem nojentas, as cenas de ação são bem funcionais, como disse anteriormente não há nenhuma marca característica no estilo, ao menos ainda, nem apresenta nada muito belo ou diferente, mas conta uma história cativante, com um personagem interessante, bem humorado e com um bom desenvolvimento, diálogos não muito criveis, no geral é um mangá que promete melhorar com o tempo.

O potencial existe há até uma adaptação para anime sendo feita pelo estúdio MAPPA, já está em exibição no Japão sendo que o serviço de Streaming Crunchyroll será responsável pela sua distribuição aqui no país. Assim sendo a obra é válida para quem gosta do gênero, há um pouco de comédia para minimizar a violência que ocorre nas páginas, as cenas de ação não são a tônica da história, ao menos nesse primeiro volume, ele é um trabalho introdutório, apresenta os personagens e suas histórias, vale dar uma conferida pois termina com um gancho bem interessante. A publicação como foi dita é da Panini, conta com capa cartonada, papel off white, com 194 páginas ao preço de R$ 22,90.

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Fernando Furtado

Fernando Furtado, formado em cinema pela FAAP, estudou quadrinhos na Quanta Academia de Artes, fez curso sobre a história das HQs com Sônia Bibe Lyuten, oficina de roteiro para HQs com Lourenço Mutarelli, assistente editorial e tradutor na Brainstore editora. Atualmente professor de inglês e advogado.

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